Levantei a questão nem tanto pela qualidade, até porque citei Star Wars e Star Trek na minha fala anterior; não ligo muito para elas, não sou fã (claro que não vou desdenhar só porque eu não dou muita bola, não é essa a questão). Para além da qualidade, essas obras são frutos do contexto do seu tempo; esse é meu ponto. Não sei se é só uma sensação minha, mas, com esses tempos de rede social, houve uma ascensão da turma do "engajamento do ódio", que são aqueles que, para além de criticar o que não gostam (até aí normal), gastam mais tempo em ficar hateando/odiando tal coisa do que se concentrando no que gostam. Outro elemento do tempo é que há uma "tribalização" das coisas. Lembro-me de quando a segunda trilogia do Star Wars saiu; foi muito criticada, mas, ainda assim, nenhum conteúdo daquela época, as coisas ruins da época, sofreu tanto assim. Quanto mais foi aumentando a inserção digital, mais difícil se tornou algo de sucesso na escala que essas franquias tiveram naquela época. Você arriscaria apontar algum sucesso nas últimas duas décadas que teve sucesso nessa escala? E, por fim, tentar agradar fã, jogando fanservice ou algum segmento que os fãs desejam, parece ser jogada arriscada quanto a criatividade. Geralmente os fãs querem mais do mesmo do que já deu certo, jogar no novo é arriscado demais, principalmente quando dá errado, por isso que digo, não acho que seja impossível, mas fenômeno tal como Star Wars, hoje em dia, dificilmente se repetirá, eu diria que nunca mais, mas o futuro a Deus pertence, quem sabe eu posso estar errado?
Eu enxergo de forma diferente.
Há, sim o engajamento de ódio... Mas ele é criado por quem acusa os outros de odiar.
Eu sou fã de Starcraft. Era um dos poucos jogos que eu podia jogar de igual pra igual com meu irmão mais velho e primos (Ok, de igual pra igual, não, mas eu ao menos jogava pelos primeiros 20 minutos de cada partida de 1 hora deles). E eu aprendi inglês em parte jogando e entendendo as regras do jogo e, claro, a campanha.
O jogo tem uma pegada de dark sci-fi... Governos ditatoriais e corruptos, aliens arrogantes e sem empatia e monstros usando pessoas.
Na trama, humanos vão parar num sistema estelar distante e continuam suas tramas de dominação entre si, com nações espaciais opressivas lutando entre si. Os zergs surgem consumindo as colônias humanas e os protoss surgem para "nos proteger" mas do jeito arrogante deles. Kerrigan é deixada para morrer mas acabar sendo capturada pelos Zergs e transformada num monstro (para compensar a falta de poderes psiquicos dos zergs contra os protoss). Os protoss acabam sendo vítimas dos zergs e perdem seu planeta natal ao destruir o vilão Overmind (mente que controla os zergs).
No segundo jogo (Brood Wars) enquanto a Terra envia forças para conquistar os humanos daquele distante setor, Kerrigan volta, dizendo que foi controlada e fez as maldades que fez sob domínio da Overmind (não deixa de ser verdade) e manipula todos os antigos amigos e inimigos para lutarem entre si enquanto usa seus amigos como peões e obtém para si o poder que era da Overmind. Mata ainda mais protoss e humanos e termina como a vencedora da disputa. Os heróis juram se vingar dela.
O terceiro jogo (Starcraft 2) ignora totalmente o segundo (Brood Wars) e repete a trama de Kerrigan voltando e pedindo ajuda, mas agora ela é do bem e não quer manipular ninguém mas é mal entendida e vitima de preconceitos (porque, né) e os personagens ignoram tudo o que ela fez.
Muita gente simplesmente jogou Starcraft e Brood Wars e viu que o roteiro estava totalmente errado e reclamaram disto. Literalmente esqueceram a expansão que mostrava que Kerrigan era do mal mesmo e os personagem terminaram desejando vingança contra ela.
Imediatamente quem simplesmente apontava erros da trama passou a ser hostilizado. Chamado de falso fã, de que queria que a "versão da mente deles" fosse a certa (sendo que a versão da mente deles foi o próprio jogo) e acusados de haters enquanto quem adorava a nova versão ia atrás deles xingar e atacar (os caras atacavam a mudança absurda de direção da história, não falavam mal dos que gostaram).
Depois disso este mesmo modelo foi pra tudo.
Lançam um Terminator (Exterminador do Futuro) em que John Connor morre em 5 minutos e colocam uma mulher que tem exatamente o mesmo papel dele, imediatamente no lugar e reclamam disto. Eles são os hater por odiarem uma mudança que não fazia sentido. Enquanto isso, quem gostou se sente ofendido do outro não gostar e vai lá xingar ele.
Tudo hoje em dia é o cara que vai xingar o colega acusar o xingado de hater.