O que há de Novo?


Experiências Sobrenaturais

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#1
Crio este tópico para que partilhem aqui alguma experiência que tenha sido de cunho transcendental para vocês, ando muito interessado neste tema recentemente após ouvir alguns relatos, então se quiserem partilhar ficarei grato.
 


ffaabbiio

Ei mãe, 500 pontos!
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#3
Quando eu era mais novo, tinha uns sonhos estranhos, de visões do futuro, coisas bobas do dia a dia, não sei se isso pode ser considerado sobrenatural...

Eu sonhava com um momento do dia, poucos segundos e algumas palavras que eu falava ou outra pessoa falava, aconteceu várias e várias vezes, tinha dias que eu acordava e lembrava certinho o que ia acontecer e ficava me policiando pra não deixar acontecer, mas não adiantava nada, eu repetia igual e muitas vezes envolvia outras pessoas, outras vezes eu só lembrava do sonho depois que acontecia. Não necessariamente acontecia no mesmo dia do sonho, as vezes demorava dias.

Hoje eu nunca mais tive nada parecido, de tão cansado que fico agora na vida adulta, nem lembro de ter sonhado mais nada.

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Goris

Ei mãe, 500 pontos!
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#4
A Casa Mal-Assombrada do Góris!

Bem, essa é a história, parte dela, sobre a casa em que morei durante toda minha infância e parte da vida adulta e onde hoje mora minha irmã. À princípio não é diferente de nenhuma casa da rua, não tem formato bizarro, nem 100 anos de histórias ou pessoas que tenham morrido lá, então, teoricamente, não deveria haver nenhum problema com a casa. Mas uma série de eventos, acontecidos com meus pais, eu, meu irmão, parentes e amigos me fez pensar por muito tempo que poderia haver algo de errado alí. O engraçado é que um ou outro evento pode parecer cena de filme, não porque tive que copiar de um filme pra dar mais cor, não, mas provavelmente porque todos esses relatos acabam por ter algo em comum, ainda mais quando se baseiam em eventos reais (ou algo assim).

Uma das partes mais difíceis de se contar um relato é decidir quando começar. Com a casa? Com meus pais? Comigo?

Então, vamos começar com meus pais e com a casa.

Meus pais compraram a casa em 1974, era uma rua de terra batida, ladeira, com pouco mais que uma dúzia de casas nessa época. Não havia casa antiga lá e, na verdade, meu pai teve que escavar uns bons metros de terra para aplainar o terreno e colocar ele mais ou menos no nível da rua. Eles contruíram uma casa no fundos do terreno, a famosa meia-água, enquanto construíam a casa maior. Meu pai sempre foi uma pessoa trabalhadora e honesta, tal qual minha mãe, então não arrumava brigas com vizinhos nem nada. Mas tanto a vizinha que morava em frente à nossa casa, quanto a vizinha que morava do lado dela, ambas inimigas e ambas ligadas à centros espíritas (afro), minha mãe suspeitava, gostavam dele.

O fato é que uma das vizinhas disse que a outra tinha feito um trabalho para separar os dois e enterrado na casa (algo que só fiquei sabendo ano passado, conversando com minha mãe) mas minha mãe foi ver a obra e não tinha nenhum sinal de algo enterrado, então achou que era fofoca e acabou caindo no esquecimento.

Quando a casa finalmente ficou pronta, uma simples casa de quatro cômodos, simples mas motivo de muito orgulho para meus pais, eu já tinha meus 3 anos e nos mudamos pra lá. Dizer que hoje, mais de 30 anos depois, eu me lembro de tudo em detalhes não é verdade, ainda mais que tenho até hoje a fama de ser bem esquecido. Mas algumas coisas te marcam tanto (e, principalmente, passei a escrever sobre elas, anos depois) que vc nunca esquece realmente.

Nessa época eu dormia com meus pais e sempre via duendes à noite quando todos dormiam. Eu iria rir se ouvisse isso de outra pessoa, mas como aconteceu comigo...

Minha mãe tinha uma espécie de capelinha com a Aparecida do Norte no quarto e ela iluminava a parte do quarto onde ficava minha cama. Então era fácil ver os duendes entrando no quarto, por debaixo da fresta da porta, indo para uma caixa grande onde ficavam os sapatos e fazendo coisas de duendes. E não sei se eles falaram isso ou se eu apenas “sentia” mas não deveria falar com meus pais sobre eles. E, por algum tempo, eu não falei. E eles sempre repetiam esse dia-a-dia. Era até legal, me sentia reconfortado de alguma forma.

Mas um dia eu contei a meus pais. Obviamente eles não acreditaram. Sem problemas... Até que depois daquela noite eles nunca mais apareceram. No lugar deles, passou a vir uma espécie de bruxa, não uma bruxa como a dos desenhos da Disney, mas a Cuca (do Sítio do Pica-Pau Amarelo LoL), que empurrava a porta devagar e observada para ver se meus pais estavam dormindo. Ela não se importava se eu estivesse acordado, vinha até minha cama e me segurava. Acho que, sendo criança, se ela fosse minha imaginação, fazia o máximo que eu podia imaginar que era me agarrar e segurar. Ou talvez fizesse outras coisas mas que eu não lembro. Como eu disse, isso foi há mais de 30 anos atrás.

Os duendes nunca mais retornaram.

O interessante é que eu sempre sabia as noites que a Cuca viria, pois eu escutava uma pressão tamborilando nos meus ouvidos, que escuto ocasionalmente até hoje, e sabia que aquela noite ia ser horrível. Eu normalmente já sabia e ficava nervoso. Tentava não dormir e, muitas e muitas vezes passei essas noites em claro. Mas muitas vezes não conseguia dormir e, tinha pesadelos (que seguiam sempre a mesma trama, eu entrava no quarto de hóspedes, a Cuca vinha e entrava, trancando a porta por dentro e me agarrando com suas mãos sujas) quando acordava, ela já estava lá, parada do meu lado, no quarto de meus pais, me observando. Desnecessário dizer que eu não conseguia me mover, sabia que estava acordado, mas só os olhos me obedeciam. Anos depois, adolescente, eu teorizei que ela se alimentava do meu medo, jamais saberemos.

Pra piorar, nessa época eu já estava meio grandinho e meus pais queriam uma intimidade, então me passaram do quarto deles para o quarto de hóspedes. Imagina a situação. Iriam me colocar pra dormir no mesmo quarto que eu tinha pesadelos. Eles sempre acharam que minhas reclamações eram só manha para voltar a dormir com eles, então nunca mais voltei para o quarto, ainda mais que pouco tempo depois meu irmão nasceria.

É engraçado eu, adulto, tentar me lembrar das tramas dos pesadelos, que continuavam – enquanto ainda criança – a ser eu estar em casa, meu pai ou minha mãe me chamarem para o quarto de hóspedes e, lá, ser trancado junto com a Cuca. Quando fui ficando mais velho, passei a ficar mais esperto e, quando meus pais me chamavam para o quarto, passei a fugir de casa. E deu certo por algum tempo. Com o tempo, a Cuca vinha atrás de mim ou mandava algum fantasma e eu tinha que correr. Se eu conseguisse fugir dela, normalmente acordava bem e tinha uma noite de sono tranquila depois disso. Mas quando ela me pegava, acordava paralisado, com vez ou outra ela aparecendo e outras vezes apenas paralisado por 5, 10, 15 minutos.

Então, tudo parou. Dos meus cinco/seis anos até os 12/13 nunca mais tive pesadelos como aqueles.

Nesse meio tempo, dois outros fatos mais marcantes aconteceram, entre outros menores:

Um, uma prima minha Edna ou Elisa, de seus 15/16 anos, engravidou de um cara casado. Meu tio, austero, expulsou ela de casa. Lembrando que era o começo dos anos 80 e ter uma filha mãe solteira era um escândalo e vergonha para os pais, um pai expulsar a filha de casa era triste, mas a sociedade de então entendia aquilo como direito dele. E ela veio morar com a gente, no mesmo quarto que eu. Uma noite ela estava na sala, vendo TV quando viu, com o canto dos olhos, alguém saindo do quarto de hóspedes. Não era eu, claro, tinha mais a estatura de meu pai ou minha mãe. Mas não era nenhum dos dois, simplesmente saiu do quarto, passou pelo corredor que ia para a cozinha e, quando ela levantou pra ver quem era, tinha sumido. Ela estava acordada e esse vulto deixou ela incomodada e, ao invés de voltar pro quarto de hóspedes, preferiu voltar pra sala e ficar vendo TV pra não dormir. Mas ela acabou ficando com sono e cochilou. Quando acordou, ela não conseguia se mexer e viu diversos vultos em forma humana, flutuando ao redor dela. Edna lutou o quanto pôde para se mexer e, quando ela conseguiu se levantar, os vultos correram todos para dentro da TV (que nessa hora estava só na estática), ela foi correndo pro quarto, arrastou sua cama pro lado da minha e dormiu agarrada a mim.

Nos dias seguintes, apesar de meus pais terem dado toda a acolhida pra ela, que outros parentes não quiseram/puderam dar, ela acabou indo embora com medo do caso. De repente era só uma justificativa para sair de casa? Quem sabe. Mas eu, lá com meus sete anos, acreditei muito nela e em sua história.

Outra vez, meu pai e minha mãe tiveram uma briga e ele foi dormir no quarto de hóspedes. Acho engraçado que não me lembro desse caso, dele dormindo lá, mas então, ele estava deitado na cama, com raiva, quando percebeu que não podia se levantar. Nervoso com aquilo viu que tinha uma mulher – que não era minha mãe – de pé na entrada do quarto. Ela foi até ele, se deitou com ele e ele paralisado. Quando ele conseguiu se mexer, voltou correndo pro quarto da minha mãe.

O interessante é que, por algum tempo, ele ficou muito sensível ao tema, mas depois de alguns meses passou a dizer que era só imaginação dele.

Ah, tem um terceiro fato, envolvendo minha mãe. Ela tinha uma grande amizade com a cunhada dela, Nilva, que morrera uns poucos anos antes. Nossa família e a família de meus avós (dois tios, avós, primos – inclusive um casal de filhos da Nilva) iríamos todos para Minas Gerais, passando por uma estrada muito perigosa, com muitos acidentes. Como minha mãe sempre fazia, ela acordou lá pras duas da manhã (sairíamos às 5, para chegar ainda cedo lá, pois eram 4 horas de viagem) para fazer bolinhos, café e etc para a viagem. Nisso, ela estava acordada, quando sentiu uma sensação como se alguém a observasse. A sensação foi ficando forte, ela sentiu os pelos do corpo se eriçando e, da cozinha, olhou na direção do quarto de hóspedes. E havia um vulto, uma sombra ali, que veio caminhando em direção a ela. Enquanto vinha, o vulto ia tomando contornos, corpo, braços, pernas, cabeça... Minha mãe instintivamente pensou na Nilva. Ela sentiu com toda a certeza que era ela. Mas quanto mais se aproximava mais medo minha mãe tinha e ela gritou “Nilva, não aparece não. Se for você eu rezo um ave-maria e acendo uma vela” e o vulto sumiu.

No dia seguinte, de manhã bem cedo, saímos. Minha mãe contou a história pra gente, meu pai só ria (apesar de ele não duvidar, ele tbm não acreditava, não sei se vcs entendem) e fomos viajar. Na metade do caminho, meus primos (filhos da Nilva) começaram a brigar e minha prima, Lucia, pediu insistentemente para vir no nosso carro e não no carro de nosso tio com nossos avós. Meu tio insistia para ela ir no carro com eles, mas minha mae tbm brigou pra ela ir junto com a gente, algo bem raro de acontecer (minha mãe sempre preferiu engolir sapos a brigar com os outros, até hoje é assim). Eu e meu irmão íamos no “chiqueirinho” do fusca e começamos uma brincadeira infantil, como a estrada dalí em diante era uma descida íngreme com muitas curvas, ficávamos falando “Sumiu o fusca do tio” e “Apareceu o fusca do tio” a cada curva. Idiota, claro, mas ei, éramos crianças. E uma hora eu falei “Sumiu o fusca do tio”... E ele não apareceu mais. Meu pai pai e mãe logo perceberam que algo estava errado e voltaram.

O carro de meu tio havia saído da estrada, na direção de uma ribanceira enorme, ficando com uma roda de trás no acostamento, uma roda de trás livre na ribanceira e a parte da frente só estava segura porque bateu numa arvore, com apenas a própria árvore servindo para equilibrar o carro e ele não despencar. Foi um momento terrível, com outras pessoas tentando ajudar e aquele medo, se abríssemos a porta, será que o carro desequilibraria e eles cairiam para a morte? Com sorte a a juda de moradores próximos e outros motoristas, puxamos o carro com uma corda e tiramos todos de lá com vida. Machucados (pernas e braços quebrados) mas vivos. A questão é, será que aquele vulto da madrugada teria vindo para avisar minha mãe do que aconteceria? Seria uma coincidência? Será que, se minha mãe não estivesse nervosa ela deixaria de brigar com o irmão e levar minha prima conosco? E, nesse caso, havendo mais uma pessoa no carro, qual a chance de a árvore não aguentar uns míseros 30/40 quilos a mais e ceder ou o peso dela ser o fator de desequilíbrio que levaria todos para uma morte triste?

Por algum tempo depois daquilo, a casa permaneceu tranquila. Éramos um dos poucos familiares que eram tanto legais quanto tinham uma casa mais ou menor grande, então era sempre em nossa casa que primos, tios, avós e parentes vinham quando iam visitar a gente ou outros parentes, então não era incomum alguém dormir no quarto de hóspedes e, vira e mexe alguém comentava algo sobre sonhos com pessoas em forma de vultos entrando no quarto, mas eram sonhos, então... Foi um período tranquilo.

Não, não tranquilo de tudo, como eu disse, a vizinha da frente e a vizinha do lado eram ligadas à macumba e começaram a brigar entre si e sempre tentavam envolver minha mãe nas brigas e ela sempre tentando se manter o mais neutra possível. Certa vez, fui na casa da vizinha do lado com uma foto da família e ela pediu a foto. Criança, fiquei sem jeito de não dar e deixei com ela. Na semana seguinte meu pai sofreu um acidente inexplicável em casa. Quando ele soube que deixei a foto com a vizinha, me fez ir lá na hora buscar. Mas eu fiquei impressionado com a coincidência.

Mas, voltando, foi um período tranquilo, até meus 13/14 anos quando voltei a ter pesadelos. Engraçado que me havia esquecido quase completamente deles, tudo estava tranquilo quando, um dia, voltei a ter um pesadelo em que ficava preso dentro do quarto e algo muito ruim veio do corredor, algo que me assustava muito. Nisso acordei com uma pessoa flutuando sobre mim. Parecia uma índia velha, cabelos trançados e de olhos fechados, mas quando ela “sentiu” que acordei, deu um sorriso assustador, um sorriso cruel que me arrepia até hoje, quase 30 anos depois. Ela então colocou as mãos sobre minhas áxilas e eu tentei mexer, gritar, falar algo e ela ficou só me segurando por lá e sorrindo de forma cruel. Ela então sumiu. Eu tentava me mexer mas por longos minutos experimentava aquela terrível experiência. Quando eu consegui voltar a me mover, levantei da cama. De todos os casos de pesadelos seguidos de paralisia do sono que tive, aquele foi o mais real de minha vida, eu não sinto que estava dormindo e sonhei, mas que estava realmente acordado.

Eu dormia com meu irmão no mesmo quarto e, vira e mexe, ele tbm tinha pesadelos, ficando nós dois acordados o tempo que fosse preciso para não dormirmos. Devia ser mais ou menos 1988/1989 e eu comecei a escrever os sonhos num caderno. Minha memória sempre foi péssima, por isso mesmo, escrever no caderno me ajudava a lembrar. Eu tinha uma noite de pesadelos e escrevia os sonhos com data e tudo. Com os anos – sim, foram anos – descobri que em 90% das vezes que tinha pesadelos eu escutava um som estranho nos ouvidos, como um tambor batendo ao longe e sabia que naquela noite teria pesadelos. Talvez fosse presciência, talvez fosse auto-sugestão, mas raras eram as vezes que escutava aquele tum tum tum e que não tinha pesadelos (mais pra frente comento mais sobre esse tema). Também percebi que eu sonhava e, invariavelmente, quando acordava, eram 3:00 da manhã. Não tínhamos internet naquela época, então não tinha como eu saber se aquele horário tinha algum significado oculto, mas com o tempo, descobri que se eu ficasse acordado até as 03:01, eu podia dormir tranquilo que não teria os pesadelos. Claro, alguns dias não dava certo. Mas no geral, funcionava. O meu “medo” dos pesadelos eram tão grandes que com o tempo eu passei a ir dormir, acordava às duas da manhã automaticamente pra ficar até depois das 3 e, logo depois, voltar a dormir.

E, no meu caderno, sempre colocava os sonhos. Com o tempo, eu sabendo que a Pisadeira (que era o nome que meus pais davam) tentaria me pegar, passava a perceber que era sonho e a sair de casa. No geral, funcionava. Se eu escapasse, acordava normal. Se ela me pegasse, eu acordava com paralisia do sono.

Vizinha Macumbeira

Mais ou menos nessa época, ou um pouco depois, eu já estava com uns 16 anos, a vizinha macumbeira do lado começou a ficar doente. Largou tudo da religião antiga dela e virou crente. Dizem as pessoas, uma tia e minha mãe, que coisas aconteciam na casa dela, cadeiras e mesas se mexiam, a cama da mulher vivia balançando e um monte de coisa comum em estórias de pessoas que fazem pacto com o demônio e ele vem buscar. Mais de uma vez minha mãe me perguntou se eu queria ir lá ver, mas não era nem medo. O que eu ia fazer na casa de uma vizinha que estava, sei lá, possuída? Ia conversar com o espírito? Não, né.

E um dia, cheguei da escola, lá pras seis da tarde, tomei meu banho e, quando saí, essa vizinha – que até o dia anterior estava acamada – estava lá em casa, na cozinha. L Dei um “oi” pra ela e fui pra meu quarto. Ah, nessa época meu pai ampliou a casa e eu já tinha um quarto próprio, sem ser o de hóspedes (um quarto em que até tinha pesadelos, mas bem ocasionais) e então fui pra lá pra não conversar com essa vizinha.

Eu estava ouvindo música quando ouço minha mãe gritar. Eu me levanto rapidamente, abro a porta e vejo a velha rindo e batendo palmas e minha mãe dando círculos na copa da casa, falando algo como “Abalaô”, repetindo incessantemente. Embora eu não seja um homem especialmente forte, minha mãe sempre foi franzina, mas eu tentei segurar ela e não consegui. Ela não me olhava nos olhos, era como se estivesse hipnotizada. Chamei meus tios (que eram nossos vizinhos) e, enquanto minha tia tentava acalmar minha mãe, ela me pediu em gritos pra tirar a vizinha. Eu puxei ela de casa e levei até o portão. Muito preocupado com minha mãe.

Quando eu consegui levar a vizinha para fora e voltar, minha mãe estava chorando na cozinha, ela fazia aquele gesto de quem está sujo e tentava se limpar e repetia muito isso, que estava suja. Muito suja. Minha tia e meu tio pegaram ela, de carro e a levaram a um centro espírita próximo. Ela deixou um incenso ou algo do tipo queimando na cômoda e se foi.

Enquanto isso, eu fiquei em casa tomando conta da casa e de meus irmãos e primo. Quando eu voltei, surpresa, os pratos da cômoda estavam quebrados no meio. Não no meio como se tivesse uma trinca, no meio formando um S. Falando assim, “formando um S” sei que não parece nada, mas era estranho demais vários pratos quebrados da mesma forma, uma forma tão anti-natural assim.

Mais tarde, minha mãe voltou pra casa, ainda se sentindo muito suja, e contou que enquanto estava dando café pra vizinha, ela começou a rir e a cara dela se transformou em algo tipo uma cara de gato e o sorriso dela ia aumentando, aumentando até que minha mãe perdeu a consciência. Não lembro exatamente o que aconteceu, qual a explicação que o pessoal do centro espírita deu, faz muito tempo, mas acho que a mulher queria meio que oferecer minha mãe ao demônio com o qual tinha o tal contrato. Depois disso a vizinha piorou e morreu.

Bom, ainda que ela tivesse ido, ocasionalmente ainda víamos vultos pela casa, normalmente na forma de uma sombra negra que passava atrás da gente e que só percebíamos pelos cantos dos olhos. Meus pesadelos continuaram.

Pesadelos, paralisia do sono, medo, pensamentos suicidas

Enfim, uns anos depois, eu fui servir ao exército. Na verdade, ao Tiro de Guerra, que é uma espécie de serviço militar pra quem trabalha e não pode servir o quartel, então, íamos de manhã, marchávamos, aprendíamos o básico do básico e voltávamos pra nossa vidinha de estudos e trabalho, podendo dormir em casa todos os dias, exceto um dia na semana em que tínhamos que passar a noite guardando o quartel. Foi um período muito ruim da minha vida. Os pesadelos voltaram com muita força naquela época. Eu ficava muitas vezes a noite toda sem dormir, “acordava” de madrugada para o serviço no Tiro de Guerra, ia pra escola até de tarde e, depois, estágio. Mas não era só isso. Sou muito reservado, educado, então ter que lidar com todo tipo de pessoa no quartel nem sempre era fácil. Mais de uma vez quase me envolvi em brigas físicas com pessoas lá que eu nem sabia o que eu tinha feito para elas quererem brigar comigo. Em casa também, muitos problemas (a maior parte aquela coisa de adolescente que “ninguém me entende”). Como eu estava sempre com sono, me afastava dos amigos e dormia toda vez que tinha oportunidade (durante o dia). Sentia que era muito cobrado em casa, no quartel e na escola. Certa vez peguei a arma e fiquei uns 10 minutos pensando em como seria fácil acabar com todos os meus problemas.

Não voltei a ficar 15 minutos encarando a arma, eu pensava mais em como meus pais ficariam se eu fizesse aquilo do que em todo o resto e vivia dizendo que não faria aquilo com eles. Mas tudo dava errado e cada dia que eu estava servindo eu ficava pensando em como seria acabar com tudo. Sem pesadelos, sem sono, sem estresse, sem pessoas chatas no quartel. E comecei a pensar, com os dias, em como seria bom descansar.

Engraçado que, um dia, após sair do quartel, encontrei uma mãe e filha em frente a uma loja. A menina, de seus cinco anos, parecia um anjo. Sem preconceitos, loirinha, olhos azuis. Ela me viu, disse “Olha, mãe, um soldado” e me cumprimentou com as mãos estendidas de uma forma engraçada. A mãe pediu desculpas mas a menina começou a falar um monte de coisas, que eu era soldado e tomava conta das pessoas e me deu um tchau. Foi uma coisa estranha. Era como se eu tivesse saído daquele encontro rápido de alma lavada. O sorriso que eu esbocei só pra animar a menina, não saiu da minha cara. Fui pra casa esse dia e dormi, acho que foi o dia que eu mais dormi na minha vida, devia ser umas 10/11 horas da manhã quando encontrei a mãe e filha, cheguei em casa, almocei e fui cochilar. Acordei achando que tinha dormido umas 8 horas. Mas era a hora do almoço do dia seguinte. Nunca vou entender, pode ter sido coincidência ou coisa da minha cabeça? Com certeza. Mas ao mesmo tempo, nunca tirei da mente que era algo mais. Porque, fora uma vez ou outra, os pesadelos acabaram. Por muito tempo dessa vez.

República do Medo

Nisso, outro par de anos se passa. Meu pai se aposentou e se mudou para outra cidade do interior, menos violenta, levando meus irmãos e minha mãe. Acabei ficando sozinho com a casa. E, meio que eu sentia que se ficasse sozinho, não ia ser legal. Então chamei alguns colegas de estudo que também trabalhavam na mesma empresa para morarem lá. Como eles moravam em outra cidade, era bom pra eles e pra mim.

Eram eles Márcio, o mais novo, mas depois de mim, o mais responsável. Muito inteligente. Rafaelle, também muito inteligente. Tadeu, um sujeito bom de papo e sempre animado, Bolinha – que era a paixão das mulheres da rua – Reginaldo Capitinga, meio jeca, e Melvin, o mais “eshpertu” da turma, gente boa mas metido a malandro. E eu, claro.



Bom, como eu tinha meu próprio quarto, deixei o resto do pessoal se arrumar como achassem melhor. E Bolinha e Rafaelle se foram para o quarto de hóspedes. Claro, eu nem tocava em assuntos do tipo. Na primeira semana, tudo correu bem até domingo. Enquanto todo mundo estava vendo TV na sala, Bolinha disse que ia dormir porque tinha que acordar cedo no outro dia. E foi. 10 minutos depois ele saiu gritando do quarto, falando que tinha um homem lá dentro, um ladrão, e correu pro quintal. A janela do quarto era gradeada, não tinha como um ladrão entrar, eu e os outros fomos atrás do Bolinha e, depois de acalmar ele voltamos pra dentro de casa e o Melvin estava no quarto, morrendo de rir. Quando a gente entrou ele disse “Olha, não tem ladrão debaixo do colchão” e riu “não tem ladrão debaixo do travesseiro” e riu. Acho que alivou o clima. Menos pro Bolinha, que disse que ladrão foi a primeira coisa que ele pensou em dizer.

O vulto.

Bolinha havia se deitado no quarto quando alguém entrou. Ele achou que era o Rafaelle e não se mexeu. A pessoa veio e ficou de frente pra ele e se abaixou para ver se o Bolinha estava acordado. Bolinha disse “Estou acordado, que houve?” e a pessoa, um vulto mais escuro que a penumbra do quarto, simplesmente sumiu como que por mágica. Foi nisso que Bolinha saiu correndo.

Bom, foi uma noite de muitas conversas, estórias e histórias. Não comentei nada da casa (acho) mas todo mundo contou alguma estória que conhecia e falou que era pro Bolinha se acalmar. Menos Rafaelle. Católico, ele desdenhava de fantasmas e esse tipo de coisa cunhou a frase “Trouxa” pra zoar o Bolinha.

Duas semanas depois, também num domingo (nesse meio tempo, eu havia reencontrado meu caderno de notas, passei a anotar até os dias que essas coisas aconteciam) foi a vez de Rafaelle ir dormir mais cedo. Eu tinha saído para namorar e, quando voltei, encontrei todo mundo agitado de novo. Aparentemente, Rafaelle estava dormindo quando sentiu alguém entrando no quarto. Ele abriu apenas o mínimo possível os olhos e viu que alguém tinha ido pra cama do Bolinha, aparentemente procurando por algo. Era o Bolinha, na mente do Rafa. E nisso, não encontrando o que procurava, ele foi até a cama do Rafa, se abaixando. Rafaelle logo pensou “É o Bolinha querendo me dar um susto porque eu zoei ele, vou zoar ele de volta” e quando o vulto que ele pensou ser o Bolinha chegou bem perto dele, Rafaelle disse “Buuuuu, peguei!” e a pessoa sumiu instantaneamente, deixando nosso amigo apavorado.

No dia seguinte, Rafaelle não voltou pra República. Na verdade, uns dois ou três dias depois o pai dele veio, agradeceu a gente ter deixado ele ficar lá e levou embora todas as coisas dele. Sério, Rafaelle nunca mais nem voltou na casa. Ainda hoje, eu encontro com ele no trabalho e vez ou outra ele pergunta da casa. Uma única vez ele perguntou se alguém viu alguma coisa, mas eu preferi não levar adiante o caso.

Não foi o último caso, na verdade, nos 3 anos seguintes aconteceram todo tipo de coisas pequenas. Foi nessa época, 1988, que eu escrevi um texto igual a esse, num antigo fórum de internet chamado Survivors (que era um dos mais conhecidos do Brasil da época, com alguns vários milhares de Usuários) com o título A Casa Mal-Assombrada do Góris. Uma pena o fórum ter fechado. De todas as vezes que escrevi essa história, acho que foi a que tinha mais dados, pois eu ainda tinha o caderno e peguei coisa de anos e anos antes para contar.

Uma coisa que, particularmente me marcou, é que tanto Bolinha quanto uma menina que nos visitava sempre, comentaram uma vez – obvio, em ocasiões diferentes – se tinha alguém enterrado na casa. Assim, o Bolinha tinha toda a razão do mundo em perguntar. Mas a menina não. Nunca entenderei por que ela perguntou isso. E não seria a última a perguntar.

Pois bem, tem outra ainda na época da República que vale a pena comentar. Tínhamos um novo colega (como eu disse, 3 anos) chamado W. E ele dormia nem sei aonde ou com quem. Mas um dia em que estávamos só eu e ele, acordei com ele me abraçando. Oooops. Não sou homofóbico, longe disso, mas tbm não sou tão simpatizante assim e acordar com um homem me agarrando não foi a coisa mais legal que poderia me acontecer. Eu empurrei W. no chão, acendi a luz e, quando ia falar algo, percebi que ele estava chorando e tremendo.

Ele estava na copa da casa, num sofá que tinha lá e ficava de frente pro quarto de hóspedes, quando disse que sentiu a porta se abrindo. Com a casa toda fechada, ele ficou preocupado e parou tudo que estava fazendo. E então, era como se o corredor do quarto fosse ficando mais e mais escuro, mesmo com as luzes da copa acesas, e W. sentiu que uma pessoa estava se formando lá dentro. W entrou em pânico e se levantou, indo na direção da cozinha e de meu quarto, quando olhou pra trás e podia jurar que tinha um vulto em forma humana na porta do quarto de hóspedes. E nisso ele foi correndo pro meu quarto.

Bom, até eu fiquei com medo da descrição que ele deu. Deixei o W dormir no meu quarto aquela noite e nas próximas. Na primeira noite ele pegou uns 3 edredons e usou como colchão e, nos dias seguintes pegava o colchão da própria cama. Algum tempo depois também ele foi embora dali. Isso foi em começos de 2001, se não me engano. De qualquer forma, eu teria pedido a ele que saísse, pois ia me casar em dezembro do mesmo ano.

Ao me casar, após as primeiras semanas e meses tranquilos, a esposa me contou, assustada, que passou por uma experiência terrível de manhã. Eu saí para trabalhar e ela sentiu como se alguém deitasse do lado dela. Ela se virou para perguntar “Voltou, amor?” mas não conseguia se mexer. A experiência foi horrível, pois ela sentia que havia outro homem alí, com ela. A tocando. E ficou o dia todo chorando muito.

Eu, ao voltar pra casa e ouvir a história, gelei. Mas não podia falar a verdade para ela. Como falar pra pessoa com quem você tinha acabado de se casar, que a casa onde moravam poderia ser mal-assombrada? E eu torcia para que fosse só aquele evento. Não foi.

Em outra ocasião, ela acordou de madrugada (nesse período, eu estava trabalhando a noite toda e ficava de dia em casa) e havia um homem na porta do quarto. Não um homem que fosse um bandido, mas uma sombra em forma de homem. Ela cobriu a cabeça, rezou um Pai Nosso e, quando se descobriu, não tinha ninguém. Ela aproveitou para acender todas as luzes da casa e, nos dias seguintes, também não dormia durante a noite. Na verdade, antes dela me contar essas duas histórias, ela justamente foi a terceira pessoa a me perguntar “Tem alguém enterrado aqui?”, o que me gelou e me fez perguntar da história.

Em outra ocasião, fui viajar com a esposa (atual ex) e deixei meu irmão e um amigo tomando conta da casa.

Meu irmão conta que ele estava na copa (na verdade, depois de casado transformei a copa numa segunda sala, de micro e TV) mexendo no computador quando ele viu uma criança negra saindo do quarto. A criança veio vindo e meu irmão ficou abobado, ele não conseguia se atinar para o que estava acontecendo, se era real ou não, até a criança tocar no joelho dele e dar um choque que o fez se levantar e sair correndo da casa.

Bom, ao mesmo tempo que zoamos muito ele, tbm ficamos meio assim, preocupados.

Nessa época, começamos a assistir à série Assombração, de algum canal por assinatura.

A trama de todo episódio (dramatização de “casos reais”) era uma família se mudando para uma casa, coisas pequenas acontecendo, acumulando e se tornando coisas maiores, até a família decidir levar um padre ou pastor na casa, tudo melhorar (com o famoso cheiro de rosas – que inclusive rolou na minha casa) e, algum tempo depois, tudo voltar. Forçando, em 90% das vezes, à família a se mudar dali.

Sério, se vc procurar na net deve encontrar, a solução normalmente é mudar mesmo.

Tivemos a idéia de levar amigos evangélicos, espiritas e católicos na casa. Engraçado que os amigos espíritas, todos, foram categóricos em dizer que não havia nada lá. Já os evangélicos, acabaram levando um pastor que fez uma bela celebração na casa, orou e pediu para Deus abençoar a casa. Assim como na série, a ex esposa disse ter sentido cheiro de rosas (não lembro se eu senti) e, por muitos meses tudo voltou ao normal. Mas ocasionalmente, coisas começaram a sumir e reaparecer em lugares que a gente já tinha procurado, voltei a ter pesadelos – sem sonhos dessa vez, apenas acordava com paralisia do sono – e alguns eventos que a ex reclamava de ver vultos pelo canto dos olhos mesmo durante o dia.

Vitória?

Bom, além da idéia de levar um padre ou pastor, os seriados nos deram a melhor idéia de como lidar com uma casa mal-assombrada: Nos mudamos.

Deu certo, ao menos na maioria das coisas. Eu ocasionalmente ainda tenho paralisia do sono, algo horrível, mas no geral, nada pior que isso.

Acabei me casando de novo, uma pessoa totalmente diferente de minha ex, mas que sempre que ia visitar meus familiares na casa, se sentia incomodada de novo. Eu mesmo, sempre sentia algo assustador na casa, quando era noite. Era como se algo ou alguém pudesse aparecer a qualquer momento. Incômodo.

Bom, em 2015 meu pai faleceu. Uma pessoa maravilhosa que sentiremos falta para todo o sempre.

Por que eu cito isso? Logo na semana seguinte à morte dele, eu pensei “Nossa, se eu entrar na casa, vou sentir medo dele aparecer” mas foi o oposto, todo o clima pesado que tinha na casa havia sumido. Era como se ele tivesse finalmente, do outro lado, podido limpar a casa. Ou então, o que quer que tivesse sido enterrado na casa, era para ele, apenas para ele. E como sua partida, também deixou esse plano. Não sei. Mas graças a Deus, a casa agora parece legal.

Não, não estou morando nela. Mas todo o clima estranho que tinha dentro dela, principalmente no corredor e no quarto de hóspedes, meio que sumiu. Coincidência? Dá medo pensar que alguém pudesse ter tido o trabalho de entrar em contato com algo maligno pra prejudicar meu pai, algo que teria ficado prejudicando todos ao redor da casa e que, uma vez ele partido, esse algo esteja livre para ir embora. Mas tbm dá pra pensar que, lá de onde ele está, meu pai pode estar intercedendo por nós, de alguma forma. Ou que talvez seja tudo coincidências e fruto de imaginação. Quem pode ter certeza?

Edit: Agora que li, não comentei que minha mãe suspeitava que uma vizinha, essa ligada à religiões afro, possa ter feito um trabalho contra meu pai, mas já escrevi muito, uma hora explico melhor.
 
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Monogo

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#5
Faz tempo, tinha lá meus 14 anos, tava vendo as constelações com a crush, qnd no canto do olho vemos um bola grande de luz que não parecia uma estrela.

Foi fixar o olhar e a porra se moveu tão rapidamente, que deixou um rastro de luz que durou uns milesegundos.
Só sei que olhei pra guria e antes que eu perguntasse alguma coisa ela disse "Vc viu aquilo?"

Ademais, passei uns bons 3 dias sem me olhar pra um ceu noturno.

Teve o caso tb do vulto branco pairando no quintal de casa, postei em outro topico, to com preguiça de procurar, mas depois dou uma olhada e fixo aqui.
 
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#6
Por que eu cito isso? Logo na semana seguinte à morte dele, eu pensei “Nossa, se eu entrar na casa, vou sentir medo dele aparecer” mas foi o oposto, todo o clima pesado que tinha na casa havia sumido.
Putz... Aconteceu muito parecido na casa dos meus avôs.
Logo depois que meu avô faleceu a casa ficou muito "pesada".
Tipo, só de estar em um cômodo com as luzes apagadas já dava uma sensação ruim, como se estivessem observando, uma energia muito forte. Até fixar o olhar no espelho dava aflição. Era muito medo mesmo. Horrível.
Anos depois, minha vó faleceu e eu achei que iria piorar mas aconteceu exatamente o mesmo que você na sua casa.
Todo o clima pesado, sensação de observação, medo de ambientes escuros.... tudo desapareceu.
 


Goris

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#7
Putz... Aconteceu muito parecido na casa dos meus avôs.
Logo depois que meu avô faleceu a casa ficou muito "pesada".
Tipo, só de estar em um cômodo com as luzes apagadas já dava uma sensação ruim, como se estivessem observando, uma energia muito forte. Até fixar o olhar no espelho dava aflição. Era muito medo mesmo. Horrível.
Anos depois, minha vó faleceu e eu achei que iria piorar mas aconteceu exatamente o mesmo que você na sua casa.
Todo o clima pesado, sensação de observação, medo de ambientes escuros.... tudo desapareceu.
Eu ia dizer "Estranho" mas me toquei que, com relação ao sobrenatural, não tem normal e estranho.

Mas é uma coisa bem interessante de se pensar. Como eu não disse na história, certa vez minha mãe acha que a vizinha fez macumba pra ela e meu pai, talvez querendo separar eles (ela era casada, então, sei lá, de repente era só por maldade mesmo) mas não funcionou, mas de repente ficou algo "no ar" depois daquilo.

E esse algo se foi depois que meu pai partiu, já que não tinha necessidade de existir. Ou, como eu disse, lá do alto ele deu um jeito de ajudar de alguma forma, nunca saberemos. Ou saberemos daqui uns bons anos.

Já tive muita fé que as religiões pudessem ter respostas exatas para isso, infelizmente, até hoje nunca tive uma boa.

O que aconteceu na minha casa e na de seus avós, por que será que aconteceu?
 

Slashtron

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#9
Eventos que transcendem esta realidade visível a todos nós, que fogem as regras do que parece convencional, e quanto ao relato de cima, li todo e achei incrível.
Qualquer hora destas farei um tópico sobre espiritualidade, sensitivo e médiuns.
Pessoas que tem uma certa sensibilidade vamos se dizer assim aflorada e consegue sentir presenças de seres ou coisas estranhas que acontecem.

Vou bolar uma forma de montar este tópico e fazer com que se torne oficial. Assim o pessoal tira suas dúvidas. :kjoinha
 

Goris

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#10
Quanto ao relato de cima, li todo e achei incrível.
Acredite, o relato acima é enorme e é só parte de tudo que aconteceu.

Os fatos aconteceram entre os anos 80 e os anos 2001, quando vi que tinha que me mudar da casa, então tem muita coisa que passa, seja porque ia aumentar ainda mais o wall of text sem necessidade, seja porque tem umas coisas que não dá pra ter certeza, tem outros eventos da epoca da República que não dá pra dizer "Ah, é verdade" ou "Ah, é mentira", porque essa época por um lado teve gente de fora, que ia ser mais confiável, mas tbm tem horas que não dá pra saber se era verdade, impressão ou zoeira. Isso sem falar os casos que eu esqueci.

Agora mesmo me lembrei de um caso envolvendo o Reginaldo Capitinga.

Na época da República trabalhávamos das 7:30 às 17:30 e depois íamos pra mesma escola, até as 10. Chegávamos em casa às 10:30 mais ou menos. Um dia o Reginaldo decidiu matar aula depois do intervalo e foi pra casa, chegando lá mais ou menos as 9. Ele chegou, tirou o uniforme e foi pro banheiro. Como morávamos só homens, ele foi mijar de porta aberta e viu uma pessoa passando em frente à porta (no corredor que levava vcs sabem pra qual quarto), sabe de canto de olho, que vc vê que alguém passou mas não notou os detalhes? Ele apenas achou que era alguém da turma chegando e não sentiu medo nem nada.

Falou a palavra mágica "Fala, trouxa, chegou mais cedo?" e, quando não ouviu resposta, pensou - como sempre - que era o Bolinha indo pro quarto e depois de mijar, foi lá dar um oi pra ele.

O Reginaldo diz que na hora que chegou no quarto e não tinha ninguém, ele não ligou, não sentiu medo nem nada, era só impressão dele. Mas quando ele saiu do quarto e ia caminhando pelo corredor ele foi sentindo como se houvesse alguém atrás dele, longe, mas chegando perto, como se o corredor estivesse ficando escuro exatamente atrás dele enquanto na frente estava normal. E ele sentiu que se olhasse pra trás ia dar algo muito errado. Era como se seus instintos dissessem "Se olhar pra trás, ele te pega" (1) Ele saiu correndo da casa, sem pegar camisa, mochila, dinheiro, nada.

Chegamos todo mundo junto lá pras 10:30 e encontramos ele, num frio dos carambas, apenas de bermuda, sem camisa, do lado de fora. Ele ficou congelando mas não entrou na casa nem pra pegar a roupa dele.

Vale comentar que o lance do Capitinga aconteceu mais de um ano depois do lance do Bolinha e do Rafaelle e na época ele nem participava da República por isso acho que ele nem sabia dos lances da casa...

Bônus: Sabe que a cena do banheiro em O Sexto Sentido é uma das que mais me assustava? Justamente porque eu havia passado outras vezes por aquilo e porque o filme estreou um ano depois desse caso.

Como eu disse, tem muito mais história, mas algumas eu só vou lembrar mesmo de vez em quando.

1-Ele nunca disse isso nessas palavras, é dramatização minha. Mas ele disse que sentiu que não deveria olhar pra trás, tudo na cabeça dele falava pra não olhar.
1b- Ah, eu tbm passei por situações assim. Tanto de ver vultos enquanto mijava (por isso aprendi a ser educado e mijar com a porta fechada), quanto em dezenas de oportunidades sentia como se houvesse alguém olhando pra mim do quarto. Mesmo adulto, teve vezes que eu ficava realmente incomodado. Muitas vezes olhei para trás, porque me incomodava muito, mas felizmente nunca vi nada. Assim mesmo, a sensação era muito ruim.
 
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Slashtron

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#11
Quando a pessoa morre, ou ela vai de vez no processo chamado roda da vida, ou fica presa aqui pelo ego e o material.
Nao é a primeira vez que cito isso.

Existe evolução no mundo espiritual.
Quase tudo ao nosso redor existe energia, e energia gera calor.

Tem um modo de saber se existe alguma entidade na tua casa. Não sou eu que vou ensinar. Não quero ver ninguém com meleca grudada no corpo.

Se estas criaturas notam que você percebe a presença dela. Há duas opções: Você é atormentado o resto da vida ou passará sua vida com problemas de saúde.
 

Goris

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#12
Quando a pessoa morre, ou ela vai de vez no processo chamado roda da vida, ou fica presa aqui pelo ego e o material.
Nao é a primeira vez que cito isso.

Existe evolução no mundo espiritual.
Quase tudo ao nosso redor existe energia, e energia gera calor.

Tem um modo de saber se existe alguma entidade na tua casa. Não sou eu que vou ensinar. Não quero ver ninguém com meleca grudada no corpo.

Se estas criaturas notam que você percebe a presença dela. Há duas opções: Você é atormentado o resto da vida ou passará sua vida com problemas de saúde.
Caramba, obrigado pelo apoio e incentivo, Slash.

Todos nós vamos dormir mais tranquilos agora.

Rs rs rs

ESI - Estou Sendo Irônico
 
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#14
Quando a pessoa morre, ou ela vai de vez no processo chamado roda da vida, ou fica presa aqui pelo ego e o material.
Nao é a primeira vez que cito isso.

Existe evolução no mundo espiritual.
Quase tudo ao nosso redor existe energia, e energia gera calor.

Tem um modo de saber se existe alguma entidade na tua casa. Não sou eu que vou ensinar. Não quero ver ninguém com meleca grudada no corpo.

Se estas criaturas notam que você percebe a presença dela. Há duas opções: Você é atormentado o resto da vida ou passará sua vida com problemas de saúde.
Menos, BEM menos!!!!! :klol
 

Slashtron

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#15
Uma dica para vocês.
Qual é a parte da casa que conseguem ter uma visão ampla de um cômodo?
As criaturas se alojam e ficam aí.

Gente... Isso é sério!
 

Goris

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#19
Nos diga uma coisa. Sente presenças e sensações ainda?
:-(

Não.

Mas depois de seus posts...

Hua Hua Hua

Depois que mudei da casa, por uns meses ainda tinha impressão que tinha impressão de sentir algo (confuso, né) mas durou pouco (mudei em 2001) e hoje tô de boas.

Infelizmente, tenho Paralisia do Sono, com raríssimos (a cada dois anos) casos em que tenho ilusões junto com a paralisia, mas fora uma vez que vi uma figura geométrica roxa, lá pra 2011/12, sempre senti que eram sonhos acordados/paralisia do sono, sem outras coisas envolvidas.

Quem tem essas experiências meio que sabe quando tem algo inexplicável e quando é só impressão.

PS: Tenho casos de Paralisia do Sono duas a três vezes por ano, algo muito chato. Mas paralisia com sonho acordado, em que parece haver coisas, são raríssimos. Tive um em 2011/12 e outro agora, em 2017, mas tudo tranquilo.
 
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#20
Paralisia do sono tive uma única vez em minha vida, e pude ver os clássicos vultos negros, os seus relatos Goris agregaram muito ao tópico, se quiser compartilhar mais algumas histórias que conhece mas não te envolve, fique a vontade, gostei muito de sua didática.
 

Goris

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#21
Paralisia do sono tive uma única vez em minha vida, e pude ver os clássicos vultos negros, os seus relatos Goris agregaram muito ao tópico, se quiser compartilhar mais algumas histórias que conhece mas não te envolve, fique a vontade, gostei muito de sua didática.
Paralisia do Sono é algo horrível, só quem teve pra saber a agonia que é estar acordado e não poder se mexer. E quando você vê os vultos, pior ainda.

Pra quem não conhece, paralisia do sono é a irmã gêmea do sonambulismo. Um sonâmbulo é alguém que a parte motora do cérebro continua funcionando mesmo com a pessoa dormindo. É como se o corpo se mexesse sem vc controlar.

A paralisia do sono é o oposto. Você acorda, mas o setor que cuida da parte motora de seu corpo não entende que você acordou. Logo, você está consciente mas não consegue se mexer, isso gera um sentimento muito ruim, é como se algo te segurasse.

Pior.

Como - tecnicamente - você está dormindo, você pode até mesmo sonhar.

Aí, junta, você está paralisado, sentindo como se algo te segurasse, você não vai sonhar com o Ben10, né? Na teoria seu sonho cria pessoas, fantasmas, vultos, gnomos, duendes e cia.

Digo na teoria, porque se vc acredita em sobrenatural, será que os vultos que enxerga são frutos de sua imaginação ou justamente por estar dormindo você enxerga algo que realmente existe?

Como eu disse, quando cheguei na idade que a Cuca já não me assustava mais, passei a ver a tal índia flutuando acima de mim. Tipo, era uma atualização de medo?

Nisso, já mais adulto, passei a intuir "Será que tem algo que se alimenta do medo?" Nesse caso, esse algo ficaria esperando a paralisia do sono pra poder se alimentar. E ficar na forma de uma Índia era o que aumentaria o medo.

Exatamente como o personagem Pennywise.

E você pensa.

As pessoas chegam às mesmas conclusões no Brasil, China, Japão, EUA e Europa... Será que tantas pessoas pensarem a mesma coisa não significa que pode ter algo a ver?
 
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#22
Se estas criaturas notam que você percebe a presença dela. Há duas opções: Você é atormentado o resto da vida ou passará sua vida com problemas de saúde.
Calma, jovem! kkkkkkk
Não dá pra resumir só nisso.
Pela linha do espiritismo, nem todo espírito vagando quer lhe fazer mal.
Existem espíritos que não conseguem desprender-se do mundo material por diversas razões: apego à família, aos bens materiais, às vezes até falta de consciência da sua morte. Enfim, nem todos ficam aqui para desgraçar a vida dos outros.
Mas, já participei de várias palestras que citavam espíritos atormentados, onde de fato suas energias emanadas justificavam muitas ocorrências (tipo as que o Goris citou) e há também os espíritos chamados zombeteiros. São espíritos que sabem que estão mortos, mas preferem ficar no plano terrestre apenas para "causar". E, segundo os livros espíritas, quanto mais eles sabem que a pessoa está com medo, mais situações que aumentem esse medo eles fazem acontecer.

O que aconteceu na minha casa e na de seus avós, por que será que aconteceu?
Espiritualmente falando, podem haver várias razões.
No meu caso, sempre acreditei na teoria de que, como a morte do meu avô foi muito repentina, ele não "fez a passagem", e ficou preso à casa.
Minha vó sofreu muito com a morte dele. Eles nunca brigavam e estavam organizando a festa de comemoração aos 70 anos de casados (faltava 1 ano e meio pra festa). Então eu acredito muito que ele só "partiu" quando minha vó foi junto.
 

Slashtron

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#23
Calma, jovem! kkkkkkk
Não dá pra resumir só nisso.
Pela linha do espiritismo, nem todo espírito vagando quer lhe fazer mal.
Existem espíritos que não conseguem desprender-se do mundo material por diversas razões: apego à família, aos bens materiais, às vezes até falta de consciência da sua morte. Enfim, nem todos ficam aqui para desgraçar a vida dos outros.
Mas, já participei de várias palestras que citavam espíritos atormentados, onde de fato suas energias emanadas justificavam muitas ocorrências (tipo as que o Goris citou) e há também os espíritos chamados zombeteiros. São espíritos que sabem que estão mortos, mas preferem ficar no plano terrestre apenas para "causar". E, segundo os livros espíritas, quanto mais eles sabem que a pessoa está com medo, mais situações que aumentem esse medo eles fazem acontecer.
Mundo espiritual é alimentado por isto.

São as intenções e formas de pensamento geradas.
Quanto mais se alimenta tal coisa ela pode se tornar real. Aí sim pode afetar tua vida.

Citemos como exemplo paralisia do sono.

Cito isso em tópicos, porém, o que mais encontra na casa das pessoas são obsessores e bestiais.
 
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Goris

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#24
Mundo espiritual é alimentado por isto.

São as intenções e formas de pensamento geradas.
Quanto mais se alimenta tal coisa ela pode se tornar real. Aí sim pode afetar tua vida.

Citemos como exemplo paralisia do sono.

Cito isso em tópicos, porém, o que mais encontra na casa das pessoas são obsessores e bestiais.
Engraçado pensar.

Vivemos num mundo material, lógico, em que todo tipo de problema espiritual é classificado como doença.

Tipo, paralisia do sono é um desequilíbrio no cérebro. O lado consciente acorda mas o lado motor continua dormindo. Logo, é algo normal.

Mas e se, se, a ciência só pega o efeito e a causa não é científica? Tipo, vc tem paralisia do sono porque o sobrenatural afeta seu cérebro, não porque seu cérebro te faz ver coisas? É uma coisa que se pode pensar muito.

Igual pessoas que tem doenças inexplicáveis. Será que não existe algo além disso? Será que não existe uma razão sobrenatural para isso?
 
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#26
Acho que há uma grande problemática por de trás disso, o espiritismo afirma que são espíritos que ainda não encontraram a luz, o Cristianismo diz que são demônios.
 

Slashtron

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#28
Assistam... Após, se quiserem debater fiquem a vontade.

Analise Espiritual - exorcismo real de um jovem chileno. Analise Espiritual - Exorcismo na Agentina (Cenas Fortes)
Relatos Sobrenaturais de Youtubers - Spooky Houses.Desmistificando as Crenças Populares - Paralisia do Sono feat Sasa
Tentando Provar que Existem Espíritos.

Para uma melhor interpretação, compreensão e entendimento assistam os estes vídeos.
 

ffaabbiio

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#29
A Casa Mal-Assombrada do Góris!

Bem, essa é a história, parte dela, sobre a casa em que morei durante toda minha infância e parte da vida adulta e onde hoje mora minha irmã. À princípio não é diferente de nenhuma casa da rua, não tem formato bizarro, nem 100 anos de histórias ou pessoas que tenham morrido lá, então, teoricamente, não deveria haver nenhum problema com a casa. Mas uma série de eventos, acontecidos com meus pais, eu, meu irmão, parentes e amigos me fez pensar por muito tempo que poderia haver algo de errado alí. O engraçado é que um ou outro evento pode parecer cena de filme, não porque tive que copiar de um filme pra dar mais cor, não, mas provavelmente porque todos esses relatos acabam por ter algo em comum, ainda mais quando se baseiam em eventos reais (ou algo assim).

Uma das partes mais difíceis de se contar um relato é decidir quando começar. Com a casa? Com meus pais? Comigo?

Então, vamos começar com meus pais e com a casa.

Meus pais compraram a casa em 1974, era uma rua de terra batida, ladeira, com pouco mais que uma dúzia de casas nessa época. Não havia casa antiga lá e, na verdade, meu pai teve que escavar uns bons metros de terra para aplainar o terreno e colocar ele mais ou menos no nível da rua. Eles contruíram uma casa no fundos do terreno, a famosa meia-água, enquanto construíam a casa maior. Meu pai sempre foi uma pessoa trabalhadora e honesta, tal qual minha mãe, então não arrumava brigas com vizinhos nem nada. Mas tanto a vizinha que morava em frente à nossa casa, quanto a vizinha que morava do lado dela, ambas inimigas e ambas ligadas à centros espíritas (afro), minha mãe suspeitava, gostavam dele.

O fato é que uma das vizinhas disse que a outra tinha feito um trabalho para separar os dois e enterrado na casa (algo que só fiquei sabendo ano passado, conversando com minha mãe) mas minha mãe foi ver a obra e não tinha nenhum sinal de algo enterrado, então achou que era fofoca e acabou caindo no esquecimento.

Quando a casa finalmente ficou pronta, uma simples casa de quatro cômodos, simples mas motivo de muito orgulho para meus pais, eu já tinha meus 3 anos e nos mudamos pra lá. Dizer que hoje, mais de 30 anos depois, eu me lembro de tudo em detalhes não é verdade, ainda mais que tenho até hoje a fama de ser bem esquecido. Mas algumas coisas te marcam tanto (e, principalmente, passei a escrever sobre elas, anos depois) que vc nunca esquece realmente.

Nessa época eu dormia com meus pais e sempre via duendes à noite quando todos dormiam. Eu iria rir se ouvisse isso de outra pessoa, mas como aconteceu comigo...

Minha mãe tinha uma espécie de capelinha com a Aparecida do Norte no quarto e ela iluminava a parte do quarto onde ficava minha cama. Então era fácil ver os duendes entrando no quarto, por debaixo da fresta da porta, indo para uma caixa grande onde ficavam os sapatos e fazendo coisas de duendes. E não sei se eles falaram isso ou se eu apenas “sentia” mas não deveria falar com meus pais sobre eles. E, por algum tempo, eu não falei. E eles sempre repetiam esse dia-a-dia. Era até legal, me sentia reconfortado de alguma forma.

Mas um dia eu contei a meus pais. Obviamente eles não acreditaram. Sem problemas... Até que depois daquela noite eles nunca mais apareceram. No lugar deles, passou a vir uma espécie de bruxa, não uma bruxa como a dos desenhos da Disney, mas a Cuca (do Sítio do Pica-Pau Amarelo LoL), que empurrava a porta devagar e observada para ver se meus pais estavam dormindo. Ela não se importava se eu estivesse acordado, vinha até minha cama e me segurava. Acho que, sendo criança, se ela fosse minha imaginação, fazia o máximo que eu podia imaginar que era me agarrar e segurar. Ou talvez fizesse outras coisas mas que eu não lembro. Como eu disse, isso foi há mais de 30 anos atrás.

Os duendes nunca mais retornaram.

O interessante é que eu sempre sabia as noites que a Cuca viria, pois eu escutava uma pressão tamborilando nos meus ouvidos, que escuto ocasionalmente até hoje, e sabia que aquela noite ia ser horrível. Eu normalmente já sabia e ficava nervoso. Tentava não dormir e, muitas e muitas vezes passei essas noites em claro. Mas muitas vezes não conseguia dormir e, tinha pesadelos (que seguiam sempre a mesma trama, eu entrava no quarto de hóspedes, a Cuca vinha e entrava, trancando a porta por dentro e me agarrando com suas mãos sujas) quando acordava, ela já estava lá, parada do meu lado, no quarto de meus pais, me observando. Desnecessário dizer que eu não conseguia me mover, sabia que estava acordado, mas só os olhos me obedeciam. Anos depois, adolescente, eu teorizei que ela se alimentava do meu medo, jamais saberemos.

Pra piorar, nessa época eu já estava meio grandinho e meus pais queriam uma intimidade, então me passaram do quarto deles para o quarto de hóspedes. Imagina a situação. Iriam me colocar pra dormir no mesmo quarto que eu tinha pesadelos. Eles sempre acharam que minhas reclamações eram só manha para voltar a dormir com eles, então nunca mais voltei para o quarto, ainda mais que pouco tempo depois meu irmão nasceria.

É engraçado eu, adulto, tentar me lembrar das tramas dos pesadelos, que continuavam – enquanto ainda criança – a ser eu estar em casa, meu pai ou minha mãe me chamarem para o quarto de hóspedes e, lá, ser trancado junto com a Cuca. Quando fui ficando mais velho, passei a ficar mais esperto e, quando meus pais me chamavam para o quarto, passei a fugir de casa. E deu certo por algum tempo. Com o tempo, a Cuca vinha atrás de mim ou mandava algum fantasma e eu tinha que correr. Se eu conseguisse fugir dela, normalmente acordava bem e tinha uma noite de sono tranquila depois disso. Mas quando ela me pegava, acordava paralisado, com vez ou outra ela aparecendo e outras vezes apenas paralisado por 5, 10, 15 minutos.

Então, tudo parou. Dos meus cinco/seis anos até os 12/13 nunca mais tive pesadelos como aqueles.

Nesse meio tempo, dois outros fatos mais marcantes aconteceram, entre outros menores:

Um, uma prima minha Edna ou Elisa, de seus 15/16 anos, engravidou de um cara casado. Meu tio, austero, expulsou ela de casa. Lembrando que era o começo dos anos 80 e ter uma filha mãe solteira era um escândalo e vergonha para os pais, um pai expulsar a filha de casa era triste, mas a sociedade de então entendia aquilo como direito dele. E ela veio morar com a gente, no mesmo quarto que eu. Uma noite ela estava na sala, vendo TV quando viu, com o canto dos olhos, alguém saindo do quarto de hóspedes. Não era eu, claro, tinha mais a estatura de meu pai ou minha mãe. Mas não era nenhum dos dois, simplesmente saiu do quarto, passou pelo corredor que ia para a cozinha e, quando ela levantou pra ver quem era, tinha sumido. Ela estava acordada e esse vulto deixou ela incomodada e, ao invés de voltar pro quarto de hóspedes, preferiu voltar pra sala e ficar vendo TV pra não dormir. Mas ela acabou ficando com sono e cochilou. Quando acordou, ela não conseguia se mexer e viu diversos vultos em forma humana, flutuando ao redor dela. Edna lutou o quanto pôde para se mexer e, quando ela conseguiu se levantar, os vultos correram todos para dentro da TV (que nessa hora estava só na estática), ela foi correndo pro quarto, arrastou sua cama pro lado da minha e dormiu agarrada a mim.

Nos dias seguintes, apesar de meus pais terem dado toda a acolhida pra ela, que outros parentes não quiseram/puderam dar, ela acabou indo embora com medo do caso. De repente era só uma justificativa para sair de casa? Quem sabe. Mas eu, lá com meus sete anos, acreditei muito nela e em sua história.

Outra vez, meu pai e minha mãe tiveram uma briga e ele foi dormir no quarto de hóspedes. Acho engraçado que não me lembro desse caso, dele dormindo lá, mas então, ele estava deitado na cama, com raiva, quando percebeu que não podia se levantar. Nervoso com aquilo viu que tinha uma mulher – que não era minha mãe – de pé na entrada do quarto. Ela foi até ele, se deitou com ele e ele paralisado. Quando ele conseguiu se mexer, voltou correndo pro quarto da minha mãe.

O interessante é que, por algum tempo, ele ficou muito sensível ao tema, mas depois de alguns meses passou a dizer que era só imaginação dele.

Ah, tem um terceiro fato, envolvendo minha mãe. Ela tinha uma grande amizade com a cunhada dela, Nilva, que morrera uns poucos anos antes. Nossa família e a família de meus avós (dois tios, avós, primos – inclusive um casal de filhos da Nilva) iríamos todos para Minas Gerais, passando por uma estrada muito perigosa, com muitos acidentes. Como minha mãe sempre fazia, ela acordou lá pras duas da manhã (sairíamos às 5, para chegar ainda cedo lá, pois eram 4 horas de viagem) para fazer bolinhos, café e etc para a viagem. Nisso, ela estava acordada, quando sentiu uma sensação como se alguém a observasse. A sensação foi ficando forte, ela sentiu os pelos do corpo se eriçando e, da cozinha, olhou na direção do quarto de hóspedes. E havia um vulto, uma sombra ali, que veio caminhando em direção a ela. Enquanto vinha, o vulto ia tomando contornos, corpo, braços, pernas, cabeça... Minha mãe instintivamente pensou na Nilva. Ela sentiu com toda a certeza que era ela. Mas quanto mais se aproximava mais medo minha mãe tinha e ela gritou “Nilva, não aparece não. Se for você eu rezo um ave-maria e acendo uma vela” e o vulto sumiu.

No dia seguinte, de manhã bem cedo, saímos. Minha mãe contou a história pra gente, meu pai só ria (apesar de ele não duvidar, ele tbm não acreditava, não sei se vcs entendem) e fomos viajar. Na metade do caminho, meus primos (filhos da Nilva) começaram a brigar e minha prima, Lucia, pediu insistentemente para vir no nosso carro e não no carro de nosso tio com nossos avós. Meu tio insistia para ela ir no carro com eles, mas minha mae tbm brigou pra ela ir junto com a gente, algo bem raro de acontecer (minha mãe sempre preferiu engolir sapos a brigar com os outros, até hoje é assim). Eu e meu irmão íamos no “chiqueirinho” do fusca e começamos uma brincadeira infantil, como a estrada dalí em diante era uma descida íngreme com muitas curvas, ficávamos falando “Sumiu o fusca do tio” e “Apareceu o fusca do tio” a cada curva. Idiota, claro, mas ei, éramos crianças. E uma hora eu falei “Sumiu o fusca do tio”... E ele não apareceu mais. Meu pai pai e mãe logo perceberam que algo estava errado e voltaram.

O carro de meu tio havia saído da estrada, na direção de uma ribanceira enorme, ficando com uma roda de trás no acostamento, uma roda de trás livre na ribanceira e a parte da frente só estava segura porque bateu numa arvore, com apenas a própria árvore servindo para equilibrar o carro e ele não despencar. Foi um momento terrível, com outras pessoas tentando ajudar e aquele medo, se abríssemos a porta, será que o carro desequilibraria e eles cairiam para a morte? Com sorte a a juda de moradores próximos e outros motoristas, puxamos o carro com uma corda e tiramos todos de lá com vida. Machucados (pernas e braços quebrados) mas vivos. A questão é, será que aquele vulto da madrugada teria vindo para avisar minha mãe do que aconteceria? Seria uma coincidência? Será que, se minha mãe não estivesse nervosa ela deixaria de brigar com o irmão e levar minha prima conosco? E, nesse caso, havendo mais uma pessoa no carro, qual a chance de a árvore não aguentar uns míseros 30/40 quilos a mais e ceder ou o peso dela ser o fator de desequilíbrio que levaria todos para uma morte triste?

Por algum tempo depois daquilo, a casa permaneceu tranquila. Éramos um dos poucos familiares que eram tanto legais quanto tinham uma casa mais ou menor grande, então era sempre em nossa casa que primos, tios, avós e parentes vinham quando iam visitar a gente ou outros parentes, então não era incomum alguém dormir no quarto de hóspedes e, vira e mexe alguém comentava algo sobre sonhos com pessoas em forma de vultos entrando no quarto, mas eram sonhos, então... Foi um período tranquilo.

Não, não tranquilo de tudo, como eu disse, a vizinha da frente e a vizinha do lado eram ligadas à macumba e começaram a brigar entre si e sempre tentavam envolver minha mãe nas brigas e ela sempre tentando se manter o mais neutra possível. Certa vez, fui na casa da vizinha do lado com uma foto da família e ela pediu a foto. Criança, fiquei sem jeito de não dar e deixei com ela. Na semana seguinte meu pai sofreu um acidente inexplicável em casa. Quando ele soube que deixei a foto com a vizinha, me fez ir lá na hora buscar. Mas eu fiquei impressionado com a coincidência.

Mas, voltando, foi um período tranquilo, até meus 13/14 anos quando voltei a ter pesadelos. Engraçado que me havia esquecido quase completamente deles, tudo estava tranquilo quando, um dia, voltei a ter um pesadelo em que ficava preso dentro do quarto e algo muito ruim veio do corredor, algo que me assustava muito. Nisso acordei com uma pessoa flutuando sobre mim. Parecia uma índia velha, cabelos trançados e de olhos fechados, mas quando ela “sentiu” que acordei, deu um sorriso assustador, um sorriso cruel que me arrepia até hoje, quase 30 anos depois. Ela então colocou as mãos sobre minhas áxilas e eu tentei mexer, gritar, falar algo e ela ficou só me segurando por lá e sorrindo de forma cruel. Ela então sumiu. Eu tentava me mexer mas por longos minutos experimentava aquela terrível experiência. Quando eu consegui voltar a me mover, levantei da cama. De todos os casos de pesadelos seguidos de paralisia do sono que tive, aquele foi o mais real de minha vida, eu não sinto que estava dormindo e sonhei, mas que estava realmente acordado.

Eu dormia com meu irmão no mesmo quarto e, vira e mexe, ele tbm tinha pesadelos, ficando nós dois acordados o tempo que fosse preciso para não dormirmos. Devia ser mais ou menos 1988/1989 e eu comecei a escrever os sonhos num caderno. Minha memória sempre foi péssima, por isso mesmo, escrever no caderno me ajudava a lembrar. Eu tinha uma noite de pesadelos e escrevia os sonhos com data e tudo. Com os anos – sim, foram anos – descobri que em 90% das vezes que tinha pesadelos eu escutava um som estranho nos ouvidos, como um tambor batendo ao longe e sabia que naquela noite teria pesadelos. Talvez fosse presciência, talvez fosse auto-sugestão, mas raras eram as vezes que escutava aquele tum tum tum e que não tinha pesadelos (mais pra frente comento mais sobre esse tema). Também percebi que eu sonhava e, invariavelmente, quando acordava, eram 3:00 da manhã. Não tínhamos internet naquela época, então não tinha como eu saber se aquele horário tinha algum significado oculto, mas com o tempo, descobri que se eu ficasse acordado até as 03:01, eu podia dormir tranquilo que não teria os pesadelos. Claro, alguns dias não dava certo. Mas no geral, funcionava. O meu “medo” dos pesadelos eram tão grandes que com o tempo eu passei a ir dormir, acordava às duas da manhã automaticamente pra ficar até depois das 3 e, logo depois, voltar a dormir.

E, no meu caderno, sempre colocava os sonhos. Com o tempo, eu sabendo que a Pisadeira (que era o nome que meus pais davam) tentaria me pegar, passava a perceber que era sonho e a sair de casa. No geral, funcionava. Se eu escapasse, acordava normal. Se ela me pegasse, eu acordava com paralisia do sono.

Vizinha Macumbeira

Mais ou menos nessa época, ou um pouco depois, eu já estava com uns 16 anos, a vizinha macumbeira do lado começou a ficar doente. Largou tudo da religião antiga dela e virou crente. Dizem as pessoas, uma tia e minha mãe, que coisas aconteciam na casa dela, cadeiras e mesas se mexiam, a cama da mulher vivia balançando e um monte de coisa comum em estórias de pessoas que fazem pacto com o demônio e ele vem buscar. Mais de uma vez minha mãe me perguntou se eu queria ir lá ver, mas não era nem medo. O que eu ia fazer na casa de uma vizinha que estava, sei lá, possuída? Ia conversar com o espírito? Não, né.

E um dia, cheguei da escola, lá pras seis da tarde, tomei meu banho e, quando saí, essa vizinha – que até o dia anterior estava acamada – estava lá em casa, na cozinha. L Dei um “oi” pra ela e fui pra meu quarto. Ah, nessa época meu pai ampliou a casa e eu já tinha um quarto próprio, sem ser o de hóspedes (um quarto em que até tinha pesadelos, mas bem ocasionais) e então fui pra lá pra não conversar com essa vizinha.

Eu estava ouvindo música quando ouço minha mãe gritar. Eu me levanto rapidamente, abro a porta e vejo a velha rindo e batendo palmas e minha mãe dando círculos na copa da casa, falando algo como “Abalaô”, repetindo incessantemente. Embora eu não seja um homem especialmente forte, minha mãe sempre foi franzina, mas eu tentei segurar ela e não consegui. Ela não me olhava nos olhos, era como se estivesse hipnotizada. Chamei meus tios (que eram nossos vizinhos) e, enquanto minha tia tentava acalmar minha mãe, ela me pediu em gritos pra tirar a vizinha. Eu puxei ela de casa e levei até o portão. Muito preocupado com minha mãe.

Quando eu consegui levar a vizinha para fora e voltar, minha mãe estava chorando na cozinha, ela fazia aquele gesto de quem está sujo e tentava se limpar e repetia muito isso, que estava suja. Muito suja. Minha tia e meu tio pegaram ela, de carro e a levaram a um centro espírita próximo. Ela deixou um incenso ou algo do tipo queimando na cômoda e se foi.

Enquanto isso, eu fiquei em casa tomando conta da casa e de meus irmãos e primo. Quando eu voltei, surpresa, os pratos da cômoda estavam quebrados no meio. Não no meio como se tivesse uma trinca, no meio formando um S. Falando assim, “formando um S” sei que não parece nada, mas era estranho demais vários pratos quebrados da mesma forma, uma forma tão anti-natural assim.

Mais tarde, minha mãe voltou pra casa, ainda se sentindo muito suja, e contou que enquanto estava dando café pra vizinha, ela começou a rir e a cara dela se transformou em algo tipo uma cara de gato e o sorriso dela ia aumentando, aumentando até que minha mãe perdeu a consciência. Não lembro exatamente o que aconteceu, qual a explicação que o pessoal do centro espírita deu, faz muito tempo, mas acho que a mulher queria meio que oferecer minha mãe ao demônio com o qual tinha o tal contrato. Depois disso a vizinha piorou e morreu.

Bom, ainda que ela tivesse ido, ocasionalmente ainda víamos vultos pela casa, normalmente na forma de uma sombra negra que passava atrás da gente e que só percebíamos pelos cantos dos olhos. Meus pesadelos continuaram.

Pesadelos, paralisia do sono, medo, pensamentos suicidas

Enfim, uns anos depois, eu fui servir ao exército. Na verdade, ao Tiro de Guerra, que é uma espécie de serviço militar pra quem trabalha e não pode servir o quartel, então, íamos de manhã, marchávamos, aprendíamos o básico do básico e voltávamos pra nossa vidinha de estudos e trabalho, podendo dormir em casa todos os dias, exceto um dia na semana em que tínhamos que passar a noite guardando o quartel. Foi um período muito ruim da minha vida. Os pesadelos voltaram com muita força naquela época. Eu ficava muitas vezes a noite toda sem dormir, “acordava” de madrugada para o serviço no Tiro de Guerra, ia pra escola até de tarde e, depois, estágio. Mas não era só isso. Sou muito reservado, educado, então ter que lidar com todo tipo de pessoa no quartel nem sempre era fácil. Mais de uma vez quase me envolvi em brigas físicas com pessoas lá que eu nem sabia o que eu tinha feito para elas quererem brigar comigo. Em casa também, muitos problemas (a maior parte aquela coisa de adolescente que “ninguém me entende”). Como eu estava sempre com sono, me afastava dos amigos e dormia toda vez que tinha oportunidade (durante o dia). Sentia que era muito cobrado em casa, no quartel e na escola. Certa vez peguei a arma e fiquei uns 10 minutos pensando em como seria fácil acabar com todos os meus problemas.

Não voltei a ficar 15 minutos encarando a arma, eu pensava mais em como meus pais ficariam se eu fizesse aquilo do que em todo o resto e vivia dizendo que não faria aquilo com eles. Mas tudo dava errado e cada dia que eu estava servindo eu ficava pensando em como seria acabar com tudo. Sem pesadelos, sem sono, sem estresse, sem pessoas chatas no quartel. E comecei a pensar, com os dias, em como seria bom descansar.

Engraçado que, um dia, após sair do quartel, encontrei uma mãe e filha em frente a uma loja. A menina, de seus cinco anos, parecia um anjo. Sem preconceitos, loirinha, olhos azuis. Ela me viu, disse “Olha, mãe, um soldado” e me cumprimentou com as mãos estendidas de uma forma engraçada. A mãe pediu desculpas mas a menina começou a falar um monte de coisas, que eu era soldado e tomava conta das pessoas e me deu um tchau. Foi uma coisa estranha. Era como se eu tivesse saído daquele encontro rápido de alma lavada. O sorriso que eu esbocei só pra animar a menina, não saiu da minha cara. Fui pra casa esse dia e dormi, acho que foi o dia que eu mais dormi na minha vida, devia ser umas 10/11 horas da manhã quando encontrei a mãe e filha, cheguei em casa, almocei e fui cochilar. Acordei achando que tinha dormido umas 8 horas. Mas era a hora do almoço do dia seguinte. Nunca vou entender, pode ter sido coincidência ou coisa da minha cabeça? Com certeza. Mas ao mesmo tempo, nunca tirei da mente que era algo mais. Porque, fora uma vez ou outra, os pesadelos acabaram. Por muito tempo dessa vez.

República do Medo

Nisso, outro par de anos se passa. Meu pai se aposentou e se mudou para outra cidade do interior, menos violenta, levando meus irmãos e minha mãe. Acabei ficando sozinho com a casa. E, meio que eu sentia que se ficasse sozinho, não ia ser legal. Então chamei alguns colegas de estudo que também trabalhavam na mesma empresa para morarem lá. Como eles moravam em outra cidade, era bom pra eles e pra mim.

Eram eles Márcio, o mais novo, mas depois de mim, o mais responsável. Muito inteligente. Rafaelle, também muito inteligente. Tadeu, um sujeito bom de papo e sempre animado, Bolinha – que era a paixão das mulheres da rua – Reginaldo Capitinga, meio jeca, e Melvin, o mais “eshpertu” da turma, gente boa mas metido a malandro. E eu, claro.



Bom, como eu tinha meu próprio quarto, deixei o resto do pessoal se arrumar como achassem melhor. E Bolinha e Rafaelle se foram para o quarto de hóspedes. Claro, eu nem tocava em assuntos do tipo. Na primeira semana, tudo correu bem até domingo. Enquanto todo mundo estava vendo TV na sala, Bolinha disse que ia dormir porque tinha que acordar cedo no outro dia. E foi. 10 minutos depois ele saiu gritando do quarto, falando que tinha um homem lá dentro, um ladrão, e correu pro quintal. A janela do quarto era gradeada, não tinha como um ladrão entrar, eu e os outros fomos atrás do Bolinha e, depois de acalmar ele voltamos pra dentro de casa e o Melvin estava no quarto, morrendo de rir. Quando a gente entrou ele disse “Olha, não tem ladrão debaixo do colchão” e riu “não tem ladrão debaixo do travesseiro” e riu. Acho que alivou o clima. Menos pro Bolinha, que disse que ladrão foi a primeira coisa que ele pensou em dizer.

O vulto.

Bolinha havia se deitado no quarto quando alguém entrou. Ele achou que era o Rafaelle e não se mexeu. A pessoa veio e ficou de frente pra ele e se abaixou para ver se o Bolinha estava acordado. Bolinha disse “Estou acordado, que houve?” e a pessoa, um vulto mais escuro que a penumbra do quarto, simplesmente sumiu como que por mágica. Foi nisso que Bolinha saiu correndo.

Bom, foi uma noite de muitas conversas, estórias e histórias. Não comentei nada da casa (acho) mas todo mundo contou alguma estória que conhecia e falou que era pro Bolinha se acalmar. Menos Rafaelle. Católico, ele desdenhava de fantasmas e esse tipo de coisa cunhou a frase “Trouxa” pra zoar o Bolinha.

Duas semanas depois, também num domingo (nesse meio tempo, eu havia reencontrado meu caderno de notas, passei a anotar até os dias que essas coisas aconteciam) foi a vez de Rafaelle ir dormir mais cedo. Eu tinha saído para namorar e, quando voltei, encontrei todo mundo agitado de novo. Aparentemente, Rafaelle estava dormindo quando sentiu alguém entrando no quarto. Ele abriu apenas o mínimo possível os olhos e viu que alguém tinha ido pra cama do Bolinha, aparentemente procurando por algo. Era o Bolinha, na mente do Rafa. E nisso, não encontrando o que procurava, ele foi até a cama do Rafa, se abaixando. Rafaelle logo pensou “É o Bolinha querendo me dar um susto porque eu zoei ele, vou zoar ele de volta” e quando o vulto que ele pensou ser o Bolinha chegou bem perto dele, Rafaelle disse “Buuuuu, peguei!” e a pessoa sumiu instantaneamente, deixando nosso amigo apavorado.

No dia seguinte, Rafaelle não voltou pra República. Na verdade, uns dois ou três dias depois o pai dele veio, agradeceu a gente ter deixado ele ficar lá e levou embora todas as coisas dele. Sério, Rafaelle nunca mais nem voltou na casa. Ainda hoje, eu encontro com ele no trabalho e vez ou outra ele pergunta da casa. Uma única vez ele perguntou se alguém viu alguma coisa, mas eu preferi não levar adiante o caso.

Não foi o último caso, na verdade, nos 3 anos seguintes aconteceram todo tipo de coisas pequenas. Foi nessa época, 1988, que eu escrevi um texto igual a esse, num antigo fórum de internet chamado Survivors (que era um dos mais conhecidos do Brasil da época, com alguns vários milhares de Usuários) com o título A Casa Mal-Assombrada do Góris. Uma pena o fórum ter fechado. De todas as vezes que escrevi essa história, acho que foi a que tinha mais dados, pois eu ainda tinha o caderno e peguei coisa de anos e anos antes para contar.

Uma coisa que, particularmente me marcou, é que tanto Bolinha quanto uma menina que nos visitava sempre, comentaram uma vez – obvio, em ocasiões diferentes – se tinha alguém enterrado na casa. Assim, o Bolinha tinha toda a razão do mundo em perguntar. Mas a menina não. Nunca entenderei por que ela perguntou isso. E não seria a última a perguntar.

Pois bem, tem outra ainda na época da República que vale a pena comentar. Tínhamos um novo colega (como eu disse, 3 anos) chamado W. E ele dormia nem sei aonde ou com quem. Mas um dia em que estávamos só eu e ele, acordei com ele me abraçando. Oooops. Não sou homofóbico, longe disso, mas tbm não sou tão simpatizante assim e acordar com um homem me agarrando não foi a coisa mais legal que poderia me acontecer. Eu empurrei W. no chão, acendi a luz e, quando ia falar algo, percebi que ele estava chorando e tremendo.

Ele estava na copa da casa, num sofá que tinha lá e ficava de frente pro quarto de hóspedes, quando disse que sentiu a porta se abrindo. Com a casa toda fechada, ele ficou preocupado e parou tudo que estava fazendo. E então, era como se o corredor do quarto fosse ficando mais e mais escuro, mesmo com as luzes da copa acesas, e W. sentiu que uma pessoa estava se formando lá dentro. W entrou em pânico e se levantou, indo na direção da cozinha e de meu quarto, quando olhou pra trás e podia jurar que tinha um vulto em forma humana na porta do quarto de hóspedes. E nisso ele foi correndo pro meu quarto.

Bom, até eu fiquei com medo da descrição que ele deu. Deixei o W dormir no meu quarto aquela noite e nas próximas. Na primeira noite ele pegou uns 3 edredons e usou como colchão e, nos dias seguintes pegava o colchão da própria cama. Algum tempo depois também ele foi embora dali. Isso foi em começos de 2001, se não me engano. De qualquer forma, eu teria pedido a ele que saísse, pois ia me casar em dezembro do mesmo ano.

Ao me casar, após as primeiras semanas e meses tranquilos, a esposa me contou, assustada, que passou por uma experiência terrível de manhã. Eu saí para trabalhar e ela sentiu como se alguém deitasse do lado dela. Ela se virou para perguntar “Voltou, amor?” mas não conseguia se mexer. A experiência foi horrível, pois ela sentia que havia outro homem alí, com ela. A tocando. E ficou o dia todo chorando muito.

Eu, ao voltar pra casa e ouvir a história, gelei. Mas não podia falar a verdade para ela. Como falar pra pessoa com quem você tinha acabado de se casar, que a casa onde moravam poderia ser mal-assombrada? E eu torcia para que fosse só aquele evento. Não foi.

Em outra ocasião, ela acordou de madrugada (nesse período, eu estava trabalhando a noite toda e ficava de dia em casa) e havia um homem na porta do quarto. Não um homem que fosse um bandido, mas uma sombra em forma de homem. Ela cobriu a cabeça, rezou um Pai Nosso e, quando se descobriu, não tinha ninguém. Ela aproveitou para acender todas as luzes da casa e, nos dias seguintes, também não dormia durante a noite. Na verdade, antes dela me contar essas duas histórias, ela justamente foi a terceira pessoa a me perguntar “Tem alguém enterrado aqui?”, o que me gelou e me fez perguntar da história.

Em outra ocasião, fui viajar com a esposa (atual ex) e deixei meu irmão e um amigo tomando conta da casa.

Meu irmão conta que ele estava na copa (na verdade, depois de casado transformei a copa numa segunda sala, de micro e TV) mexendo no computador quando ele viu uma criança negra saindo do quarto. A criança veio vindo e meu irmão ficou abobado, ele não conseguia se atinar para o que estava acontecendo, se era real ou não, até a criança tocar no joelho dele e dar um choque que o fez se levantar e sair correndo da casa.

Bom, ao mesmo tempo que zoamos muito ele, tbm ficamos meio assim, preocupados.

Nessa época, começamos a assistir à série Assombração, de algum canal por assinatura.

A trama de todo episódio (dramatização de “casos reais”) era uma família se mudando para uma casa, coisas pequenas acontecendo, acumulando e se tornando coisas maiores, até a família decidir levar um padre ou pastor na casa, tudo melhorar (com o famoso cheiro de rosas – que inclusive rolou na minha casa) e, algum tempo depois, tudo voltar. Forçando, em 90% das vezes, à família a se mudar dali.

Sério, se vc procurar na net deve encontrar, a solução normalmente é mudar mesmo.

Tivemos a idéia de levar amigos evangélicos, espiritas e católicos na casa. Engraçado que os amigos espíritas, todos, foram categóricos em dizer que não havia nada lá. Já os evangélicos, acabaram levando um pastor que fez uma bela celebração na casa, orou e pediu para Deus abençoar a casa. Assim como na série, a ex esposa disse ter sentido cheiro de rosas (não lembro se eu senti) e, por muitos meses tudo voltou ao normal. Mas ocasionalmente, coisas começaram a sumir e reaparecer em lugares que a gente já tinha procurado, voltei a ter pesadelos – sem sonhos dessa vez, apenas acordava com paralisia do sono – e alguns eventos que a ex reclamava de ver vultos pelo canto dos olhos mesmo durante o dia.

Vitória?

Bom, além da idéia de levar um padre ou pastor, os seriados nos deram a melhor idéia de como lidar com uma casa mal-assombrada: Nos mudamos.

Deu certo, ao menos na maioria das coisas. Eu ocasionalmente ainda tenho paralisia do sono, algo horrível, mas no geral, nada pior que isso.

Acabei me casando de novo, uma pessoa totalmente diferente de minha ex, mas que sempre que ia visitar meus familiares na casa, se sentia incomodada de novo. Eu mesmo, sempre sentia algo assustador na casa, quando era noite. Era como se algo ou alguém pudesse aparecer a qualquer momento. Incômodo.

Bom, em 2015 meu pai faleceu. Uma pessoa maravilhosa que sentiremos falta para todo o sempre.

Por que eu cito isso? Logo na semana seguinte à morte dele, eu pensei “Nossa, se eu entrar na casa, vou sentir medo dele aparecer” mas foi o oposto, todo o clima pesado que tinha na casa havia sumido. Era como se ele tivesse finalmente, do outro lado, podido limpar a casa. Ou então, o que quer que tivesse sido enterrado na casa, era para ele, apenas para ele. E como sua partida, também deixou esse plano. Não sei. Mas graças a Deus, a casa agora parece legal.

Não, não estou morando nela. Mas todo o clima estranho que tinha dentro dela, principalmente no corredor e no quarto de hóspedes, meio que sumiu. Coincidência? Dá medo pensar que alguém pudesse ter tido o trabalho de entrar em contato com algo maligno pra prejudicar meu pai, algo que teria ficado prejudicando todos ao redor da casa e que, uma vez ele partido, esse algo esteja livre para ir embora. Mas tbm dá pra pensar que, lá de onde ele está, meu pai pode estar intercedendo por nós, de alguma forma. Ou que talvez seja tudo coincidências e fruto de imaginação. Quem pode ter certeza?

Edit: Agora que li, não comentei que minha mãe suspeitava que uma vizinha, essa ligada à religiões afro, possa ter feito um trabalho contra meu pai, mas já escrevi muito, uma hora explico melhor.
Só de ler esse relato eu fico tudo arrepiado e os olhos enchem de lágrimas, já tive umas experiências, do tipo que postei ali, já tive paralisia também, acordado uma vez e é a pior coisa do mundo.

E lendo o seu relato, eu me lembro que faz 9 anos que casei e sai da casa da minha mãe, que é lá no sítio onde vou trabalhar todo dia ainda, mas nunca mais dormi lá e nunca mais tive nenhum tipo de experiência, aí fiquei pensando se tem algo a ver...

Teve uma vez que tive um sonho que me perturbou por meses, mas esse eu prefiro não comentar, na verdade nunca comentei com ninguém, com medo da reação das pessoas...

Essa casa quando a gente mudou lá, já existia, foi outro agricultor que construiu, mas lá tem ainda um armazém bem antigo que meu avô disse que era um comércio antigamente e do lado tem um quartinho que era uma capela, tem uma cruz até hoje lá dentro...

Meu irmão mora no sítio ainda ele sempre teve medo dessas coisas e agora ele tem um filho de 6 anos que se caga todo a noite, chegando a não dormir bem, acordar chorando as vezes, ele não gosta de ver filme, jogos, etc que tenham um mínimo de coisas de terror, ele tem bastante medo dessas coisas.

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#30

Riveler

Bam-bam-bam
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214
#31
Necromancia faz parte de experiências sobrenaturais. :coolface

Já que recebeu advertência, deixa pra lá. Só queria facilitar as coisas pra quem quisesse ler mais sobre essas experiências (eu, por exemplo). Ficando tudo num único tópico seria o ideal.
 
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#32
A última vez dei um up neste tópico fui advertido como necromancia, por isso preferi criar um.
Será que você não floodou o tópico? Tipo abrindo um igual a esse que você abriu, só pedindo pro pessoal contar suas histórias e não contar uma sua par dar sequencia ao tópico?
 
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#33
Será que você não floodou o tópico? Tipo abrindo um igual a esse que você abriu, só pedindo pro pessoal contar suas histórias e não contar uma sua par dar sequencia ao tópico?
Não tenho grandes histórias sobrenaturais para contar, só algumas que ocorreram com parentes e pessoas conhecidas, por isso a curiosidade, nunca tive demonstração alguma de algum fenômeno fora da ordem, por isto a curiosidade em criar um tópico.
 
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#34
Não tenho grandes histórias sobrenaturais para contar, só algumas que ocorreram com parentes e pessoas conhecidas, por isso a curiosidade, nunca tive demonstração alguma de algum fenômeno fora da ordem, por isto a curiosidade em criar um tópico.
Eu tenho algumas, mas como já postei em uns 3 tópicos, se eu achar colo aqui depois
 


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