Matrix - Netflix - 10/10
Revi recentemente sob a ótica do zine que descobri recentemente
Black Iron Prison (Prisão de Ferro Negro), . Esse conceito, popularizado pelo escritor de ficção científica Philip K. Dick, descreve um sistema de controle onipresente e invisível que mantém a humanidade presa em uma realidade estática e falsa, impedindo-a de ver a verdadeira natureza do mundo. Algo que e bem apresentado também no filme Matrix, de toda vida de forma de simulação na Matrix. No filme, a própria Matrix é a materialização perfeita dessa prisão. Não se trata apenas de celas físicas (os casulos onde os humanos servem de bateria), mas de uma
prisão para a mente. A Black Iron Prison sugere que vivemos em um sistema de controle que se autoperpetua, onde as instituições, as leis e a própria percepção da realidade são projetadas para nos manter dóceis e ignorantes. Em
Matrix, os Agentes são os "carcereiros" dessa estrutura, responsáveis por eliminar qualquer anomalia ou lampejo de despertar que possa ameaçar a estabilidade do sistema.
Um dos pontos centrais da Black Iron Prison é a ideia de que o "Império nunca acabou" — uma estrutura de poder antiga que apenas mudou de forma ao longo dos séculos. No filme, as máquinas representam esse novo Império. Elas criaram uma simulação do final do século XX para que as pessoas não percebam que o tempo parou e que a humanidade foi escravizada. A busca de Neo pela verdade é, na verdade, uma busca pela
Gnose (o conhecimento libertador, igual acontece com Jesus, Nabucodonosor, Horus, Buda, Mithra e Osíris), a única coisa capaz de quebrar as grades invisíveis dessa prisão.
Ao rever
Matrix através dessa lente, percebi que o filme não é apenas sobre kung fu e efeitos visuais revolucionários como desde de seu lançamento, mas sobre o despertar espiritual e político. Morpheus, ao oferecer a pílula vermelha, não está apenas oferecendo uma escolha, mas uma saída da Black Iron Prison. A ressonância do filme se mantém atual justamente porque, para muitos filósofos e teóricos, ainda vivemos em versões modernas dessa prisão, onde o consumo e o entretenimento digital funcionam como as novas distrações para nos manter longe da realidade "real".