Rafa9000
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Super Mario Bros: The Lost Levels — O pior Mario clássico?
O que dizer de Lost Levels? Apesar de ter sido um dos primeiros Mario que joguei na vida, lá no meu velho SNES, eu nunca consegui zerá-lo na época. E não era por falta de insistência — era porque esse jogo parece ter sido projetado por algum servo direto de Bowser.Falar que Super Mario Bros: The Lost Levels é difícil chega a ser redundante. Todo mundo já sabe disso. A questão real é: estamos falando de uma dificuldade justa ou artificial?
E sendo bem honesto… artificial.
Existe uma diferença enorme entre um jogo desafiador — aquele em que você morre por erro próprio, como em um Soulslike ou roguelike — e um jogo que parece ativamente sabotar o jogador. Lost Levels se encaixa muito mais na segunda categoria. Não é o tipo de desafio que recompensa aprendizado orgânico; é o tipo que pune curiosidade e experimentação.
O grande problema está no level design. Ele não é tecnicamente ruim, mas é construído em cima de armadilhas e pegadinhas. O jogo usa e abusa de blocos invisíveis colocados estrategicamente para te derrubar em buracos, saltos milimetricamente calculados que exigem precisão quase desumana, inimigos posicionados de forma cruel e fases labirínticas onde um caminho errado significa recomeçar tudo. E, como se não bastasse, os mundos finais introduzem um vento constante que altera a física dos pulos — justamente em um jogo que já exige precisão cirúrgica.
A sensação é de que o design quer forçar o jogador a errar até decorar cada centímetro da fase. Não é aprendizado natural, é tentativa e erro até que, por acaso, você descubra o bloco invisível que libera a trepadeira para o “verdadeiro” final da fase — ou acerte aquele salto absurdo depois de dezenas (ou centenas) de tentativas. Tudo isso com vidas limitadas.
Sinceramente, considero esse um dos raros jogos da era clássica que beira o impraticável sem save states ou a função de rebobinar dos emuladores modernos. Terminá-lo “na raça” exige uma combinação de paciência, persistência e uma certa dose de masoquismo.
Não à toa, a Nintendo tomou a decisão de não lançar essa versão originalmente no Ocidente, substituindo-a por uma experiência mais acessível. E olhando em retrospecto, foi uma decisão acertada. Lançar algo tão punitivo logo após o primeiro Super Mario Bros. — uma verdadeira aula de level design — poderia ter afetado negativamente a imagem da série fora do Japão.
Sobre o remake do SNES (presente em Super Mario All-Stars), é inegável que houve um capricho técnico. Os gráficos são belíssimos, a trilha sonora está ainda mais agradável e a possibilidade de salvar a qualquer momento ajuda bastante a tornar a experiência menos frustrante. Mas, no fim das contas, melhorias estéticas e conveniências modernas não conseguem corrigir a base de design excessivamente punitiva.
No final, The Lost Levels é um jogo que recomendo apenas em duas situações: se você for muito — mas muito mesmo — fã de Mario e quiser conhecer todos os capítulos da franquia, ou se for do tipo que aprecia desafios quase sádicos.
Para a maioria dos jogadores, ele é mais um exercício de resistência do que diversão.
