A questão é que a realidade política raramente segue a pureza teórica das doutrinas.
De fato, o marxismo clássico é ateísta e materialista, mas o socialismo que se desenvolveu no mundo árabe e africano não foi uma simples reprodução das ideias europeias. Foi uma adaptação local, muitas vezes conciliando princípios islâmicos com políticas de "justiça social" e economia estatizada.
Como eu disse, comunismo e islamismo têm seus aspectos mais fundamentais opostos. Você quer implementar um ou outro. Você pode é usar o comunismo como instrumento de poder totalitário para fazer o que bem entender, como os líderes do comunismo fazem.
Não vou comentar sobre as pessoas que você mencionou, não vou ficar opinando sobre coisas e pessoas que não conheço e a realidade que estão inseridas.
O que posso afirmar é que existem movimentos, como a Teologia da Libertação aqui na América Latina, que muitos divulgam como uma vertente do cristianismo, o que não é verdade. Esse movimento é uma infiltração ideológica dentro da Igreja Católica, com o propósito de introduzir o socialismo no continente. O cristianismo, para os idealizadores desse projeto, é apenas um instrumento, um meio para atingir o verdadeiro objetivo que é a implantação do socialismo. É claro que dentro desse movimento há inúmeros padres e fiéis que aderem sem perceber o que realmente está por trás disso, em grande parte, por falta de conhecimento profundo da Bíblia.
Outra coisa: pensar que qualquer forma de justiça social é exclusividade do socialismo não faz sentido. A busca por justiça é algo inerente ao ser humano, muito anterior a qualquer ideologia socialista.
Karl Marx, criador do comunismo, era filho de um rabino convertido ao catolicismo. Alguns estudos sobre sua vida pessoal sugerem que ele seria satanista. O fato é que Marx era um profundo conhecedor da Bíblia, e muitas de suas ideias utópicas de justiça e de “paraíso terreno” nasceram dessa base. A diferença é que ele distorceu esses conceitos, propondo que o homem, por conta própria, seria capaz de instaurar esse paraíso na Terra.
Quanto ao conservadorismo, é importante diferenciar a vertente moral e cultural, associada à ordem, à hierarquia e à tradição, da vertente liberal, centrada nas liberdades individuais e no mercado. Vários regimes socialistas árabes foram conservadores nos costumes e autoritários na estrutura política, o que os distancia tanto do progressismo ocidental quanto do liberalismo clássico.
E esse suposto conservadorismo moral dos socialistas engana muita gente, e por isso vemos figuras como o Tucker Carlson apoiando governos como o de Maduro ou o do Irã. Ele se prende a uma definição genérica de conservadorismo, limitada à moral tradicional, sem perceber que esses regimes continuam sendo autoritários, estatistas e hostis às liberdades individuais. Nesse ponto, Tucker Carlson hoje defenderia até o Che Guevara, porque enxerga tudo sob a ótica cultural, ignorando completamente a estrutura política e econômica dessas ideologias.
Usar o termo “conservadorismo” para definir qualquer tipo de tradicionalismo não faz sentido, e só faz o termo perder seu real significado. Isso não ajuda em nada. O conservadorismo, como é reconhecido e discutido no mundo todo, é aquele que defende a civilização ocidental, se opõe ao comunismo e resiste ao avanço do islamismo radical. Basta ver o livro
Conservadorismo, de Roger Scruton, para entender essa base filosófica e moral.
Como você mesmo disse: “suposto conservadorismo”. A esquerda fica ressignificando o termo conservador para empurrar aquilo que eles atacam para o lado conservador. Como aqui no Brasil, por exemplo, é comum ver reportagens chamando regimes como os de Putin e Maduro de “conservadores”. A esquerda esse artifício de redefinir palavras para distorcer o debate e confundir o público.
Quanto ao Tucker Carlson, eu o acompanho de perto e entendo o que acontece. Há alguns pontos importantes. Primeiro, ele mesmo admite não ser especialista em nada, apenas faz perguntas e levanta hipóteses. É um leigo em diversos assuntos. Segundo, nos EUA boa parte da população acredita que o país é o grande vilão do mundo. Elas não discutem, nem compreendem, a influência real do comunismo, da China ou da Rússia. Para essa gente, tudo de ruim parte dos EUA. Defendem que o país não deve interferir em lugar nenhum, que deve se isolar completamente, porque suas instituições seriam corruptas e atuariam apenas como força destrutiva fora do território americano. Assim, se os EUA atacam alguém, esse alguém é automaticamente visto como o “mocinho” enquanto os próprios americanos seriam os criadores de todos os males.