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Mises apoiou o Fascismo?

f0rg0tten

Bam-bam-bam
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Esses dias estava me lembrando de uma discussão que tive aqui a uns tempos atrás e me lembrei desse "pensamento" que circula ou circulava por ai. Resolvi criar um tópico para desmistificar um pouco isso (e ter um link fácil quando precisar argumentar sobre :ksafado).

Pois bem, o assunto é sobre um parágrafo que encontramos no livro Liberalismo (Liberalismus), publicado em 1927. Segue:

Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até o momento, salvou a civilização europeia. O mérito que, por isso, o fascismo obteve para si estará inscrito na história. Porém, embora sua política tenha propiciado salvação momentânea, não é do tipo que possa prometer sucesso continuado. O fascismo constitui um expediente de emergência. Encará-lo como algo mais seria um erro fatal.

Lendo assim, realmente, dá para dizer que não pega tão bem, principalmente nos dias atuais. Mas qual o contexto desse texto?


O trecho está no finalzinho do tópico 10, As razões do Fascismo, no primeiro capítulo do livro. No começo deste mesmo tópico, ele contextualiza:


--------------------------------------------​
Se o liberalismo em nenhum lugar encontrou aceitação completa, o êxito que teve no século XIX chegou, pelo menos, ao ponto de fazer com que alguns dos seus mais importantes princípios fossem aceitos sem contestação. Antes de 1914, mesmo os inimigos mais obstinados e ferozes do liberalismo tiveram de resignar-se a aceitar muitos dos princípios liberais, sem contestação. Mesmo na Rússia, onde uns poucos raios do liberalismo haviam penetrado, os defensores do despotismo czarista, ao perseguirem seus oponentes, tinham, ainda assim, de levar em conta as opiniões liberais da Europa. Durante a Grande Guerra, as partes em conflito das nações beligerantes, mesmo com todo o zelo, tiveram, ainda assim, de usar de certa moderação na luta contra a oposição em sua terra.

Somente quando os sociais democratas marxistas levaram a melhor e tomaram o poder, na crença de que a era do liberalismo e do capitalismo havia passado para sempre, é que desapareceram as últimas concessões que ainda se julgava necessário fazer à ideologia liberal. Os partidos da Terceira Internacional consideram permissíveis quaisquer meios, desde que lhes pareçam úteis na consecução de seus objetivos. Quem não reconhecer, incondicionalmente, todos os seus ensinamentos como os únicos corretos e a eles não se conformarem com toda a lealdade, a seu juízo, sujeita-se à pena de morte. Não hesitam em exterminá-lo e a toda a sua família, inclusive as crianças pequenas, quando e onde for fisicamente possível.

A adesão sincera a uma política de aniquilamento dos adversários e os assassinatos cometidos em sua busca deram origem ao movimento de oposição. Contudo, caíram, de vez, as máscaras dos inimigos não comunistas do liberalismo. Até então, acreditavam que mesmo em luta contra um inimigo odioso era, ainda, necessário respeitar certos princípios liberais. Haviam-se obrigado, mesmo que de modo relutante, a excluir o assassinato da lista de medidas a serem utilizadas em suas lutas políticas. Haviam-se conformado a muitas limitações, na perseguição à imprensa opositora e na censura à palavra. Ora, logo compreenderam que lhes surgiam opositores que não observavam tais recomendações e para quem era lícito toda forma de eliminação do adversário. Os inimigos militaristas e nacionalistas da Terceira Internacional sentiram-se ludibriados pelo liberalismo. O liberalismo, assim pensavam, contivera sua mão, ao desejarem esmagar os partidos revolucionários, quando isto ainda era possível. Se o liberalismo não tivesse impedido, teriam cortado pela raiz, assim acreditavam, os movimentos revolucionários. As ideias revolucionárias enraizaram-se e floresceram, simplesmente porque foi superescrupulosa a tolerância que lhes foi concedida por seus oponentes, cuja força de vontade havia sido enfraquecida pela consideração aos princípios liberais. Se lhes tivesse ocorrido, alguns anos antes, a ideia de que era permissível aniquilar impiedosamente todo o movimento revolucionário, as vitórias que a Terceira Internacional obteve, desde 1917, nunca teriam sido possíveis, porque os militaristas e nacionalistas acreditam que, quando se chega ao ponto de atirar e lutar, são eles próprios os atiradores mais apurados e os guerreiros mais adestrados.


--------------------------------------------​

Ou seja, o mundo estava olhando chocado o absurdo de violência dos socialistas e alguns movimentos (principalmente nacionalistas mais extremos) ganharam força no meio da confusão.

Em seguida, explica a motivação dos fascistas, bem como sua visão na data sobre o movimento:

--------------------------------------------​

A ideia fundamental desses movimentos (os quais, com base no nome do mais grandioso e ferrenhamente disciplinado deles, o italiano, podem ser designados, em geral, como fascistas) consiste na proposta de fazer uso dos mesmos métodos inescrupulosos na luta contra a Terceira Internacional, exatamente como esta faz contra seus oponentes. A Terceira Internacional visa a exterminar seus adversários e suas ideias, do mesmo modo que o sanitarista luta para exterminar um bacilo pestilento. Não se considera, de modo algum, obrigada aos termos de qualquer pacto que venha a celebrar com seus oponentes e considera permissível todo crime, toda mentira e toda calúnia, na execução de seus planos. Os fascistas, pelo menos em princípio, professam as mesmas intenções. A constatação de que ainda não puderam desvencilhar-se de modo tão cabal como os bolcheviques, russos, de qualquer consideração por noções e ideias liberais e por tradicionais preceitos éticos, deve ser atribuída, tão somente, ao fato de que os fascistas atuam em países nos quais a herança intelectual e moral de milhares de anos de civilização não pode ser destruída num piscar de olhos e não entre povos bárbaros de ambos os lados dos Urais, cuja relação com a civilização nunca foi mais do que a de habitantes predadores da floresta e do deserto, acostumados a se envolverem, de tempos em tempos, em pilhagem de terras civilizadas, na caça à sua presa. Em razão desta diferença, o fascismo nunca conseguirá sucesso tão completo, como o bolchevismo russo, em se livrar, totalmente, de poder das ideias liberais. Foi apenas pela impressão recente, deixada pelos assassinatos e atrocidades perpetrados pelos adeptos dos soviéticos, que os alemães e italianos foram capazes de bloquear a lembrança das tradicionais restrições da justiça e da moralidade e de encontrar incentivo para represálias sangrentas. As ações dos fascistas e de outros partidos que lhe correspondiam eram reações emocionais, evocadas pela indignação com as ações perpetradas pelos bolcheviques e comunistas. Ao passar o primeiro acesso de ódio, a política por eles adotada toma um curso mais moderado e, provavelmente, será ainda mais moderado com o passar do tempo.

--------------------------------------------
Interessante perceber a falha na análise dele, que viu o movimento como algo apenas emotivo e fadado a acabar em pouco tempo.

No parágrafo seguinte ele explica o porque os movimentos fascistas ganharam força:

--------------------------------------------​

Tal moderação resulta do fato de que os pontos de vista tradicionais do liberalismo continuam a exercer influência inconsciente sobre os fascistas. Mas, por mais longe que isso possa ir, não se deve deixar de reconhecer que a conversão dos partidos de direita às táticas fascistas mostra que a batalha contra o liberalismo produziu êxitos que, há pouco tempo, seriam considerados totalmente inimagináveis. Muitas pessoas aprovam os métodos fascistas, muito embora seu programa econômico seja totalmente antiliberal e a política econômica totalmente intervencionista, porque está longe de praticar o vandalismo que tem caracterizado os comunistas como os arqui-inimigos da civilização. Ainda outros, completamente conscientes do mal que a política econômica fascista encerra, consideram o fascismo, em comparação com o bolchevismo e o sovietismo, pelo menos, um mal menor. Para a maioria de seus defensores públicos e secretos e de admiradores, entretanto, seu poder de atração consiste, precisamente, na violência de seus métodos.

--------------------------------------------
Nos parágrafos seguintes ele explica o porque o fascismo não é necessário, nem mesmo útil.
(vou colar somente alguns trechos senão porque senão vou terminar colando o livro inteiro aqui)

--------------------------------------------​

Ora, não se pode negar que o único modo pelo qual alguém possa oferecer resistência efetiva contra assaltos violentos seja por meio da violência. Contra as armas dos bolcheviques, devem-se utilizar, em represália, as mesmas armas, e seria um erro mostrar fraqueza ante os assassinos. Jamais um liberal colocou isto em questão. O que distingue a tática política liberal da do fascismo não é uma diferença de opinião relativa à necessidade de usar a força armada para resistir a atacantes armados, mas uma diferença na consideração do fundamento do papel da violência na luta pelo poder. O grande perigo que ameaça a política interna na perspectiva do fascismo reside na sua total fé no decisivo poder da violência. Para assegurar o êxito,
deve-se estar imbuído da vontade de vencer e de sempre proceder de modo violento. É este o mais alto princípio...

...A supressão de toda oposição pela violência é o caminho mais inadequado para ganhar adeptos para uma causa...

O fascismo pode triunfar, hoje, porque a indignação universal contra as infâmias cometidas pelos socialistas e comunistas lhes concedeu as simpatias de largos círculos.
Mas, quando a memória ainda fresca dos crimes dos bolcheviques estiver empalidecida, o programa dos socialistas, de novo, exercerá poder de atração sobre as massas, porque os fascistas nada fazem para combatê-los, a não ser suprimir as ideias socialistas e perseguir quem as divulgue.

Diz-se com frequência, que nada mais incentiva uma causa do que dar-lhe mártires. Isso é mais ou menos correto. O que fortalece a causa de uma facção perseguida não é o martírio de seus adeptos, mas o fato de que são atacados pela, força e não pelas armas do intelecto. A repressão pela força bruta é sempre a confissão da incapacidade de fazer uso do melhor, isto é, das armas do espírito – melhor, porque somente elas prometem o êxito final. É este o erro fundamental de que padecem os fascistas e que, em última análise, causará sua derrocada.

Tanta discussão para a política interna do fascismo! Não merece maiores considerações o fato de que a política externa do fascismo, baseada no reconhecido princípio da força nas relações internacionais, não pode deixar de causar uma série de conflitos internacionais que, necessariamente, destruirão toda a civilização moderna. Para manter e aumentar o atual nível de desenvolvimento econômico, deve-se assegurar a paz entre as nações. Porém, estas não podem viver em paz, se o princípio básico da ideologia que as governa for a crença de que somente pela força se pode assegurar, para si, um lugar na comunidade das nações


--------------------------------------------​

Ou seja, ele considera o fascismo uma resposta violenta em retalhação a um ataque violento dos comunistas, mas que no fim das contas não vai conseguir se sustentar e que se continuar deve piorar a vida de todos.

Depois de tanto falar mal do fascismo, ele resolve terminar com o tom mais apaziguador, que é onde entra o quote lá no topo do tópico.

Não se pode negar que o fascismo e movimentos semelhantes, visando ao estabelecimento de ditaduras, estejam cheios das melhores intenções e que sua intervenção, até o momento, salvou a civilização europeia. O mérito que, por isso, o fascismo obteve para si estará inscrito na história. Porém, embora sua política tenha propiciado salvação momentânea, não é do tipo que possa prometer sucesso continuado. O fascismo constitui um expediente de emergência. Encará-lo como algo mais seria um erro fatal.

Depois desse monte de texto e lembrando que esse texto foi publicado em 1927 (12 anos antes do inicio da segunda guerra mundial), Mussolini já comandava a Itália mas ainda estava trabalhando no viés populista dele (foi o ano em que foi publicada a Carta del Lavoro ) o partido nazista estava se recompondo depois de uma tentativa fracassada de golpe, e só viriam tomar o poder anos depois...

Pergunto, qual o objetivo do ultimo parágrafo? Vou colocar algumas opções mas sintam-se livres para acrescentar algo (se é que alguém vai ter coragem de ler isso tudo)

  • Enaltecer o fascismo e seus ideais.
  • Finalizar o tópico em tom apaziguador depois de passar mais da metade do texto anterior malhando o fascismo.
  • Destacar que o fascismo teve sua utilidade mas não é mais necessário
 


Cafetão Chinês

Bam-bam-bam
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Mesmo com toda sua justificativa, vai ter gente dizendo que Mises era um fascista abjeto (e vai ter o Guy Debord dizendo que o título do seu tópico é "auto-explicativo").

De qualquer forma, bom tópico. Sempre bom ler o Mises.
 
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f0rg0tten

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Mesmo com toda sua justificativa, vai ter esquerdista dizendo que Mises era um fascista abjeto (e vai ter o Guy_Debord dizendo que o título do seu tópico é "auto-explicativo").
Eu ficaria realmente surpreso se algum conseguisse ler 20% do que eu escrevi. Deixei intencionalmente sem desenhos.
 
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Acredito que a ideia central das colocações dele é que em um governo autoritário como o fascismo e nazismo serviu como um estado emergencial quando a democracia falhou, porém, se ele se mantém, por ter os recursos centralizados no comando central logo descamba em uma degeneração e tirania.
 

f0rg0tten

Bam-bam-bam
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Acredito que a ideia central das colocações dele é que em um governo autoritário como o fascismo e nazismo serviu como um estado emergencial quando a democracia falhou, porém, se ele se mantém, por ter os recursos centralizados no comando central logo descamba em uma degeneração e tirania.
Mais ou menos isso mesmo, ele vê o fascismo como uma resposta emocional, pelo medo do terror que os comunistas estavam fazendo por lá. Os socialistas ameaçavam todos com violência então o medo fez com que alguns apoiassem quem prometia utilizar da mesma violência para acabar com os agressores. Mas mesmo como ferramenta para parar os comunistas o fascismo é visto por ele como uma solução fraca, sem substância. Um remendo fadado a falhar. E isso é da própria natureza desse tipo de regime, baseado na violência e somente nisso, como justificativa, método e objetivo.
 


Guy_Debord

Supra-sumo
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Não sei se apoiou, mas que está justificando, isso ele está. Por medo dos bolcheviques eles mataram 6 milhões de judeus + uma caralhada de gente usando métodos industriais, e afundou a Europa numa guerra.

Não li o texto todo ainda, mas lerei pq a risada parece garantida aqui.

Ah, esse tópico demonstra que fascismo é de direita.
 

JmB!

Bam-bam-bam
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Esses dias estava me lembrando de uma discussão que tive aqui a uns tempos atrás e me lembrei desse "pensamento" que circula ou circulava por ai. Resolvi criar um tópico para desmistificar um pouco isso (e ter um link fácil quando precisar argumentar sobre :ksafado).

Pois bem, o assunto é sobre um parágrafo que encontramos no livro Liberalismo (Liberalismus), publicado em 1927. Segue:




Lendo assim, realmente, dá para dizer que não pega tão bem, principalmente nos dias atuais. Mas qual o contexto desse texto?


O trecho está no finalzinho do tópico 10, As razões do Fascismo, no primeiro capítulo do livro. No começo deste mesmo tópico, ele contextualiza:


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Se o liberalismo em nenhum lugar encontrou aceitação completa, o êxito que teve no século XIX chegou, pelo menos, ao ponto de fazer com que alguns dos seus mais importantes princípios fossem aceitos sem contestação. Antes de 1914, mesmo os inimigos mais obstinados e ferozes do liberalismo tiveram de resignar-se a aceitar muitos dos princípios liberais, sem contestação. Mesmo na Rússia, onde uns poucos raios do liberalismo haviam penetrado, os defensores do despotismo czarista, ao perseguirem seus oponentes, tinham, ainda assim, de levar em conta as opiniões liberais da Europa. Durante a Grande Guerra, as partes em conflito das nações beligerantes, mesmo com todo o zelo, tiveram, ainda assim, de usar de certa moderação na luta contra a oposição em sua terra.

Somente quando os sociais democratas marxistas levaram a melhor e tomaram o poder, na crença de que a era do liberalismo e do capitalismo havia passado para sempre, é que desapareceram as últimas concessões que ainda se julgava necessário fazer à ideologia liberal. Os partidos da Terceira Internacional consideram permissíveis quaisquer meios, desde que lhes pareçam úteis na consecução de seus objetivos. Quem não reconhecer, incondicionalmente, todos os seus ensinamentos como os únicos corretos e a eles não se conformarem com toda a lealdade, a seu juízo, sujeita-se à pena de morte. Não hesitam em exterminá-lo e a toda a sua família, inclusive as crianças pequenas, quando e onde for fisicamente possível.

A adesão sincera a uma política de aniquilamento dos adversários e os assassinatos cometidos em sua busca deram origem ao movimento de oposição. Contudo, caíram, de vez, as máscaras dos inimigos não comunistas do liberalismo. Até então, acreditavam que mesmo em luta contra um inimigo odioso era, ainda, necessário respeitar certos princípios liberais. Haviam-se obrigado, mesmo que de modo relutante, a excluir o assassinato da lista de medidas a serem utilizadas em suas lutas políticas. Haviam-se conformado a muitas limitações, na perseguição à imprensa opositora e na censura à palavra. Ora, logo compreenderam que lhes surgiam opositores que não observavam tais recomendações e para quem era lícito toda forma de eliminação do adversário. Os inimigos militaristas e nacionalistas da Terceira Internacional sentiram-se ludibriados pelo liberalismo. O liberalismo, assim pensavam, contivera sua mão, ao desejarem esmagar os partidos revolucionários, quando isto ainda era possível. Se o liberalismo não tivesse impedido, teriam cortado pela raiz, assim acreditavam, os movimentos revolucionários. As ideias revolucionárias enraizaram-se e floresceram, simplesmente porque foi superescrupulosa a tolerância que lhes foi concedida por seus oponentes, cuja força de vontade havia sido enfraquecida pela consideração aos princípios liberais. Se lhes tivesse ocorrido, alguns anos antes, a ideia de que era permissível aniquilar impiedosamente todo o movimento revolucionário, as vitórias que a Terceira Internacional obteve, desde 1917, nunca teriam sido possíveis, porque os militaristas e nacionalistas acreditam que, quando se chega ao ponto de atirar e lutar, são eles próprios os atiradores mais apurados e os guerreiros mais adestrados.


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Ou seja, o mundo estava olhando chocado o absurdo de violência dos socialistas e alguns movimentos (principalmente nacionalistas mais extremos) ganharam força no meio da confusão.

Em seguida, explica a motivação dos fascistas, bem como sua visão na data sobre o movimento:

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A ideia fundamental desses movimentos (os quais, com base no nome do mais grandioso e ferrenhamente disciplinado deles, o italiano, podem ser designados, em geral, como fascistas) consiste na proposta de fazer uso dos mesmos métodos inescrupulosos na luta contra a Terceira Internacional, exatamente como esta faz contra seus oponentes. A Terceira Internacional visa a exterminar seus adversários e suas ideias, do mesmo modo que o sanitarista luta para exterminar um bacilo pestilento. Não se considera, de modo algum, obrigada aos termos de qualquer pacto que venha a celebrar com seus oponentes e considera permissível todo crime, toda mentira e toda calúnia, na execução de seus planos. Os fascistas, pelo menos em princípio, professam as mesmas intenções. A constatação de que ainda não puderam desvencilhar-se de modo tão cabal como os bolcheviques, russos, de qualquer consideração por noções e ideias liberais e por tradicionais preceitos éticos, deve ser atribuída, tão somente, ao fato de que os fascistas atuam em países nos quais a herança intelectual e moral de milhares de anos de civilização não pode ser destruída num piscar de olhos e não entre povos bárbaros de ambos os lados dos Urais, cuja relação com a civilização nunca foi mais do que a de habitantes predadores da floresta e do deserto, acostumados a se envolverem, de tempos em tempos, em pilhagem de terras civilizadas, na caça à sua presa. Em razão desta diferença, o fascismo nunca conseguirá sucesso tão completo, como o bolchevismo russo, em se livrar, totalmente, de poder das ideias liberais. Foi apenas pela impressão recente, deixada pelos assassinatos e atrocidades perpetrados pelos adeptos dos soviéticos, que os alemães e italianos foram capazes de bloquear a lembrança das tradicionais restrições da justiça e da moralidade e de encontrar incentivo para represálias sangrentas. As ações dos fascistas e de outros partidos que lhe correspondiam eram reações emocionais, evocadas pela indignação com as ações perpetradas pelos bolcheviques e comunistas. Ao passar o primeiro acesso de ódio, a política por eles adotada toma um curso mais moderado e, provavelmente, será ainda mais moderado com o passar do tempo.

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Interessante perceber a falha na análise dele, que viu o movimento como algo apenas emotivo e fadado a acabar em pouco tempo.

No parágrafo seguinte ele explica o porque os movimentos fascistas ganharam força:

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Tal moderação resulta do fato de que os pontos de vista tradicionais do liberalismo continuam a exercer influência inconsciente sobre os fascistas. Mas, por mais longe que isso possa ir, não se deve deixar de reconhecer que a conversão dos partidos de direita às táticas fascistas mostra que a batalha contra o liberalismo produziu êxitos que, há pouco tempo, seriam considerados totalmente inimagináveis. Muitas pessoas aprovam os métodos fascistas, muito embora seu programa econômico seja totalmente antiliberal e a política econômica totalmente intervencionista, porque está longe de praticar o vandalismo que tem caracterizado os comunistas como os arqui-inimigos da civilização. Ainda outros, completamente conscientes do mal que a política econômica fascista encerra, consideram o fascismo, em comparação com o bolchevismo e o sovietismo, pelo menos, um mal menor. Para a maioria de seus defensores públicos e secretos e de admiradores, entretanto, seu poder de atração consiste, precisamente, na violência de seus métodos.

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Nos parágrafos seguintes ele explica o porque o fascismo não é necessário, nem mesmo útil.
(vou colar somente alguns trechos senão porque senão vou terminar colando o livro inteiro aqui)

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Ora, não se pode negar que o único modo pelo qual alguém possa oferecer resistência efetiva contra assaltos violentos seja por meio da violência. Contra as armas dos bolcheviques, devem-se utilizar, em represália, as mesmas armas, e seria um erro mostrar fraqueza ante os assassinos. Jamais um liberal colocou isto em questão. O que distingue a tática política liberal da do fascismo não é uma diferença de opinião relativa à necessidade de usar a força armada para resistir a atacantes armados, mas uma diferença na consideração do fundamento do papel da violência na luta pelo poder. O grande perigo que ameaça a política interna na perspectiva do fascismo reside na sua total fé no decisivo poder da violência. Para assegurar o êxito,
deve-se estar imbuído da vontade de vencer e de sempre proceder de modo violento. É este o mais alto princípio...

...A supressão de toda oposição pela violência é o caminho mais inadequado para ganhar adeptos para uma causa...

O fascismo pode triunfar, hoje, porque a indignação universal contra as infâmias cometidas pelos socialistas e comunistas lhes concedeu as simpatias de largos círculos.
Mas, quando a memória ainda fresca dos crimes dos bolcheviques estiver empalidecida, o programa dos socialistas, de novo, exercerá poder de atração sobre as massas, porque os fascistas nada fazem para combatê-los, a não ser suprimir as ideias socialistas e perseguir quem as divulgue.

Diz-se com frequência, que nada mais incentiva uma causa do que dar-lhe mártires. Isso é mais ou menos correto. O que fortalece a causa de uma facção perseguida não é o martírio de seus adeptos, mas o fato de que são atacados pela, força e não pelas armas do intelecto. A repressão pela força bruta é sempre a confissão da incapacidade de fazer uso do melhor, isto é, das armas do espírito – melhor, porque somente elas prometem o êxito final. É este o erro fundamental de que padecem os fascistas e que, em última análise, causará sua derrocada.

Tanta discussão para a política interna do fascismo! Não merece maiores considerações o fato de que a política externa do fascismo, baseada no reconhecido princípio da força nas relações internacionais, não pode deixar de causar uma série de conflitos internacionais que, necessariamente, destruirão toda a civilização moderna. Para manter e aumentar o atual nível de desenvolvimento econômico, deve-se assegurar a paz entre as nações. Porém, estas não podem viver em paz, se o princípio básico da ideologia que as governa for a crença de que somente pela força se pode assegurar, para si, um lugar na comunidade das nações


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Ou seja, ele considera o fascismo uma resposta violenta em retalhação a um ataque violento dos comunistas, mas que no fim das contas não vai conseguir se sustentar e que se continuar deve piorar a vida de todos.

Depois de tanto falar mal do fascismo, ele resolve terminar com o tom mais apaziguador, que é onde entra o quote lá no topo do tópico.


Depois desse monte de texto e lembrando que esse texto foi publicado em 1927 (12 anos antes do inicio da segunda guerra mundial), Mussolini já comandava a Itália mas ainda estava trabalhando no viés populista dele (foi o ano em que foi publicada a Carta del Lavoro ) o partido nazista estava se recompondo depois de uma tentativa fracassada de golpe, e só viriam tomar o poder anos depois...

Pergunto, qual o objetivo do ultimo parágrafo? Vou colocar algumas opções mas sintam-se livres para acrescentar algo (se é que alguém vai ter coragem de ler isso tudo)

  • Enaltecer o fascismo e seus ideais.
  • Finalizar o tópico em tom apaziguador depois de passar mais da metade do texto anterior malhando o fascismo.
  • Destacar que o fascismo teve sua utilidade mas não é mais necessário
Não li o tópico, mas sim, ele apoio.

MAS NÃO, isso não quer dizer que ele concordou com aquilo que se tornou ou viria a se tornar e logo mudou suas concepções.

Respondi certo?

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