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Quando o "conservador" é o pior dos pós-modernos

Ivo Maropo

Bam-bam-bam
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É incrível como a Outer Space é atrasada em praticamente tudo o que ela "pensa". Por exemplo? A "santa, ingênua, holística e sábia Natureza", que a OS heroicamente defende com unhas e dentes, não existe. Uma constatação disso? Que tal o fato de que cerca de 20% de todas as gestações sofre aborto espontâneo até a 22° semana de gestação? E agora, o que nós fazemos com tamanha "mãe desnaturada" (a própria "Mãe Natureza")? Nós a processamos? A linchamos em plena luz do dia? E, sim, em muitos casos, a gestante não fumava, não usava drogas ilícitas e nem bebia.

Portanto, em cerca de 1/5 dos casos, uma porcentagem altíssima, a "Mãe Natureza" vai lá e, contrastando com o seu beato status ideológico atual, de forma "totalmente ausente de empatia", joga fora o feto da gestante sem qualquer consideração que seja, quase como se estivesse apenas se livrando de um indesejável corpo estranho invasor (e, sim, para a "normal" fisiologia do corpo, o feto é, sim, uma espécie de corpo estranho invasor, daí as inúmeras reações fisiológicas adversas para a gestante).

Mas o que mais me chama a atenção é que a imagem que a OS faz do aborto legalizado é muito semelhante àquela que ela faz da legalização do casamento gay: é a imagem mais dantesca, surreal e patética possível. É como se liberar o casamento gay, para a Outer Space, transformasse a sociedade moderna capitalista numa verdadeira Sodoma e Gomorra ao ar livre (não, ele não transforma). A moderna vida civilizada continuaria simplesmente seguindo normalmente, quase que indiferente ao acontecido. O mesmo vale para o aborto legalizado (e, porque não também, para a legalização da maconha).

A (sempre dantesca) imagem de mulheres praticando abortos desvairadamente, sem qualquer critério ou controle, como uma simples medida contraceptiva, é uma obscena fantasia conservadora. As taxas de aborto, em países que proíbem a prática e onde eles são legalizados, são praticamente as mesmas.

O aborto também seria limitado a um certo número de semanas gestacionais. Não é uma simples "festa abortista". Muito longe disso. É aqui onde entra a famosa e obscena histeria conservadora. E o mesmo vale para a legalização do casamento gay. A nossa sociedade continuaria intacta. Não haveria Sodoma, e nem tampouco Gomorra. Não haveria "a vinda do anticristo", e nem tampouco "o retorno de Cristo". Uma vez tranquilizada a dantesca histeria coletiva conservadora (para não dizer reacionária), tudo retorna à sua pacífica e ordeira normalidade.

Sem falar que esta imensa preocupação constante e heroica, a de se proteger a "pureza sábia e santa da Natureza", é uma operação tipicamente pós-moderna. Ela vem junto com a perversão obscena, cínica, niilista e hedonista. Um bom pós-moderno só consegue manter a sua vida regada a prazeres mundanos, cínicos e "esclarecidos" se ele imaginar sempre que há uma absoluta ingenuidade alheia em algum lugar; uma pressuposta ingenuidade cuja santidade ele precisa sempre demonstrar querer proteger, haja o que houver.

Neste caso, a santíssima ingenuidade alheia, que precisa a todo custo ser protegida, é a da própria "Mãe Natureza" (aquela mesmo, do indiferente aborto espontâneo), uma fictícia entidade ideológica quase que paradigmática do nosso tempo. Portanto, sim, a "benevolente preocupação moral e conservadora" da OS já é fake por definição. Um exemplar empírico disto? Que tal a cusparada que Renan Bolsonaro deu na própria mãe recentemente e que decidiu postar na web? Um obsceno ato degenerado e pós-moderno para qualquer conservador autêntico que se preze!

Mas como a Outer Space não se conhece bem o suficiente (e por isso mesmo não pode saber aquilo que está fazendo), aqui estamos nós para (tentar) lançar alguma luz esclarecedora à sua (pós-moderna) confusão generalizada. ;)
 
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DarkShade

The claw of patience
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Não é algo que possa gerar um debate quando passa a generalizar uma linha de pensamento, colocando o preconceito com gays no mesmo parâmetro de ser averso ao aborto e ainda o limitando ao conservadorismo, é uma mistura de ideias que não tem ligação de uma com a outra.

Primeiro, é um erro querer julgar preferências políticas sobre valores, nem sempre uma pessoa de direita conservadora é preconceituosa e nem sempre essa mesma pessoa pode ou não ter a mesma visão sobre o aborto, isso vale também para o outro lado, várias vezes e em vários exemplos de pessoas e lideres de esquerda que são preconceituosos, afinal não é de se espantar o tratamento que gays tem em Cuba, China e vários outros locais desse regime.

Aqui não vejo você tendo disposição a debater o assunto e sim apenas apontar o dedo a outros sobre o pensamento que tem.
 
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-=|R.R.|=-

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Nunca escondi a minha atual ideologia e em quem votei (tá na minha assinatura pra todo mundo ver).

Quanto ao aborto? Não sou contra a legalização não! Legalização, que não é o mesmo que liberação. E mesmo quando não é legalizado, os abortos são feitos do mesmo jeito. Entendo quem é contra, de verdade. Dá um debate legal.

Quanto a ser contra casamento gay, aí não tem defesa mesmo. Sério, não tenho paciência pra fiscais de c* alheios. Deixa os gays serem felizes, se amarem, se casarem...

e digo mais, hoje até sou a favor de adoção por casais gays (antes eu não era), lógico com acompanhamento e tudo mais. Problema nenhum, melhor do que deixar a criança num orfanato.
 

DanielMF

Bam-bam-bam
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Praticamente toda crítica contra o casamento gay eu concordarei. Mas tem um abismo de diferença para o aborto.

Do ponto de vista estatístico, não acho que dá para cravar que as taxas de se manteriam as mesmas no Brasil. Somos um país especialmente precário na cultura social do jovem na atualidade. Eu diria que no Brasil nas condições atuais, no que abrirmos brecha para piorar, vai piorar.

Do ponto de vista espiritual, não acho que se possa invalidar a crença das pessoas ao apontar o fato do aborto espontâneo. É até fácil para os religiosos argumentarem nesse ponto, dirão que quando é espontâneo, é porque Deus por algum motivo permitiu que acontecesse. Mas quando você escolhe abortar, está indo contra a vontade de Deus que permitiu essa gravidez, independentemente se Deus fosse permitir o nascimento ou não.

Não que eu concorde com a visão religiosa, eu particularmente não atribuo sentido em tudo o que acontece, mas acredito que é preciso respeitar quem pense dessa forma.
 

-=|R.R.|=-

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Do ponto de vista estatístico, não acho que dá para cravar que as taxas de se manteriam as mesmas no Brasil. Somos um país especialmente precário na cultura social do jovem na atualidade. Eu diria que no Brasil nas condições atuais, no que abrirmos brecha para piorar, vai piorar.
mesmo assim não impede que as mulheres ainda abortem aqui no Brasil. Vão lá pagam e fazem o aborto. Eu conheço exemplos.

E ainda há casos de aborto feito de maneira mambembe com risco altíssimo de dar m****.
 

Ero_Seenin

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argumento horroroso, me desculpe.

basicamente "acontece na natureza, então f**a-se, vamos fazer a mesma coisa".

Todo o objetivo do desenvolvimento médico nos últimos séculos tem sido para PREVENIR, o que acontece na natureza: criança morrendo por parasitas, pessoas morrendo por traumas, por doenças de todo tipo, por patologias auto imunes, e mais uma caralhada de imperfeições "naturais".

Aborto acontecer de forma natural, não muda em absolutamente nada a discussão sobre se ele é ético ou não.

E isso não é coisa que você deveria limitar a "conservadores", é um problema que vai além disso. Vou elaborar outro post sobre o assunto depois.
 


sebastiao coelho neto

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O texto já começa muito, mas muito ruim, comparando algo espontâneo a algo premeditado, escolhido.

Mas o pior é que para defender de algo o OP simplesmente se esquece do ponto principal, o direito do feto a vida. Não sei qual o ambiente e as pessoas que você, Ivo, se relaciona mas eu não conheço ninguém que critique o aborto pra "defender a sociedade tradicional". Todos que o fazem ou é pensando na criança que não pode escolher ou até mesmo na escolha do pai, pois ainda não há gravidez por brotamento.

Então, se a defesa do OP ao aborto é porque isso não vai destruir a sociedade, concordo. O problema é que não há praticamente ninguém que use SOMENTE este argumento. É como aquele cara que defende o fim da obrigatoriedade do cinto porque amarrota o paletó sem nem citar a principal função dele, salvar vidas.
 

DanielMF

Bam-bam-bam
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mesmo assim não impede que as mulheres ainda abortem aqui no Brasil. Vão lá pagam e fazem o aborto. Eu conheço exemplos.

E ainda há casos de aborto feito de maneira mambembe com risco altíssimo de dar m****.
Esse argumento dos abortos clandestinos até me balança um pouco nesse tema. Apesar de eu me manter contra, não tenho dogmas.

Mas acho que existem outras frentes para lidar com esse problema, e imagino que ele não sumiria mesmo com a liberação do aborto legalizado. O jovem pode procurar os meios clandestinos por diversos motivos...
 

-=|R.R.|=-

Moderador
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Mas o pior é que para defender de algo o OP simplesmente se esquece do ponto principal, o direito do feto a vida. Não sei qual o ambiente e as pessoas que você, Ivo, se relaciona mas eu não conheço ninguém que critique o aborto pra "defender a sociedade tradicional". Todos que o fazem ou é pensando na criança que não pode escolher ou até mesmo na escolha do pai, pois ainda não há gravidez por brotamento.
este é um argumento que realmente me faz repensar!


Alguém poderia me dizer que nos casos comprovados de estupro há algum direito a aborto de forma legal?
 

edikaoz

Bam-bam-bam
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Nunca vi tamanha besteria em forma de tópico!!!

Começa com diversas falácias, como a de falsa correlação. Na cabeça do sujeito, ser "conservador" é equivalente a ser homofóbico!!! Sério??? E vai além: o sujeito confunde conservadorismo com falso moralismo!!! Lamentável...

E a cereja no bolo fecal: comparar uma ação natural (o aborto espontâneo) a uma decisão tomada em pleno juízo (o aborto por conveniência). Sinceramente, não há o que comentar de forma mais séria... Tenho asco de gente que pensa estar falando com propriedade, quando está é demonstrando arrogância e falta de capacidade.
 

Dark Goomba

Bam-bam-bam
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Nunca vi tamanha besteria em forma de tópico!!!

Começa com diversas falácias, como a de falsa correlação. Na cabeça do sujeito, ser "conservador" é equivalente a ser homofóbico!!! Sério??? E vai além: o sujeito confunde conservadorismo com falso moralismo!!! Lamentável...

E a cereja no bolo fecal: comparar uma ação natural (o aborto espontâneo) a uma decisão tomada em pleno juízo (o aborto por conveniência). Sinceramente, não há o que comentar de forma mais séria... Tenho asco de gente que pensa estar falando com propriedade, quando está é demonstrando arrogância e falta de capacidade.
Perfeito.

Neste tópico o Op está praticamente afirmando que 2+2 são 7.

Não faz o menor sentido.

Nem deveríamos estar comentando em uma atrocidade sem lógica dessas. Fui...
 

Ero_Seenin

Spaaaaaace Geek
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Em toda a briga que esse assunto causa, eu vejo um padrão bem evidentes: quem é favor da liberação do aborto tem uma dificuldade enorme em aceitar a linha de pensamento de quem é contra, porque parte de pressupostos diferentes que são incompatíveis.

O que quero dizer com isso?

alguns pontos que se baiseam as pessoas que são contra aborto, isso não se aplica só a conversadores:

Ponto 1- ponto principal:

Quem é contra aborto considera o feto uma pessoa, um ser humano, não um tecido orgânico apenas, ou um orgão, ou coisa do tipo. Esse é o ponto primordial de onde parte toda a discordância.

Normalmente o pró aborto vai dizer que isso é um absurdo, vemos o tempo todo o termo "amontoado de células" sendo usado. Bem, TODA forma de vida é um amontoado de células. O problema aqui está em assumir que é possível estabelecer um ponto "X" a partir do qual aquela forma de vida vira de fato uma pessoa. Aí se usa todo de tipo de argumento, como "o feto não tem consciência ainda", ou "não consegue sobreviver sozinho ainda", ou "não tem complexidade suficiente".

Todos esses pontos assumem que é cientificamente possível apontar para um ponto X da gestação e dizer algo do tipo "antes disso é só tecido orgânico, depois disso é uma pessoa".

Mas como? Qual critério se usa pra isso? Se o critério for nível de complexidade, seja ele qual for, então uma pessoa é mais "humana" porque tem um corpo mais complexo que outra? Um recém nascido também é extremamente limitado, com funções cognitivas bastantes primitivas, e totalmente dependente. Ele é menos "humano" que uma criança de 10 anos por isso? A criança que também tem muitas limitações comparada a uma pessoa adulta jovem também é menos "completa" por isso? Um idoso que está com o corpo e inteligência decaindo por alguma doença, passa a ser menos "humano" por isso também? Ou que tal uma pessoa com síndrome de down, ou outro tipo de deficiência intelctual? Menos humano por isso também?

Percebem o problema aqui? O feto está em um estágio de vida e complexidade diferente de uma criança obviamente. Mas ainda assim, é essencialmente uma forma de vida, de origem humana. Quem pode apontar o dedo e dizer que vale menos e pode ser descartado por isso?

O problema não é "quando começa a vida", porque biologicamente falando, até o óvulo não fecundado ainda é uma forma de vida; mas sim "quando uma forma de vida se torna uma PESSOA", e não existe resposta científica pra isso, porque é um problema mais de caráter filosófico. Ciência descreve estágios da vida humana, mas nao bate o martelo para dizer o que faz uma pessoa ser uma pessoa de fato.

Ponto 2: liberdade individual deve ser aplicada a todas as pessoas

Quem é contra aborto não nega a liberdade da mulher em lidar com seu próprio corpo. O problema é que como já dito no item 1 aqui, eles não veem o feto como algo que pertence ao corpo da mulher, que seja propriedade dela, mas sim como uma pessoa. Se você quiser convencer uma pessoa de aborto deveria ser legalizado, não adianta usar esse tipo de argumento sem antes tentar convencer o mesmo de que ele está errado em pensar que o feto seja uma pessoa. Aponte seus argumentos de porque acha que o feto não pode ser considerado uma pessoa, se pula essa parte da questão e vai direto para questões de liberdade indivual, nunca vai conseguir convencer alguém que é contra aborto de forma alguma, porque pra ele isso vai soar literalmente como eugenia.

"elimine uma pessoa indesejável antes que este vire um estorvo pra sociedade".

Se você não conseguir convencer a pessoa de que o feto NÂO pode ser considerado uma pessoa, é exatamente isso que seu argumentos pró aborto irão parecer.

Ponto 3: se não existe unanimidade sobre um assunto que diz respeito a direitos humanos básicos, HAVERÁ conflito ideológico, e cada grupo vai tentar fazer a lei estar dentro de sua visão de mundo.

Um argumento muito usado por quem é a favor do aborto, e para taxar quem é contra de anti-liberal; segue essa linha:
"não existe consenso sobre quando começa a vida humana, se você não concorda com aborto não o faça, mas não interfira no meu direito de fazer".

OK, e qual é o problema disso? Vou usar uma analogia para demonstrar.

Séculos atrás, durante o período de escravidão nas américas; a escravidão não apenas era usada como forma de sustentar um modelo econômico; mas também era culturalmente aceita e justificada, sobre alguns pressupostos completamente errados, na visão ATUAL do mundo, mas não na visão daquela época. Pressupostos como "Africanos são biologicamente menos humanos e civilizados", "africanos vivem em sociedades primitivas", e coisas do tipo. Muitos escravagistas realmente assumim que tinham o direito de ter escravos como propriedade, desde que tratassem eles "justamente", inclusivem pensavam que ao tirar eles de sociedade tribais, estariam fazendo um favor.

Quando abolicionistas tentavam mostrar o quanto essa visão de mundo era injusta, um argumento que ouviam era justamente o mesmo que os pró aborto usam hoje: "não há consenso sobre escravidão ser correto, se você acha que está errado, não tenha escravos; mas não interfira no meu direito de ter".

Agora pense por um momento, se você fosse transportado para essa época, e ao tentar falar contra a escravidão, por saber em toda sua convicção que aquilo está completamente errado e precisa mudar, ao ouvir esse argumento, iria balançar a cabeça e apena dizer "tudo bem, você tem razão, não vou ter escravos, mas também não vou interferir nos seus negócios, tenha um bom dia".

Se uma pessoa enxerga algo que ela vê como irremediavelmente errado, ela VAI falar contra aquilo, e pintar um verniz de liberdade individual para fazer parecer que ela não tem o direito de dizer o que pensa, ou de taxa-la de mente "fechada" ou qualquer coisa do tipo, não muda em nada a situação. Quem é contra aborto não aceita pela mesma razão que ninguém hoje aceitaria escravidão; é algo que fere os seus princípios básicos; e se você também não ficaria quieto em um ambiente onde a escravidão é culturamente aceita; deveria entender isso. Não precisa concordar com o "conservador", mas entender que porque ele tem uma visão difernete da sua desse assunto; isso não o torna um cabeça fechada, ingênuo, ou seja lá o que pensa.
 
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DanielMF

Bam-bam-bam
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Em toda a briga que esse assunto causa, eu vejo um padrão bem evidentes: quem é favor da liberação do aborto tem uma dificuldade enorme em aceitar a linha de pensamento de quem é contra, porque parte de pressupostos diferentes que são incompatíveis.

O que quero dizer com isso?

alguns pontos que se baiseam as pessoas que são contra aborto, isso não se aplica só a conversadores:

Ponto 1- ponto principal:

Quem é contra aborto considera o feto uma pessoa, um ser humano, não um tecido orgânico apenas, ou um orgão, ou coisa do tipo. Esse é o ponto primordial de onde parte toda a discordância.

Normalmente o pró aborto vai dizer que isso é um absurdo, vemos o tempo todo o termo "amontoado de células" sendo usado. Bem, TODA forma de vida é um amontoado de células. O problema aqui está em assumir que é possível estabelecer um ponto "X" a partir do qual aquela forma de vida vira de fato uma pessoa. Aí se usa todo de tipo de argumento, como "o feto não tem consciência ainda", ou "não consegue sobreviver sozinho ainda", ou "não tem complexidade suficiente".

Todos esses pontos assumem que é cientificamente possível apontar para um ponto X da gestação e dizer algo do tipo "antes disso é só tecido orgânico, depois disso é uma pessoa".

Mas como? Qual critério se usa pra isso? Se o critério for nível de complexidade, seja ele qual for, então uma pessoa é mais "humana" porque tem um corpo mais complexo que outra? Um recém nascido também é extremamente limitado, com funções cognitivas bastantes primitivas, e totalmente dependente. Ele é menos "humano" que uma criança de 10 anos por isso? A criança que também tem muitas limitações comparada a uma pessoa adulta jovem também é menos "completa" por isso? Um idoso que está com o corpo e inteligência decaindo por alguma doença, passa a ser menos "humano" por isso também? Ou que tal uma pessoa com síndrome de down, ou outro tipo de deficiência intelctual? Menos humano por isso também?

Percebem o problema aqui? O feto está em um estágio de vida e complexidade diferente de uma criança obviamente. Mas ainda assim, é essencialmente uma forma de vida, de origem humana. Quem pode apontar o dedo e dizer que vale menos e pode ser descartado por isso?

O problema não é "quando começa a vida", porque biologicamente falando, até o óvulo não fecundado ainda é uma forma de vida; mas sim "quando uma forma de vida se torna uma PESSOA", e não existe resposta científica pra isso, porque é um problema mais de caráter filosófico. Ciência descreve estágios da vida humana, mas nao bate o martelo para dizer o que faz uma pessoa ser uma pessoa de fato.

Ponto 2: liberdade individual deve ser aplicada a todas as pessoas

Quem é contra aborto não nega a liberdade da mulher em lidar com seu próprio corpo. O problema é que como já dito no item 1 aqui, eles não veem o feto como algo que pertence ao corpo da mulher, que seja propriedade dela, mas sim como uma pessoa. Se você quiser convencer uma pessoa de aborto deveria ser legalizado, não adianta usar esse tipo de argumento sem antes tentar convencer o mesmo de que ele está errado em pensar que o feto seja uma pessoa. Aponte seus argumentos de porque acha que o feto não pode ser considerado uma pessoa, se pula essa parte da questão e vai direto para questões de liberdade indivual, nunca vai conseguir convencer alguém que é contra aborto de forma alguma, porque pra ele isso vai soar literalmente como eugenia.

"elimine uma pessoa indesejável antes que este vire um estorvo pra sociedade".

Se você não conseguir convencer a pessoa de que o feto NÂO pode ser considerado uma pessoa, é exatamente isso que seu argumentos pró aborto irão parecer.

Ponto 3: se não existe unanimidade sobre um assunto que diz respeito a direitos humanos básicos, HAVERÁ conflito ideológico, e cada grupo vai tentar fazer a lei estar dentro de sua visão de mundo.

Um argumento muito usado por quem é a favor do aborto, e para taxar quem é contra de anti-liberal; segue essa linha:
"não existe consenso sobre quando começa a vida humana, se você não concorda com aborto não o faça, mas não interfira no meu direito de fazer".

OK, e qual é o problema disso? Vou usar uma analogia para demonstrar.

Séculos atrás, durante o período de escravidão nas américas; a escravidão não apenas era usada como forma de sustentar um modelo econômico; mas também era culturalmente aceita e justificada, sobre alguns pressupostos completamente errados, na visão ATUAL do mundo, mas não na visão daquela época. Pressupostos como "Africanos são biologicamente menos humanos e civilizados", "africanos vivem em sociedades primitivas", e coisas do tipo. Muitos escravagistas realmente assumim que tinham o direito de ter escravos como propriedade, desde que tratassem eles "justamente", inclusivem pensavam que ao tirar eles de sociedade tribais, estariam fazendo um favor.

Quando abolicionistas tentavam mostrar o quanto essa visão de mundo era injusta, um argumento que ouviam era justamente o mesmo que os pró aborto usam hoje: "não há consenso sobre escravidão ser correto, se você acha que está errado, não tenha escravos; mas não interfira no meu direito de ter".

Agora pense por um momento, se você fosse transportado para essa época, e ao tentar falar contra a escravidão, por saber em toda sua convicção que aquilo está completamente errado e precisa mudar, ao ouvir esse argumento, iria balançar a cabeça e apena dizer "tudo bem, você tem razão, não vou ter escravos, mas também não vou interferir nos seus negócios, tenha um bom dia".

Se uma pessoa enxerga algo que ela vê como irremediavelmente errado, ela VAI falar contra aquilo, e pintar um verniz de liberdade individual para fazer parecer que ela não tem o direito de dizer o que pensa, ou de taxa-la de mente "fechada" ou qualquer coisa do tipo, não muda em nada a situação. Quem é contra aborto não aceita pela mesma razão que ninguém hoje aceitaria escravidão; é algo que fere os seus princípios básicos; e se você também não ficaria quieto em um ambiente onde a escravidão é culturamente aceita; deveria entender isso. Não precisa concordar com o "conservador", mas entender que porque ele tem uma visão difernete da sua desse assunto; isso não o torna um cabeça fechada, ingênuo, ou seja lá o que pensa.
Perfeito..., parabéns.

Eu não sou um conservador, mas sou um cético. Do ponto de vista biológico, sem a resposta de quando o feto pode ser considerado uma pessoa, a consequência natural do ceticismo será uma posição contrária ao aborto.

E essa resposta realmente não existe, quem ousar responder estará apenas arbitrando.
 

DanielMF

Bam-bam-bam
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Alguém poderia me dizer que nos casos comprovados de estupro há algum direito a aborto de forma legal?
Na minha opinião, casos assim transcendem o campo das dúvidas sobre a legitimidade de se fazer um aborto.

Temos um fato concreto com enormes implicações humanitárias, que é o estupro como causa da gravidez. Então é completamente razoável a legalização nesse e em outros casos, conforme já é previsto pela lei brasileira.

Como ninguém sabe a verdade, então é preciso ter bom-senso nos casos extremos.
 

Ivo Maropo

Bam-bam-bam
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Sobre o "direito do feto à vida", este é um debate há muito já superado (sim, no primeiro mundo ele sequer mais existe). Mas não é sair abortando fetos a torto e a direito. Esta nunca foi a ideia. Em lugar algum. Há regras rígidas para a prática legal do aborto. Quem acha que a ideia é que ele seja uma medida contraceptiva comum, está redondamente enganado.

Mas, adentrando um tema mais problemático, a vida humana é gerada estúpida e sem sentido, tal qual a vida animal também o é, e somente depois ela se torna "santa"; isto é, adquire uma "inalienável dignidade humana" (mas uma "santidade" que ainda pode tornar-se irrelevante com os caminhos da vida, como no caso do suicídio).

É um paradoxo que, penso eu, a Outer Space não está preparada para admitir. É uma ética que ousa confrontar os terríveis paradoxos da existência humana, que é diferente da simplesmente animal. Como eu já falei, a própria "Mãe Natureza" não tem pudor algum de provocar um aborto espontâneo, indiferente a qualquer desejo da gestante e a seu estilo de vida.

É claro que não estamos falando de feto propriamente, mas as mulheres tomam a "pílula do dia seguinte" com enorme naturalidade. Homens constantemente usam preservativos, artificialmente evitando a concepção natural, também com enorme naturalidade. Nós já normalmente agimos em desconsideração à "divina e inviolável concepção natural".

Sem falar que os abortos clandestinos, que continuam sendo feitos em países (como o Brasil) onde o aborto é proibido (salvo em casos de estupro), são terríveis. As chances de morte são consideráveis. Antes fossem feitos de maneira legalizada, técnica e controlada.
 

-=|R.R.|=-

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Na minha opinião, casos assim transcendem o campo das dúvidas sobre a legitimidade de se fazer um aborto.

Temos um fato concreto com enormes implicações humanitárias, que é o estupro como causa da gravidez. Então é completamente razoável a legalização nesse e em outros casos, conforme já é previsto pela lei brasileira.

:kjoinha



Sem falar que os abortos clandestinos, que continuam sendo feitos em países (como o Brasil) onde o aborto é proibido (salvo em casos de estupro), são terríveis. As chances de morte são consideráveis. Antes fossem feitos de maneira legalizada e controlada.
nisso eu concordo. Se bem que clínicas particulares, até onde eu sei, também fazem por debaixo dos panos. Legalizando ou não, abortos continuarão acontecendo assim como as pessoas continuam tendo acesso a drogas e outras coisas ilegais.
 

Abdullah Al-Papai

Bam-bam-bam
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Mas, adentrando um tema mais problemático, a vida humana é gerada estúpida e sem sentido, tal qual a vida animal também o é, e somente depois ela se torna "santa"; isto é, adquire uma "inalienável dignidade humana" (mas uma "santidade" que ainda pode tornar-se irrelevante com os caminhos da vida, como no caso do suicídio).

É um paradoxo que, penso eu, a Outer Space não está preparada para admitir. É uma ética que ousa confrontar os terríveis paradoxos da existência humana, que é diferente da simplesmente animal. Como eu já falei, a própria "Mãe Natureza" não tem pudor algum de provocar um aborto espontâneo, indiferente a qualquer desejo da gestante e a seu estilo de vida.
Às vezes o indivíduo está louco no existencialismo
 

doutordoom

Ei mãe, 500 pontos!
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Um dos piores posts que eu li na história desse fórum.

Horrendo.

Correlações absurdas.

Generalização.

Lamentável. E eu sempre gostei do User, mas a defesa do aborto pra mim é uma covardia sem limites. É o suprassumo do que existe de pior no ser humano.

Em toda a briga que esse assunto causa, eu vejo um padrão bem evidentes: quem é favor da liberação do aborto tem uma dificuldade enorme em aceitar a linha de pensamento de quem é contra, porque parte de pressupostos diferentes que são incompatíveis.

O que quero dizer com isso?

alguns pontos que se baiseam as pessoas que são contra aborto, isso não se aplica só a conversadores:

Ponto 1- ponto principal:

Quem é contra aborto considera o feto uma pessoa, um ser humano, não um tecido orgânico apenas, ou um orgão, ou coisa do tipo. Esse é o ponto primordial de onde parte toda a discordância.

Normalmente o pró aborto vai dizer que isso é um absurdo, vemos o tempo todo o termo "amontoado de células" sendo usado. Bem, TODA forma de vida é um amontoado de células. O problema aqui está em assumir que é possível estabelecer um ponto "X" a partir do qual aquela forma de vida vira de fato uma pessoa. Aí se usa todo de tipo de argumento, como "o feto não tem consciência ainda", ou "não consegue sobreviver sozinho ainda", ou "não tem complexidade suficiente".

Todos esses pontos assumem que é cientificamente possível apontar para um ponto X da gestação e dizer algo do tipo "antes disso é só tecido orgânico, depois disso é uma pessoa".

Mas como? Qual critério se usa pra isso? Se o critério for nível de complexidade, seja ele qual for, então uma pessoa é mais "humana" porque tem um corpo mais complexo que outra? Um recém nascido também é extremamente limitado, com funções cognitivas bastantes primitivas, e totalmente dependente. Ele é menos "humano" que uma criança de 10 anos por isso? A criança que também tem muitas limitações comparada a uma pessoa adulta jovem também é menos "completa" por isso? Um idoso que está com o corpo e inteligência decaindo por alguma doença, passa a ser menos "humano" por isso também? Ou que tal uma pessoa com síndrome de down, ou outro tipo de deficiência intelctual? Menos humano por isso também?

Percebem o problema aqui? O feto está em um estágio de vida e complexidade diferente de uma criança obviamente. Mas ainda assim, é essencialmente uma forma de vida, de origem humana. Quem pode apontar o dedo e dizer que vale menos e pode ser descartado por isso?

O problema não é "quando começa a vida", porque biologicamente falando, até o óvulo não fecundado ainda é uma forma de vida; mas sim "quando uma forma de vida se torna uma PESSOA", e não existe resposta científica pra isso, porque é um problema mais de caráter filosófico. Ciência descreve estágios da vida humana, mas nao bate o martelo para dizer o que faz uma pessoa ser uma pessoa de fato.

Ponto 2: liberdade individual deve ser aplicada a todas as pessoas

Quem é contra aborto não nega a liberdade da mulher em lidar com seu próprio corpo. O problema é que como já dito no item 1 aqui, eles não veem o feto como algo que pertence ao corpo da mulher, que seja propriedade dela, mas sim como uma pessoa. Se você quiser convencer uma pessoa de aborto deveria ser legalizado, não adianta usar esse tipo de argumento sem antes tentar convencer o mesmo de que ele está errado em pensar que o feto seja uma pessoa. Aponte seus argumentos de porque acha que o feto não pode ser considerado uma pessoa, se pula essa parte da questão e vai direto para questões de liberdade indivual, nunca vai conseguir convencer alguém que é contra aborto de forma alguma, porque pra ele isso vai soar literalmente como eugenia.

"elimine uma pessoa indesejável antes que este vire um estorvo pra sociedade".

Se você não conseguir convencer a pessoa de que o feto NÂO pode ser considerado uma pessoa, é exatamente isso que seu argumentos pró aborto irão parecer.

Ponto 3: se não existe unanimidade sobre um assunto que diz respeito a direitos humanos básicos, HAVERÁ conflito ideológico, e cada grupo vai tentar fazer a lei estar dentro de sua visão de mundo.

Um argumento muito usado por quem é a favor do aborto, e para taxar quem é contra de anti-liberal; segue essa linha:
"não existe consenso sobre quando começa a vida humana, se você não concorda com aborto não o faça, mas não interfira no meu direito de fazer".

OK, e qual é o problema disso? Vou usar uma analogia para demonstrar.

Séculos atrás, durante o período de escravidão nas américas; a escravidão não apenas era usada como forma de sustentar um modelo econômico; mas também era culturalmente aceita e justificada, sobre alguns pressupostos completamente errados, na visão ATUAL do mundo, mas não na visão daquela época. Pressupostos como "Africanos são biologicamente menos humanos e civilizados", "africanos vivem em sociedades primitivas", e coisas do tipo. Muitos escravagistas realmente assumim que tinham o direito de ter escravos como propriedade, desde que tratassem eles "justamente", inclusivem pensavam que ao tirar eles de sociedade tribais, estariam fazendo um favor.

Quando abolicionistas tentavam mostrar o quanto essa visão de mundo era injusta, um argumento que ouviam era justamente o mesmo que os pró aborto usam hoje: "não há consenso sobre escravidão ser correto, se você acha que está errado, não tenha escravos; mas não interfira no meu direito de ter".

Agora pense por um momento, se você fosse transportado para essa época, e ao tentar falar contra a escravidão, por saber em toda sua convicção que aquilo está completamente errado e precisa mudar, ao ouvir esse argumento, iria balançar a cabeça e apena dizer "tudo bem, você tem razão, não vou ter escravos, mas também não vou interferir nos seus negócios, tenha um bom dia".

Se uma pessoa enxerga algo que ela vê como irremediavelmente errado, ela VAI falar contra aquilo, e pintar um verniz de liberdade individual para fazer parecer que ela não tem o direito de dizer o que pensa, ou de taxa-la de mente "fechada" ou qualquer coisa do tipo, não muda em nada a situação. Quem é contra aborto não aceita pela mesma razão que ninguém hoje aceitaria escravidão; é algo que fere os seus princípios básicos; e se você também não ficaria quieto em um ambiente onde a escravidão é culturamente aceita; deveria entender isso. Não precisa concordar com o "conservador", mas entender que porque ele tem uma visão difernete da sua desse assunto; isso não o torna um cabeça fechada, ingênuo, ou seja lá o que pensa.

Mas pelo menos o tópico levou a isso.

Meus parabéns Mestre Ero_Sennin. Poucas vezes na vida li um texto tão bem elaborado e elucidativo sobre a questão.


Ainda que exista toda essa indefinição sobre onde começa a vida, o simples fato de existir a possibilidade de matar covardemente um inocente em prol de uma "liberdade" individual já seria o suficiente para ser contra essa abominação. Fora isso, até onde eu sei não existe nenhuma visão cientifica sobre a vida começar antes da fecundação. Logo, comparações de métodos contraceptivos e aborto são totalmente inapropriados.

Países como EUA permitem abortos até 24 e 28 semanas de gestação. Fico pensando se uma pessoa que é a favor do aborto já viu ou leu sobre fetos nesse estágio. Ou mesmo se a pessoa já foi pai ou mãe acompanhando a evolução do bebê nesse início.


Enfim, fora alguns casos específicos como o risco a saúde da mãe e problemas no feto, eu vejo o aborto como uma ação abominável e covarde. Indefensável. Lamentável. Enojante. Talvez seja o único debate que eu não tenha nenhuma disposição de fazer com ninguém com opinião contrária a minha. Eu acho simplesmente inaceitável e não consigo sequer sustentar um diálogo com um defensor disso. Postei no tópico só pra elogiar o post do Ero_Sennin.
 

Ryu-san

Bam-bam-bam
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Em toda a briga que esse assunto causa, eu vejo um padrão bem evidentes: quem é favor da liberação do aborto tem uma dificuldade enorme em aceitar a linha de pensamento de quem é contra, porque parte de pressupostos diferentes que são incompatíveis.

O que quero dizer com isso?

alguns pontos que se baiseam as pessoas que são contra aborto, isso não se aplica só a conversadores:

Ponto 1- ponto principal:

Quem é contra aborto considera o feto uma pessoa, um ser humano, não um tecido orgânico apenas, ou um orgão, ou coisa do tipo. Esse é o ponto primordial de onde parte toda a discordância.

Normalmente o pró aborto vai dizer que isso é um absurdo, vemos o tempo todo o termo "amontoado de células" sendo usado. Bem, TODA forma de vida é um amontoado de células. O problema aqui está em assumir que é possível estabelecer um ponto "X" a partir do qual aquela forma de vida vira de fato uma pessoa. Aí se usa todo de tipo de argumento, como "o feto não tem consciência ainda", ou "não consegue sobreviver sozinho ainda", ou "não tem complexidade suficiente".

Todos esses pontos assumem que é cientificamente possível apontar para um ponto X da gestação e dizer algo do tipo "antes disso é só tecido orgânico, depois disso é uma pessoa".

Mas como? Qual critério se usa pra isso? Se o critério for nível de complexidade, seja ele qual for, então uma pessoa é mais "humana" porque tem um corpo mais complexo que outra? Um recém nascido também é extremamente limitado, com funções cognitivas bastantes primitivas, e totalmente dependente. Ele é menos "humano" que uma criança de 10 anos por isso? A criança que também tem muitas limitações comparada a uma pessoa adulta jovem também é menos "completa" por isso? Um idoso que está com o corpo e inteligência decaindo por alguma doença, passa a ser menos "humano" por isso também? Ou que tal uma pessoa com síndrome de down, ou outro tipo de deficiência intelctual? Menos humano por isso também?

Percebem o problema aqui? O feto está em um estágio de vida e complexidade diferente de uma criança obviamente. Mas ainda assim, é essencialmente uma forma de vida, de origem humana. Quem pode apontar o dedo e dizer que vale menos e pode ser descartado por isso?

O problema não é "quando começa a vida", porque biologicamente falando, até o óvulo não fecundado ainda é uma forma de vida; mas sim "quando uma forma de vida se torna uma PESSOA", e não existe resposta científica pra isso, porque é um problema mais de caráter filosófico. Ciência descreve estágios da vida humana, mas nao bate o martelo para dizer o que faz uma pessoa ser uma pessoa de fato.

Ponto 2: liberdade individual deve ser aplicada a todas as pessoas

Quem é contra aborto não nega a liberdade da mulher em lidar com seu próprio corpo. O problema é que como já dito no item 1 aqui, eles não veem o feto como algo que pertence ao corpo da mulher, que seja propriedade dela, mas sim como uma pessoa. Se você quiser convencer uma pessoa de aborto deveria ser legalizado, não adianta usar esse tipo de argumento sem antes tentar convencer o mesmo de que ele está errado em pensar que o feto seja uma pessoa. Aponte seus argumentos de porque acha que o feto não pode ser considerado uma pessoa, se pula essa parte da questão e vai direto para questões de liberdade indivual, nunca vai conseguir convencer alguém que é contra aborto de forma alguma, porque pra ele isso vai soar literalmente como eugenia.

"elimine uma pessoa indesejável antes que este vire um estorvo pra sociedade".

Se você não conseguir convencer a pessoa de que o feto NÂO pode ser considerado uma pessoa, é exatamente isso que seu argumentos pró aborto irão parecer.

Ponto 3: se não existe unanimidade sobre um assunto que diz respeito a direitos humanos básicos, HAVERÁ conflito ideológico, e cada grupo vai tentar fazer a lei estar dentro de sua visão de mundo.

Um argumento muito usado por quem é a favor do aborto, e para taxar quem é contra de anti-liberal; segue essa linha:
"não existe consenso sobre quando começa a vida humana, se você não concorda com aborto não o faça, mas não interfira no meu direito de fazer".

OK, e qual é o problema disso? Vou usar uma analogia para demonstrar.

Séculos atrás, durante o período de escravidão nas américas; a escravidão não apenas era usada como forma de sustentar um modelo econômico; mas também era culturalmente aceita e justificada, sobre alguns pressupostos completamente errados, na visão ATUAL do mundo, mas não na visão daquela época. Pressupostos como "Africanos são biologicamente menos humanos e civilizados", "africanos vivem em sociedades primitivas", e coisas do tipo. Muitos escravagistas realmente assumim que tinham o direito de ter escravos como propriedade, desde que tratassem eles "justamente", inclusivem pensavam que ao tirar eles de sociedade tribais, estariam fazendo um favor.

Quando abolicionistas tentavam mostrar o quanto essa visão de mundo era injusta, um argumento que ouviam era justamente o mesmo que os pró aborto usam hoje: "não há consenso sobre escravidão ser correto, se você acha que está errado, não tenha escravos; mas não interfira no meu direito de ter".

Agora pense por um momento, se você fosse transportado para essa época, e ao tentar falar contra a escravidão, por saber em toda sua convicção que aquilo está completamente errado e precisa mudar, ao ouvir esse argumento, iria balançar a cabeça e apena dizer "tudo bem, você tem razão, não vou ter escravos, mas também não vou interferir nos seus negócios, tenha um bom dia".

Se uma pessoa enxerga algo que ela vê como irremediavelmente errado, ela VAI falar contra aquilo, e pintar um verniz de liberdade individual para fazer parecer que ela não tem o direito de dizer o que pensa, ou de taxa-la de mente "fechada" ou qualquer coisa do tipo, não muda em nada a situação. Quem é contra aborto não aceita pela mesma razão que ninguém hoje aceitaria escravidão; é algo que fere os seus princípios básicos; e se você também não ficaria quieto em um ambiente onde a escravidão é culturamente aceita; deveria entender isso. Não precisa concordar com o "conservador", mas entender que porque ele tem uma visão difernete da sua desse assunto; isso não o torna um cabeça fechada, ingênuo, ou seja lá o que pensa.
Excelente post.

Só acrescentaria que, no primeiro parágrafo, o inverso também é verdade. Como aborto envolve duas vidas - a mãe e o filho -, ambos os lados são muito inflexíveis nas suas convicções.

Queria deixar claro também que, apesar de ter curtido o post inicial do Ivo, discordo na parte da generalização.

Esse é um ponto que sempre critico em alguns posts que generalizam a esquerda, então também não acho correto generalizar o posicionamento conservador.
 

Ryu-san

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É um paradoxo que, penso eu, a Outer Space não está preparada para admitir. É uma ética que ousa confrontar os terríveis paradoxos da existência humana, que é diferente da simplesmente animal. Como eu já falei, a própria "Mãe Natureza" não tem pudor algum de provocar um aborto espontâneo, indiferente a qualquer desejo da gestante e a seu estilo de vida.

É claro que não estamos falando de feto propriamente, mas as mulheres tomam a "pílula do dia seguinte" com enorme naturalidade. Homens constantemente usam preservativos, artificialmente evitando a concepção natural, também com enorme naturalidade. Nós já normalmente agimos em desconsideração à "divina e inviolável concepção natural".
Ótimo ponto, nunca havia parado para pensar por esse lado.
 

shinnn

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A defesa da legalização do aborto é toda baseada em dados falsos, a arte de mentir com estatísticas.

Pq não tem como defender. É eugenia pura e simples. Só mentindo para convencer as pessoas de defender isso.

 

Ivo Maropo

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Ótimo ponto, nunca havia parado para pensar por esse lado.
Pois é. Há uma enorme torrente de hipocrisia envolvida. Enorme mesmo. As mulheres que sofrem aborto espontâneo (numa alta média de 1:5 na gravidez detectada, e até mesmo de 1:3 na não-detectada) sofrem bastante preconceito. São estigmatizadas. Muitas vezes enfrentam tudo sozinhas.

É um tabu falar das malévolas arbitrariedades da "Mãe Natureza"; falar de um aborto espontâneo sem justificável causa aparente. Obviamente que a culpa não é das mães, mas o tabu diz demais. É como se as pessoas soubessem que não devem falar a respeito; que "é melhor não".

Há uma razão para que quase todos os países de primeiro mundo tenham legalizado, ainda que com algumas restrições, a prática do aborto. Mas a Outer Space sabe mais do que o consenso destes países. É uma maravilha.
 

Darkx1

Ei mãe, 500 pontos!
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Um dos piores posts que eu li na história desse fórum.

Horrendo.

Correlações absurdas.

Generalização.

Lamentável. E eu sempre gostei do User, mas a defesa do aborto pra mim é uma covardia sem limites. É o suprassumo do que existe de pior no ser humano.
Eu acho que o tópico poderia ter rendido mais, se ele escolhesse um assunto... menos polêmico.


Mas já que eu to aqui, dar um pitaco sobre o tema...

Fora os casos permitidos já na lei, não deveria existir mudanças na lei na minha opinião.

O que inclusive eu acho que o Brasil deveria ter era uma educação sexual pra menores de qualidade, isso nenhum dos dois lados pregam. E quando pregam escolhem a pior maneira de abordar o tema.

Brasil pra variar discute muito mal o tema.

Inclusive porque é um tema que inclusive tem casos de crianças que sofreram consequências de abortos mal sucedidos.


Tem um monte de casos na mídia, mas esse tipo de coisa é bem perturbadora(e triste) de se procurar além.

Inclusive tem gente que aponta que tanta batida nessa tecla tem haver com outra coisa.

https://medium.com/@giuliamallmann22/ margaret-sanger-o-aborto-e-o-car%C3%A1ter-racista-e-eugenista-do-feminismo-13163fd0df66

Até porque um dos argumentos seria de que a pessoa "não teria condições de criar a criança", "ambiente em que ela vai viver" ou coisas assim.

Não é a toa, Reino Unido apresentou esses dados aqui no ano passado. Nojento, por sinal...
 

Ivo Maropo

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Excelente post.

Só acrescentaria que, no primeiro parágrafo, o inverso também é verdade. Como aborto envolve duas vidas - a mãe e o filho -, ambos os lados são muito inflexíveis nas suas convicções.

Queria deixar claro também que, apesar de ter curtido o post inicial do Ivo, discordo na parte da generalização.

Esse é um ponto que sempre critico em alguns posts que generalizam a esquerda, então também não acho correto generalizar o posicionamento conservador.
Só para esclarecer que eu não estou generalizando os conservadores com o meu primeiro post.

Há conservadores honestos, sagazes e de grande respeitabilidade. Eu já falei isso em diversos posts meus por aqui. Diversos. A questão é que eu coloquei "conservador" assim, entre aspas mesmo. São os falsos-conservadores.

São os piores pós-modernos cínicos se passando por conservadores (como boa parte dos bolsonaristas e também trumpistas). Só para deixar bem claro.
 

Ryu-san

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Eu vou falar os motivos que me levam a ser, levemente, inclinado a favor da legalização do aborto, apesar de ser um ponto em aberto para mim, então não teria o menor problema em mudar de opinião.

Primeiro motivo: o direito da mulher em escolher não ser mãe em casos em que não foi por completa irresponsabilidade.

O que quero dizer com isso: em casos onde, por exemplo, o anticoncepcional não fez efeito; a camisinha estourou; sofreu violência sexual, etc.

Além disso, em casos em que o filho era inicialmente planejado, mas por algum motivo de substancial seriedade, ela opta por não querer mais ser mãe. Por exemplo, descobriu uma doença, ocorreu uma separação, problemas psicológicos, perda de emprego, etc.

Segundo motivo: legalizado ou não, acontecem abortos.

Esse é autoexplicativo. Os abortos já ocorrem. Se fosse legalizado, esse procedimento se tornaria mais seguro e poderia ser alvo de campanhas médicas e sociais alertando para a seriedade de ter um filho, da importância da prevenção e do peso de abortar uma criança.

Acredito que, em um cenário assim, as taxas de abortos diminuiriam, ao invés de aumentar.

Terceiro motivo: o nascimento de uma criança indesejada poderia trazer mais dor e sofrimento do que o aborto do mesmo.

Um dos maiores argumentos de quem é a favor do aborto é de que precisa-se proteger e defender a vida. Eu entendo, porém, para mim, defender e proteger a vida não se resume a querer que o feto nasça. O nascimento de uma criança indesejada pode implicar em uma série de problemas e sofrimentos para a criança, para a mãe, para a família e para todas as pessoas em volta. A cadeia de "consequências" que esse tipo de ato pode gerar é imensa, culminando inclusive no sofrimento e na dor de diversas pessoas, e não só de uma. Abortando, esta dor é pontual - e toda a cadeia de dor e sofrimento é interrompida.

Quarto motivo: a maioria das pessoas que defendem o nascimento dessa criança o abandonam de imediato no primeiro sinal de desvio.

Para explicar esse ponto, vou repetir o que já disse em outro tópico:

A grande maioria das pessoas que são contra o aborto são de direita. A direita também é conhecida por ser extremamente "rígida" nas punições penais. Não é incomum ver comentários pesados, chegando a desejar a morte, mesmo para crimes pequenos (inclusive para menores de idade). Ao mesmo tempo, a direita também é conhecida por ser contra ações sociais, programas sociais e políticas sociais.

Ou seja, a direita é a favor da vida somente enquanto está na barriga da mãe, a partir desse momento, ela não se preocupa mais. Se a criança nasce indesejada e não tem perspectiva de vida, o problema é dela, visto que quem desejou que ela nascesse não se preocupa em oferecer programas e ações que promovam seu desenvolvimento e o pior, se furtar uma bala, é capaz de afirmarem que deveria ser linchada.

Portanto, é extremamente fácil se preocupar com a vida de alguém quando é um feto carregado pela mãe. O difícil é se preocupar em dar assistência para essa criança quando crescer, através de programas e polícias sociais. Nesse sentido, volto ao ponto anterior: parece que a preocupação com a vida se restringe unicamente ao nascimento do feto. Depois disso, a vida em si, em sua total concepção - a criança crescida - perde sua "divindade" e se torna descartável.

Enfim, esses são os motivos que me fazem ser inclinado a favor da legalização do aborto, mas entendo toda a seriedade que envolve o tema e também o peso de tratar de outras vidas.
 

Dathilot

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Ser humano detém agência, intelecto e moralidade. Não há como se comparar um fenômeno natural acidental com um ato intencional.
 

Dathilot

Bam-bam-bam
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É incrível como a Outer Space é atrasada em praticamente tudo o que ela "pensa". Por exemplo? A "santa, ingênua, holística e sábia Natureza", que a OS heroicamente defende com unhas e dentes, não existe. Uma constatação disso? Que tal o fato de que cerca de 20% de todas as gestações sofre aborto espontâneo até a 22° semana de gestação? E agora, o que nós fazemos com tamanha "mãe desnaturada" (a própria "Mãe Natureza")? Nós a processamos? A linchamos em plena luz do dia? E, sim, em muitos casos, a gestante não fumava, não usava drogas ilícitas e nem bebia.

Portanto, em cerca de 1/5 dos casos, uma porcentagem altíssima, a "Mãe Natureza" vai lá e, contrastando com o seu beato status ideológico atual, de forma "totalmente ausente de empatia", joga fora o feto da gestante sem qualquer consideração que seja, quase como se estivesse apenas se livrando de um indesejável corpo estranho invasor (e, sim, para a "normal" fisiologia do corpo, o feto é, sim, uma espécie de corpo estranho invasor, daí as inúmeras reações fisiológicas adversas para a gestante).

Mas o que mais me chama a atenção é que a imagem que a OS faz do aborto legalizado é muito semelhante àquela que ela faz da legalização do casamento gay: é a imagem mais dantesca, surreal e patética possível. É como se liberar o casamento gay, para a Outer Space, transformasse a sociedade moderna capitalista numa verdadeira Sodoma e Gomorra ao ar livre (não, ele não transforma). A moderna vida civilizada continuaria simplesmente seguindo normalmente, quase que indiferente ao acontecido. O mesmo vale para o aborto legalizado (e, porque não também, para a legalização da maconha).

A (sempre dantesca) imagem de mulheres praticando abortos desvairadamente, sem qualquer critério ou controle, como uma simples medida contraceptiva, é uma obscena fantasia conservadora. As taxas de aborto, em países que proíbem a prática e onde eles são legalizados, são praticamente as mesmas.

O aborto também seria limitado a um certo número de semanas gestacionais. Não é uma simples "festa abortista". Muito longe disso. É aqui onde entra a famosa e obscena histeria conservadora. E o mesmo vale para a legalização do casamento gay. A nossa sociedade continuaria intacta. Não haveria Sodoma, e nem tampouco Gomorra. Não haveria "a vinda do anticristo", e nem tampouco "o retorno de Cristo". Uma vez tranquilizada a dantesca histeria coletiva conservadora (para não dizer reacionária), tudo retorna à sua pacífica e ordeira normalidade.

Sem falar que esta imensa preocupação constante e heroica, a de se proteger a "pureza sábia e santa da Natureza", é uma operação tipicamente pós-moderna. Ela vem junto com a perversão obscena, cínica, niilista e hedonista. Um bom pós-moderno só consegue manter a sua vida regada a prazeres mundanos, cínicos e "esclarecidos" se ele imaginar sempre que há uma absoluta ingenuidade alheia em algum lugar; uma pressuposta ingenuidade cuja santidade ele precisa sempre demonstrar querer proteger, haja o que houver.

Neste caso, a santíssima ingenuidade alheia, que precisa a todo custo ser protegida, é a da própria "Mãe Natureza" (aquela mesmo, do indiferente aborto espontâneo), uma fictícia entidade ideológica quase que paradigmática do nosso tempo. Portanto, sim, a "benevolente preocupação moral e conservadora" da OS já é fake por definição. Um exemplar empírico disto? Que tal a cusparada que Renan Bolsonaro deu na própria mãe recentemente e que decidiu postar na web? Um obsceno ato degenerado e pós-moderno para qualquer conservador autêntico que se preze!

Mas como a Outer Space não se conhece bem o suficiente (e por isso mesmo não pode saber aquilo que está fazendo), aqui estamos nós para (tentar) lançar alguma luz esclarecedora à sua (pós-moderna) confusão generalizada. ;)
Ninguém tem que financiar com imposto o aborto dos outros. O que o estado mata usando do trabalho do "contribuinte" já é absurdo.
 

Ivo Maropo

Bam-bam-bam
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Eu vou falar os motivos que me levam a ser, levemente, inclinado a favor da legalização do aborto, apesar de ser um ponto em aberto para mim, então não teria o menor problema em mudar de opinião.

Primeiro motivo: o direito da mulher em escolher não ser mãe em casos em que não foi por completa irresponsabilidade.

O que quero dizer com isso: em casos onde, por exemplo, o anticoncepcional não fez efeito; a camisinha estourou; sofreu violência sexual, etc.

Além disso, em casos em que o filho era inicialmente planejado, mas por algum motivo de substancial seriedade, ela opta por não querer mais ser mãe. Por exemplo, descobriu uma doença, ocorreu uma separação, problemas psicológicos, perda de emprego, etc.

Segundo motivo: legalizado ou não, acontecem abortos.

Esse é autoexplicativo. Os abortos já ocorrem. Se fosse legalizado, esse procedimento se tornaria mais seguro e poderia ser alvo de campanhas médicas e sociais alertando para a seriedade de ter um filho, da importância da prevenção e do peso de abortar uma criança.

Acredito que, em um cenário assim, as taxas de abortos diminuiriam, ao invés de aumentar.

Terceiro motivo: o nascimento de uma criança indesejada poderia trazer mais dor e sofrimento do que o aborto do mesmo.

Um dos maiores argumentos de quem é a favor do aborto é de que precisa-se proteger e defender a vida. Eu entendo, porém, para mim, defender e proteger a vida não se resume a querer que o feto nasça. O nascimento de uma criança indesejada pode implicar em uma série de problemas e sofrimentos para a criança, para a mãe, para a família e para todas as pessoas em volta. A cadeia de "consequências" que esse tipo de ato pode gerar é imensa, culminando inclusive no sofrimento e na dor de diversas pessoas, e não só de uma. Abortando, esta dor é pontual - e toda a cadeia de dor e sofrimento é interrompida.

Quarto motivo: a maioria das pessoas que defendem o nascimento dessa criança o abandonam de imediato no primeiro sinal de desvio.

Para explicar esse ponto, vou repetir o que já disse em outro tópico:

A grande maioria das pessoas que são contra o aborto são de direita. A direita também é conhecida por ser extremamente "rígida" nas punições penais. Não é incomum ver comentários pesados, chegando a desejar a morte, mesmo para crimes pequenos (inclusive para menores de idade). Ao mesmo tempo, a direita também é conhecida por ser contra ações sociais, programas sociais e políticas sociais.

Ou seja, a direita é a favor da vida somente enquanto está na barriga da mãe, a partir desse momento, ela não se preocupa mais. Se a criança nasce indesejada e não tem perspectiva de vida, o problema é dela, visto que quem desejou que ela nascesse não se preocupa em oferecer programas e ações que promovam seu desenvolvimento e o pior, se furtar uma bala, é capaz de afirmarem que deveria ser linchada.

Portanto, é extremamente fácil se preocupar com a vida de alguém quando é um feto carregado pela mãe. O difícil é se preocupar em dar assistência para essa criança quando crescer, através de programas e polícias sociais. Nesse sentido, volto ao ponto anterior: parece que a preocupação com a vida se restringe unicamente ao nascimento do feto. Depois disso, a vida em si, em sua total concepção - a criança crescida - perde sua "divindade" e se torna descartável.

Enfim, esses são os motivos que me fazem ser inclinado a favor da legalização do aborto, mas entendo toda a seriedade que envolve o tema e também o peso de tratar de outras vidas.
Um post muito bom, sensato e correto. Pena não vermos mais deles por aqui. Seria uma pequena revolução. O seu comentário pontua bem uma série de problemas que um direitista tem com o aborto.

De fato, a sua extrema preocupação com a vida somente quando ela se encontra na barriga da mãe já nos demonstra tudo o que nós precisamos saber. Isto não passa de uma superstição covarde e hipócrita.

Um esquerdista minimamente consciente reconhece o tamanho do problema e ousa tomar uma posição, que é (obviamente) a do aborto. Muitos direitistas não têm problema algum, repetindo as suas palavras, em serem absolutamente rígidos e desumanos no aspecto penal.

Se um adolescente for pego furtando uma carteira e o furtado reagir matando o adolescente, não tenha dúvida que eles comemoram a morte do garoto sem problema algum. Inclusive, este tipo de coisa é totalmente banal por aqui.

Um feto que sequer se desenvolveu tem que ser preservado de tudo e de todos, mas uma criança propriamente dita, com sentimentos e plena consciência de si na sociedade, esta, sim, pode sofrer à vontade. Tá tudo errado. É uma distorção bizarra. Um escândalo moral.

O direitista (falo aqui do caricato, estilo Outer Space) acha que o esquerdista "distorce a realidade", quando na verdade ele (o esquerdista) já está lá na frente, já tendo confrontado questões prementes que o direitista peremptoriamente nega-se a confrontar e pelas quais paga com hipocrisias flagrantes e superstições fakes (como as que você já expôs no seu post).
 

Dathilot

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Usar de falácia naturalista para defender aborto viabilizaria usar da mesma para defender homicídio. E não é uma questão de aborto ser ou não homicídio, e sim de se estar tolerando a falácia.

Oposição ao aborto não é uma exclusividade da direita ou do conservadorismo. O eleitor de esquerda típico no Brasil também se opõe ao aborto.

Moralidade não é contingente aos fatos.
 

Dathilot

Bam-bam-bam
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Um post muito bom, sensato e correto. Pena não vermos mais deles por aqui. Seria uma pequena revolução. O seu comentário pontua bem uma série de problemas que um direitista tem com o aborto.

De fato, a sua extrema preocupação com a vida somente quando ela se encontra na barriga da mãe já nos demonstra tudo o que nós precisamos saber. Isto não passa de uma superstição covarde e hipócrita.

Um esquerdista minimamente consciente reconhece o tamanho do problema e ousa tomar uma posição, que é (obviamente) a do aborto. Muitos direitistas não têm problema algum, repetindo as suas palavras, em serem absolutamente rígidos e desumanos no aspecto penal.

Se um adolescente for pego furtando uma carteira e o furtado reagir matando o adolescente, não tenha dúvida que eles comemoram a morte do garoto sem problema algum. Inclusive, este tipo de coisa é totalmente banal por aqui.

Um feto que sequer se desenvolveu tem que ser preservado de tudo e de todos, mas uma criança propriamente dita, com sentimentos e plena consciência de si na sociedade, esta, sim, pode sofrer à vontade. Tá tudo errado. É uma distorção bizarra. Um escândalo moral.

O direitista (falo aqui do caricato, estilo Outer Space) acha que o esquerdista "distorce a realidade", quando na verdade ele (o esquerdista) já está lá na frente, já tendo confrontado questões prementes que o direitista peremptoriamente nega-se a confrontar e pelas quais paga com hipocrisias flagrantes e superstições fakes (como as que você já expôs no seu post).
Furto + reação?

Tu sabe ao menos o que significa furto?
 

Goris

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Sobre o "direito do feto à vida", este é um debate há muito já superado (sim, no primeiro mundo ele sequer mais existe).
Ele sequer existe ou você não ouve falar deles? Porque se não me lembro, há grupos na Alemanha contra o aborto, provavelmente na Itália os há.

Se você disser que a mídia já não trata desse assunto, será mais próximo da realidade.


Mas não é sair abortando fetos a torto e a direito. Esta nunca foi a ideia. Em lugar algum. Há regras rígidas para a prática legal do aborto. Quem acha que a ideia é que ele seja uma medida contraceptiva comum, está redondamente enganado.
Seu tópico surgiu por você não querer participar (imagino as razões) do tópico da líder feminista Argentina que lutava pelo aborto e, quando foi legalizado por lá, foi abortar.

Se você leu as respostas (principalmente as que te desagradam) vai ter lido que ela achava o aborto uma causa nobre e sonhava em poder abortar. E, coincidentemente, logo após a liberação, engravidou e foi abortar. Provavelmente iria lacrar depois nas redes sociais, como boa líder feminista que era.

Então, não importa sua opinião de que é assim ou não será assado, as pessoas vão fazer uso de aborto como método contraceptivo.

Elas já usam e vão usar ainda mais.

Também há outro tópico, sobre o aborto no Uruguai, que começou a moda na América Latina.

Começava com montes de dados falsos alardeando que milhares de mulheres poderiam morrer todo ano de complicações de abortos ilegais (33.000, se não me engano) e que, por isso, tinham que liberar em nome das vidas humanas perdidas.

Aí, liberaram o aborto.

5.500 no primeiro ano. Bem longe das 33.000 que pregavam.

Disseram que era medo, porque a lei era recente.

Nos anos seguintes, o número de abortos realizados, legalizados e normalizados, chegou a duplicar, de 5.500 para 10.000 ao ano.

E duas narrativas morreram. De que 33.000 uruguaias faziam aborto ilegal e corriam riscos de vida ou morriam. E de que, liberado, o número não aumentaria, pois as mulheres teriam mais... Consciência por motivos esotéricos.

Ou seja, você teve acesso a todas essas informações. Mais a da argentina que morreu.

E quem acha que a usarão como método contraceptivo normalmente está redondamente enganado??

Cara, não vou pedir para agir como homem que alguma mulher só tópico pode se sentir ofendida. Mas para de defender mentiras.

Mas, adentrando um tema mais problemático, a vida humana é gerada estúpida e sem sentido, tal qual a vida animal também o é, e somente depois ela se torna "santa"; isto é, adquire uma "inalienável dignidade humana" (mas uma "santidade" que ainda pode tornar-se irrelevante com os caminhos da vida, como no caso do suicídio).
A sua vida pode ser estúpida e sem sentido, mas a de outras pessoas não.

Se você, por ter uma vida gerada estúpida e sem sentido, acha que todas as vidas são iguais à sua, só posso afirmar que não.

Existem pessoas com propósito, pessoas boas, pessoas que batalham por um mundo melhor. E até mesmo você adquiriu um propósito, defender o indefensável por motivações ideológicas. Se você conseguiu, todos podem.conaeguir.
 

Goris

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A defesa da legalização do aborto é toda baseada em dados falsos, a arte de mentir com estatísticas.

Pq não tem como defender. É eugenia pura e simples. Só mentindo para convencer as pessoas de defender isso.

Eu citei o caso do Uruguai.
Inventaram um número, depois aumentaram e usaram para defender o aborto. Quando comprovado que era falso, o aborto já estava liberado. E ninguém vai voltar atrás.

É desonestidade "por uma causa nobre".

A mesma questão no Brasil.

Os dados variam de 500 mil a mais de um milhão de abortos ilegais.

Aí, mais ainda. Nos dados, X% são evangélicas, Y% católicas, Z% conservadoras... Mostrando a hipocrisia desses grupos.

O problema é, qual a fonte desses dados?

Risos.

Consegue imaginar uma mulher numa antessala de aborto ilegal, a enfermeira vindo com uma prancheta e "Olá, pode me informar sua religião? Sua classe social? Ah, me passa sua posição política? Precisamos enviar seus dados para a Comissão Nacional de Abortos Clandestinos, da USP, para os esquerdistas terem dados corretos"?

Eu não consigo. Mas defensores do aborto acham super coerente e confiável.

Ou seja: "Tenho que mentir, pois essa causa é tão nobre que precisa de mentiras para ser defendida".
 
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