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Cork_Screw

Bam-bam-bam
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Estava fazendo uma reflexão sobre a liberdade, razão de existir e a natureza humana. Passamos em média 10 anos em uma instituição de ensino e cerca de 18 anos sob a tutela de nossos pais, ambos direcionando nossos caminhos e condicionando o meio para acontecer o que eles desejam. Concluo que não existe livre arbítrio, pois somos condicionados por muito tempo e só um desligamento total dos valores sociais - coisa rara - seria capaz de gerar uma ação mais independente, a qual ainda não seria 100% livre de influência. Se não temos livre arbítrio, logo não temos liberdade. Uma pessoa insatisfeita é um ponto fora da curva, algo em torno de 8% da população. Essa pessoa será submetida pela força dos 92% e condicionada igualmente. Com o aumento da população, do acesso à internet, da produção da indústria cultural de massas, tudo fica mais insuportável e perdemos nossos valores tradicionais. E do que trata a tradição? Por ser milenar e acolher a opinião dos longevos, apresenta um rico índice das virtudes humanas e sua natureza, assim como orientações sobre a melhor convivência em sociedade, sem sofrimento e dor. Sim, a tradição também é uma forma de minar nossa liberdade individual, mas é benéfica. O que acontece quando minamos nossa liberdade individual para uma cultura podre e homogênea que está surgindo no mundo? Bilhões de pessoas falando a mesma língua, seguindo os mesmos valores, fazendo as mesmas coisas e vivendo miseravelmente, ou seja, vivendo a miséria da falta de significância e de espaço, vivendo sob a lógica da economia compartilhada, das invenções de novos modelos de consumo e nada que realmente nutra o ser humano de espírito e lhe dê significado. Vai chegar um tempo em que o ser humano não declarará guerra por sentir fome, necessidade de espaço ou de respeito, mas pela necessidade de significado, poder e protagonismo existencial. Chegará o tempo em que o homem irá dizer que o inferno são os outros e desejará a morte de seus irmãos. Não somos índios iludidos com bugigangas portuguesas e cortando pão Brasil, mas a eles nos assemelhamos quando nos deparamos diante da tecnologia e da internet. As pessoas esqueceram que o dia tem 24 horas. Glorificam um Deus chamado dinheiro; cultuam a tela de um celular. Acham que ver fotos de paisagens bonitas de montanhas na Noruega ou paisagens de qualquer lugar natural tornam a experiência válida, esquecendo a triste miséria da jornada de trabalho e as limitações impostas pela economia. Um triste engano. Mas essa pessoa pode ao menos ver um paisagem natural no seu país? Não, a aquisição de terras está se tornando cada vez mais difícil, assim como a aquisição de imóveis. O ser humano moderno tem que se contentar com 8 horas de trabalho, 8 para dormir, 4 para se transportar, fazer suas necessidades, tomar banho e se arrumas, sobrando - com sorte - 4 horas para fazer algo do seu interesse depois de um dia cansado. Resumindo:

  • O aumento populacional proporcionado pela medicina aumentou o número de pessoas, tendo como consequência a maior demanda por terra e imóveis, aumentando o preço dos mesmos.
  • O preço de gasolina está nas alturas. Tá difícil até para fazer uma excursão para ir e voltar no mesmo dia.
  • O ser humano se considera livre, mas a maioria passa mais tempo de vida cagando e tomando banho do que propriamente fazendo uma viagem.
  • A pessoa nasce e morre no mesmo lugar em que nasceu, assim como um camponês, mas hoje tem a ilusão de que a terra é plena e os horizontes menos distantes porque pode ver girafas africanas no Smartphone.
Não sei se alguém aqui tem curiosidade de olhar as lojas num shopping ou no mercado em geral. Visito sempre algumas capitais e fico vendo a enorme quantidade de empreendimentos sendo abertos e muitos até estáveis e com tradição. E o que me surpreende mais são esses empreendimentos de programadores e na área de tecnologia em geral. A falta de significado está tão grande que um dia desses vi um "empreendedor" me dizendo ter pensado em desenvolver um jogo para ser apreciado no momento em que a pessoa está cagando no banheiro. Não, isso não é mentira nem brincadeira. As pessoas não lutam mais por comida e água, mas por ter um significado e utilidade nesse mundo. Daqui a pouco, eu não duvido estarem criando robôs para carregar suas compras, hardware para limpar sua bunda e outras inutilidades. Ao meu ver, a escravidão não deixou de existir. O escravo só não sabe que é escravo e agora pode fazer compras. Eu não sou comunista nem fodido financeiramente e vivo muito bem, mas tá aí a verdade sobre a tecnologia e seus malefícios.
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