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Lo-Fi

maquinarama

Bam-bam-bam
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O que vcs acham dessa nova estética musical?

Primeiro ponto: o que é música lo-fi? O termo vem do inglês low fidelity, ou seja, baixa fidelidade. Quando um artista não tem grana para bancar grandes produções e acaba fazendo tudo no seu home studio, ele fica, geralmente, limitado à qualidade da gravação. Muitas vezes, recorre a truques que deixam a obra mais interessante, como o uso de gravadores de fita cassete, instrumentos musicais "de brinquedo", por vezes até meio desafinados (como se fossem tocados de vitrolas antigas e descalibradas) e geradores de efeitos, chiados e simuladores de agulha de toca-discos. O termo foi popularizado nos anos 1980 pelo DJ William Berger, que tocava só músicas caseiras das antigas em seu programa na rádio.

A música lo-fi tem essa característica da leveza e da simplicidade, e por ser, em grande parte, livre de vocais, tem sido muito buscada para auxiliar a manter o foco em casa, durante o trabalho em home-office, ou mesmo para relaxar enquanto se lê um livro ou espera o sono chegar. E apesar do estilo lo-fi hip hop estar super em alta, ele não tem a agressividade, a percussividade intensa e os subgraves do hip hop tradicional, mantendo o ritmo mais lento com os chamados "beats de lo-fi". Aliás, o lo-fi hip hop, quando não tem absolutamente nenhuma parte cantada, é o que deixa o estilo ainda mais suave e relaxante. Muitas vezes, encontramos samples de monólogos ou diálogos extraídos filmes, animes ou noticiários no meio da música.

á poucos anos, mais ou menos a partir de 2015, esse estilo começou a surgir e, recentemente, começou a emergir com bastante força uma movimentação em busca de canais e playlists de música lo-fi, seja hip hop ou não. A data tem tudo a ver com a pandemia e a quarentena do novo coronavírus: a galera está indo na contramão das superproduções para procurar algo intimista, simples, tranquilo, mas que tenha um profundo efeito no poder de concentração dessas pessoas.

Essas produções têm duas premissas principais: simplicidade, principalmente no orçamento do artista, com estética de baixa fidelidade que apresenta até chiados (propositalmente incluídos); e batidas eletrônicas, em loop ou gravadas de modo simplista. Com a popularização do estilo, muitos artistas estão lapidando as quinas do hip hop e trazendo uma nuance mais lounge, passando pelo vaporwave, por vezes até com frases e trechos de jazz e bossa nova (sejam sampleados ou autorais).

Música de millennial?
Quem conhece de música sabe que o termo "lo-fi" não é nada novo e pode ser aplicado a exatamente qualquer produção musical que utilize técnicas de gravação bem simples, com a fidelidade lá embaixo. A diferença do lo-fi hip hop e suas variações é que são produções muito recentes, muitas vezes compostas ou criadas por artistas iniciantes, que têm como objetivo relaxar e melhorar o poder de concentração do ouvinte.


Alguns artistas de lo-fi utilizam simplesmente um computador, algumas vezes plugado a um controlador, para criar músicas e até álbuns inteiros: tudo eletronicamente. Com a ajuda de tecnologia, esses criadores conseguem tanto usar loops (que são trechos pré-gravados e que, usados em softwares dedicados, podem se repetir ad infinitum) de bateria, de frases melódicas ou mesmo harmônicos.



Um controlador (esse tecladinho branco), um computador, uma placa de áudio, monitores de referência e voilá: temos um home studio! (Foto: Luciana Zaramela/Arquivo pessoal)
É, sim, um estilo que ficou famoso entre os millennials mesmo antes da pandemia, talvez porque eles já levam uma vida agitada demais com suas idas e vindas do trabalho e a constante movimentação de ideias, faculdade, pós-graduações, trânsito, reuniões, mercado de trabalho, redes sociais, agito social e toda uma miríade de fatores que deixam essa galera sempre ligada.

No entanto, o fator coronavírus fez a busca por métodos que acalmam, aliviam a ansiedade e trazem mais poder de foco aumentar: o lo-fi hip hop — ou apenas a música lo-fi, de maneira mais abrangente — já está chegando aos ouvidos de outras gerações.


A magia do experimental
A essa altura, você deve estar pensando: "Pronto, encontraram uma oportunidade de fazer dinheiro na pandemia!". Na verdade, sim e não: a música lo-fi existe faz tempo e é apreciada pelo público que gosta de novidades, de conceitos experimentais e tem a cabeça aberta para aceitar a inclusão de novos instrumentos, harmonias e até objetos que nada têm a ver com música, mas acabam se tornando musicais nessas criações.

Conversando com um amigo músico das antigas sobre o lo-fi, chegamos à conclusão de que o estilo inspira e te deixa inspirar: por ter uma estética quadradinha e introspectiva, aceita várias nuances "viajandonas", por vezes até bucólicas, distantes, que te levam a refletir e enxergar a vida de outra forma. É melhor ouvir com fones, mas tudo bem se você quiser preencher o ambiente com um som calmo, tranquilo e reflexivo. Muitos artistas colocam instrumentos étnicos, batidas psicodélicas, efeitos de sintetizador, instrumentos clássicos ou, simplesmente, instrumentos improvisados como cadeiras e latas. É a fuga total do mainstream.

De modo geral, os criadores desse tipo de conteúdo são independentes e não costumam fazer música para ficarem famosos. Eles querem divulgar seu trabalho para te deixar numa boa, antes de tudo. Tanto é que fica a pergunta: fala o nome de um artista famosão de lo-fi aí agora! Conhece algum? Pois é...


Dentre os canais (ou rádios, ou playlists) mais famosos de lo-fi estão o ChilledCow (mais de 5 milhões de inscritos), o Nickolaas (34 mil inscritos), o College Music (1 milhão de inscritos) e o Chillhop Music (2,7 milhões de inscritos), todos com a premissa de serem bastante relaxantes, aconchegantes e sempre dispostos a liberar a mente daqueles que precisam se concentrar, esquecer dos problemas ou simplesmente trabalhar sem se dispersar. Eles trazem coletâneas de vários artistas que, muitas vezes, fazem música por mero hobby.



YouTube, Soundcloud, Spotify... o lo-fi é onipresente
Os grandes canais de lo-fi hip hop já marcam presença em várias plataformas online, mas é no YouTube que a coisa se concentra. Por lá, você encontra não só os canais oficiais dos principais nomes da "cena" lo-fi atual, como também dá de cara com rádios, playlists, novos artistas e lives de conteúdo para relaxar enquanto trabalha ou procura aliviar sua tensão no meio da pandemia.

Aliás, o curioso do lo-fi hip hop é esse estilo de reprodução em lives e rádios: a galera não busca por um artista, não busca por um álbum. Esses canais acabam se tornando agregadores de conteúdo e o artista envia suas músicas. Se ela for tocada lá, ótimo! O artista passa a ter o mínimo de reconhecimento.


O Soundcloud é um berço de artistas independentes e você encontra muito conteúdo novo para mergulhar em descobertas do gênero. Ali, a coisa fica ainda mais solta — e os artistas, ainda mais anônimos.

Já nas plataformas de streaming de música, como Spotify, Deezer, Apple Music, Google Play Music, Tidal, enfim: você também pode encontrar música lo-fi tanto de artistas independentes quanto em agregadores famosos em praticamente qualquer lugar. Basta buscar por lo-fi hip hop ou entrar com um dos nomes mais famosos que mencionamos acima.

Exemplo de Playlist Lo-Fi

 


maquinarama

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Eu creio que essa estética veio salvar a música.

Ela possibilita que a garotada escute grandes sucessos antigos que eles não escutariam de outra forma de jeito nenhum
 

firulero

Ei mãe, 500 pontos!
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É extremamente fácil de produzir, basta um ou dois plugins em cima da track finalizada e pronto, seu lo-fi tá lá.


Não escuto muito, mas já passei da idade de criticar os outros por causa da música que eles ouvem.
 
Ultima Edição:

Standak

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Olha, eu conhecia esse termo, mas eu entendia, e lia sobre, como uma característica da produção musical, não como um gênero. Pode ser que lo fi hip hop seja um gênero, eu não conhecia, mas tipo isso aqui seria o que entendo como música lo fi:
 

Tyrael_

Bam-bam-bam
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É um estilo antigo, escuto desde 2006~, na época os caras usavam o vinil pra "samplear" alguma parte de alguma música da década de 70-80 e montavam algo em cima daquilo. Sempre achei bastante interessante e agradável de ouvir, justamente porque eram samples obscuras demais, então dificilmente você identificava a música, mas que tinham uma harmonia muito curiosa e interessante. A coisa foi mudando demais ao ponto que tu consegues pegar uma música qualquer, deixar mais lenta e botar uns efeitos em cima, sem alterar tanto a original (visto que essa chega a ser passível de reconhecer). É um estilo musical bem 8/80, ao meu ver. Eu ainda escuto, mas não com tanta frequência. Apesar disso, levo no meu coração, porque foi o que pavimentou meu caminho pra curtir coisas como jazz e música clássica.
 


Jolteon

Evolução elétrica do Eevee
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Black Keyes é muito bom. Pra mim é a melhor banda usando Lo-Fi na atualidade. Tame Impala é o c***lho, banda chata do cacete.
 
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