Nova York deve estar muito ruim para a maioria da população, para eles terem eleito um prefeito tão radicalmente diferente do tradiconal dos EUA.
Primeiro, temos o eterno problema do progressismo.
Percebi que você é de esquerda e tudo bem. Há pautas de esquerda que não são ruins. O Brasil saiu da hiperinflação dos anos 80 com FHC e suas políticas (de socialdemocracia europeia, mas na época tratada como neoliberalismo) e, sim, é dever do governo zelar por seus cidadãos e dar condições a todos de terem vidas minimamente dignas é um deles.
Mas acaba existindo uma espécie de limite que é difícil de quantificar.
Você começa a dar ajuda financeira aos mais pobres? Ótimo.
Mas chega um momento que pessoas plenamente capazes de trabalhar e viver por si próprias preferem viver da ajuda recebida. Elas não trabalham (ou não fazem trabalhos que pagam impostos) e simplesmente estão tomando dinheiro de quem produz sem dar nada em troca. Ter mil pessoas assim, dez mil, é algo que se pode controlar. Mas em algum momento se torna modo de vida. E logo são milhões recebendo sem dar o retorno.
E é fácil entender que o governo de Nova Iorque não produz nada, ele vive de impostos. Se tem gente recebendo sem pagar e para dar dinheiro precisam tirar de alguém, impostos aumentam.
Empresas não são fundações beneficientes, elas funcionam na base do "
Eu ganho 1 bilhão por ano, portanto posso gastar 900 milhões em melhorias para a empresa, salários, impostos, expansão ou aquisição de outras empresas" mas quando o governo aumenta muito os impostos, o que a empresa pode gastar diminui e ela vai cortar. Vai contratar menos gente, ou pagar menor salário e não vai se expandir.
Isto ajuda a ter menos pessoas empregadas ou ganhando bem.
Menos pessoas empregadas ou ganhando bem, olha só, aumenta o número de pobres e diminui o número de pessoas pagando impostos, de forma que a máquina pública precisa de mais dinheiro e começa a receber menos.
Torna-se um ciclo vicioso.
Neste meio tempo, ao se aumentar o imposto de casas e prédios você faz com que os donos de imóveis aumentem seus aluguéis. Eu tenho uma casa que alugo mas moro num apartamento, usando o aluguel da casa para financiar morar mais próximo ao centro. Quando aumenta meu aluguel no apartamento, na próxima renegociação de contrato eu aumento o preço do aluguel também. Não é maldade ou ganância minha, mas também não adianta alugar uma casa que paga metade do meu aluguel se ela começar a pagar 1/3 ou 1/4. Da mesma forma, há empresas de aluguel que são empresas, mas há muitas pessoas que alugam imóveis e se aumentam o que o governo cobra delas, elas vão repassar o aumento.
Isto leva a pessoas mais pobres reclamarem do dono do imóvel, aquele malvado, ao mesmo tempo que passam a ter menos dinheiro para viverem dignamente. Mais gente nas ruas ou mais gente precisando de ajuda do governo. Que precisa de mais dinheiro.
Há duas formas de você resolver o problema.
Ronald Reagan e Margareth Thatcher encontraram os EUA e a Inglaterra
exatamente assim nos anos 80 e começaram a cortar tudo o que era excessivo. Muita gente ficou revoltada, muita gente odiou, muita gente aplaudiu quando um maluco quase matou Reagan, mas os EUA e a Inglaterra (e a seguir os países que seguiam-nos) passaram por um renascimento econômico, que logo se tornou cultural, que logo se tornou econômico. E, de repente, com muito trabalho, o país voltou a ser a potência que era antes, venceu a guerra fria e, logo a seguir, voltou a fazer as mesmas merdas todas de novo (inclusive gastando dinheiro público em guerras).
O liberalismo que as pessoas de esquerda (no geral) odeiam.
Ou
sanitizar a economia, exatamente como FHC fez. A cidade recebe 81 bilhões de dólares anualmente. É muito dinheiro, mas para uma população de 8 milhões de habitantes, é pouco. Ela tem que minimizar gastos, organizar o que recebe e o que gasta, como gasta e quanto gasta. A educação pública parece ser péssima na cidade. Mas ao mesmo tempo, cada aluno público novaiorquino gasta
o dobro da média dos EUA.
Tem alguma coisa
muito errada aí.
A educação é ruim mas custa caro. FHC era crucificado na época mas ideias como cortar custos da educação ineficiente e exigir resultados não são apenas capitalistas, são ideias que separam a social democracia europeia da social-bolsa brasileira. Lá as pessoas dão valor ao dinheiro e, por isto, cuidam para não ser desperdiçado.
O fato é que Nova Iorque tem montes de problemas e há décadas tem seguido o caminho mais fácil - políticos da moda, ideias populistas, mentalidade anti-econômica e, sim, esquerdismo - e são coisas assim que levam a cidade a votar cada vez mais em radicais que prometem o mundo, mesmo que entreguem só a favela.