raffa85
Ei mãe, 500 pontos!
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Li muita gente na internet questionando que Townfall descaracteriza a série. Porém, tirando o fato de se passar num vilarejo da Escócia e ser em primeira pessoa, na minha visão de quem começou a acompanhar a série de verdade desde o remake do 2, está tudo lá: a cidade desolada, a névoa, o terror psicológico, o estilo de design dos monstros, a estática da TV portátil para detectar inimigos (antes era um rádio, mas a ideia se mantém) e até o cano para dar pauladas. Além disso, há os personagens enfrentando de forma materializada seus traumas e demônios. Teria sido o problema não ser em terceira pessoa? E vou dizer mais: eu até que gostei do jogo. Me prendeu.Não vou dizer que é material de GOTY ou um dos destaques do ano, mas curti. O loop do gameplay é aquele com o qual a gente está acostumado: explorar a cidade, resolver puzzles, fazer backtracking e evitar o confronto com os monstros, dada a munição e itens de cura limitados (mas suficientes). Acho que na maior parte do tempo funciona bem e me diverti, exceto quando alguns puzzles se excedem em soluções rocambolescas difíceis de decifrar (mas em 85% a 90% das vezes eu consegui resolver) e também em alguns segmentos stealth que, na minha opinião, são o principal calcanhar de Aquiles desse jogo.
Não que estrague a experiência, dá para administrar, mas tem coisas de que eu não gosto e achei que faltou refinar. Ficar ajustando as frequências da TV portátil e alternar entre elas para conseguir detectar um inimigo individualmente é problemático quando existem vários em tela, especialmente no escuro. E quando eles te detectam, não dá para fugir por muito tempo mesmo correndo, se você não conseguir arranjar um armário ou outro lugar bem rápido fora do campo de visão deles para se esconder. Me lembra os filmes do Jason, nos quais não importa o quanto a vítima corra, ele sempre consegue alcançar. Incomoda! Principalmente em ambientes mais apertados, onde eu acabava indo de cara na parede ou em algum objeto no desespero para fugir.
Mas o pior é um monstro que aparece em dois momentos do jogo e simplesmente dá hit kill à la Alien: Isolation. E esses momentos não são assustadores como no jogo do Alien, são só um saco! Parece que não importa passar desapercebido ou distraí-lo jogando uma garrafa ou tijolo para mantê-lo afastado. A impressão é de que ele foi programado para estar sempre por perto em alerta total e bem veloz; é uma IA meio imprevisível. Achei isso muito escroto, mesmo que exista um item (limitado) que dê a possibilidade de o personagem reviver.
Enfim, como disse, são situações incomodas, mas maleáveis. Apesar de uma ou outra parte chata, eu gostei do conjunto da obra: é um jogo bonito (não é incrível), divertido, com cenários legais, ambientação bacana e os puzzles tem criatividade e são desafiadores no ponto certo em grande parte (só não gosto de um ou outro meio sádico demais). Inclusive, gostei do roteiro, que fala sobre um desastre em uma plataforma de petróleo que matou centenas de pessoas do pequeno vilarejo onde tudo acontece, e como isso afetou a vida dos envolvidos que a gente controla e a trama deles se entrelaça. Apesar das metáforas e simbologias características da série (não pesquei tudo), não é difícil de entender o conflito principal. Faltou só os personagens serem um pouco mais cativantes. De qualquer forma, é eficiente.
Ao todo são 6 capítulos, e diria que até o 5º merecia uma nota 8. Porém, eu não estava preparado para o desastre que é o 6º e último capítulo. Só para recapitular, as piores coisas nesse jogo para mim são: monstro de IA confusa que dá hit kill, segmentos de stealth no breu com vários inimigos e alguns puzzles sádicos. Que tal tudo isso condensado num só capítulo? O puzzle final (que basicamente ocupa de 50% a 60% do capítulo) parece que foi desenvolvido nas paredes intestinais do criador. É a coisa mais longa (tem dezenas de etapas), sádica e mal projetada que eu já tive que resolver, ao mesmo tempo que precisa fazer backtracking constante no escuro em ambientes apertados, enquanto o monstro que dá hit kill está à solta acompanhado de vários outros inimigos que vez ou outra te agarram pelo caminho. Por sorte, existe uma sala onde a gente pode se trancar com um telefone de save (para salvar a gente disca 100) e a existência do YouTube, porque senão eu não daria conta de desenrolar o enigma. A única coisa boa desse capítulo é que ele finaliza com a única batalha de chefe do jogo todo (que é até legalzinha).
Portanto, devido a esse segmento final T-E-R-R-Í-V-E-L, eu terminei o jogo desgastado e com uma última impressão que deixou um amargor. Mas não vou ser injusto, porque de resto gostei (com certas ressalvas). Achei melhor que o Silent Hill f, porém um pouquinho inferior ao 2 Remake (principalmente pelo elenco e inimigos mais memoráveis), mas recomendaria para quem curte survival horror e Silent Hill pegar.
Edit: A Konami consertou através de um patch as partes insuportáveis do jogo, que eram as partes do inimigo que dá kit kill e o puzzle final. Então aumentei a nota de 7 pra 8, que era o que o jogo merecia até a chegada do último capítulo.
NOTA 8
10 - Obra-prima | 9 - Imperdível | 8 - Vale a pena | 7 - Dá pro gasto | 6 - Passável | 5 - Cilada |
Raridade, daqueles que redefinem um gênero ou tem excelência em todos os quesitos. | Experiência surpreendente, que até tem deslizes, mas que pouco afetam. | Conjunto memorável e de qualidade satisfatória, mesmo com certos pontos a refinar / melhorar. | Competente e digno do tempo investido, mas tem problemas notáveis ou falta algo mais. | Da pra levar dependendo do gênero, mas não empolga muito e tem opções bem melhores. | Pura mediocridade. Não vale nem curtindo o gênero. |
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